Leonardo Sampaio, COO da Bet do Bilhão

63% dos apostadores estão fora das capitais, aponta COO da Todos Querem Jogar

  • Última modificação do post:6 de outubro de 2025
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Dados dos primeiros 60 dias de operação da TQJ mostram interiorização do mercado de apostas 

O mercado brasileiro de apostas e iGaming (jogos online) vive um momento de transformação profunda, e ela está acontecendo longe dos grandes centros urbanos. De acordo com Leonardo Sampaio, CEO do Grupo Todos Querem Jogar (TQJ) — empresa do Grupo Silvio Santos responsável pela Bet do Milhão —, 63% dos apostadores vivem fora das capitais. Os números são baseados nos primeiros 60 dias de operação da plataforma, que já confirmam um fenômeno de interiorização das apostas no país.

Segundo a análise, o iGaming movimenta hoje R$ 17,4 bilhões no Brasil, com 17,7 milhões de jogadores ativos em plataformas regulamentadas. Para Sampaio, o crescimento se deve à popularização da internet móvel (4G), à facilidade de pagamentos via PIX e ao uso cada vez maior do celular para apostas.

“A combinação de 4G, PIX massificado e mobile sem fricção abriu as portas para um público que cresce, engaja e converte com eficiência”, afirma o executivo.

Interiorização 

O levantamento revela que cidades médias do Nordeste e do Centro-Oeste já superam 70% de penetração, ou seja, a presença das apostas entre a população. O Sudeste segue como principal mercado, mas com custos crescentes nas capitais, o que indica uma migração de foco das operadoras para o interior.

A distribuição regional mostra que o Sudeste concentra 46,9% dos apostadores, com alto índice de “cross-sell” (23%) — termo usado para descrever jogadores que consomem mais de um tipo de jogo dentro da mesma plataforma. No entanto, o “CAC” (custo de aquisição de cliente), que representa o gasto para conquistar novos usuários, está em alta nas grandes cidades.

O Nordeste responde por 26,4% do público total, com destaque para uma base jovem — 42% dos apostadores têm entre 18 e 29 anos. Campanhas com influenciadores locais têm apresentado retorno sobre investimento (ROI) 3,2 vezes maior que ações genéricas. O ROI mede quanto a empresa ganha em relação ao valor investido em publicidade.

O Sul representa 11,2% do mercado, com um público fiel e analítico. Os jogadores da região permanecem em média 8,4 meses ativos (taxa de retenção) e preferem apostar em computadores em vez de celulares, comportamento atípico no restante do país.

O Centro-Oeste, com 7,9% dos apostadores, tem o maior tíquete médio do Brasil, de R$ 347 por mês, associado a perfis ligados ao agronegócio e ao funcionalismo público. Essa região apresenta ainda o LTV (lifetime value) mais alto — indicador que mede o valor total gerado por um cliente durante seu tempo de uso na plataforma.

O Norte, por sua vez, detém 7,4% do mercado e apresenta os melhores índices de eficiência: o menor custo de aquisição (R$ 172) e a melhor taxa de conversão do país (4,8%), ou seja, o percentual de pessoas que se cadastram e passam a apostar. Apesar disso, tem “churn” de 15,3%, termo usado para indicar o número de usuários que deixam de usar o serviço, o que ainda representa um desafio, mas também um grande potencial de crescimento.

Perfil do apostador brasileiro

A análise da Bet do Milhão traça um retrato detalhado do novo apostador digital no país. Homens representam 82% da base, enquanto 70% têm menos de 35 anos. Além disso, 65% pertencem às classes C e D, o que reforça a penetração do setor entre as camadas populares.

O tíquete médio por aposta é de R$ 20, e os jogadores realizam em média 5,2 apostas por mês.

Mídia regional 

As campanhas publicitárias também estão se adaptando à interiorização do setor. Ações regionais têm apresentado 37% mais retorno sobre investimento que as campanhas genéricas. No Norte e Nordeste, o rádio ainda é um canal eficaz de conversão de apostadores. No Centro-Oeste, os picos de depósito seguem o calendário agrícola, refletindo a sazonalidade da colheita.

No Sul, os apostadores respondem melhor a informações detalhadas sobre probabilidades (“odds”) e desempenho esportivo do que a promoções com bônus. Já no Sudeste, o desafio está em conter os custos de marketing e manter a fidelização de uma base já saturada.

Projeções até 2027

De acordo com as projeções da Bet do Milhão, o mercado brasileiro deve passar por mudanças importantes nos próximos anos:

  1. O Norte deve ultrapassar o Centro-Oeste em participação de mercado.

  2. O cassino online crescerá 73%, impulsionado pelo avanço no Nordeste.

  3. O Sudeste perderá 7 pontos percentuais de participação por saturação das capitais.

  4. O Brasil pode entrar no top 5 mundial de iGaming até 2030.

  5. O GGR (Gross Gaming Revenue) — indicador que mede o faturamento bruto do setor — pode ultrapassar US$ 60 bilhões até 2027.

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