zona de risco anj autoridade jogos França

Autoridade de jogos francesa alerta para ‘Zona de Risco’ nas apostas durante a Copa do Mundo 2026

  • Última modificação do post:5 de junho de 2026
  • Tempo de leitura:8 minutos de leitura

Campanha da ANJ transforma o aviso legal das propagandas de jogos em uma faixa amarela de alerta

A Autoridade Nacional de Jogos da França (ANJ) lançou uma nova campanha de prevenção sobre os riscos de dependência associados às apostas esportivas às vésperas da Copa do Mundo de Futebol de 2026. Batizada de “Zone à risques”, ou “Zona de Risco”, a iniciativa busca alertar especialmente os jovens, público fortemente presente no mercado de apostas esportivas francês.

Segundo a entidade, a campanha foi lançada após um estudo realizado pela Toluna – Harris Interactive, encomendado pela ANJ em razão da proximidade da Copa do Mundo. Segundo o levantamento, 41% dos franceses que pretendem acompanhar a competição afirmam que também têm intenção de apostar.

Outro dado destacado pela autoridade reguladora aponta que mais de um terço dos franceses que costumam apostar dizem já ter sentido que perderam o controle sobre a prática.

Para chamar atenção para esse risco, a ANJ decidiu transformar o código visual das menções legais obrigatórias nas propagandas de jogos de azar em uma fita amarela de isolamento, normalmente associada a áreas perigosas.

Apostas esportivas em grandes eventos

Segundo a ANJ, o futebol segue como o principal esporte para apostas na França. Em 2025, foram registrados mais de € 6 bilhões em apostas online, com o futebol respondendo por 55% do total. Na sequência aparecem tênis e basquete.

A Copa do Mundo de 2022 movimentou mais de € 900 milhões em apostas online e em pontos físicos de venda. A final entre França e Argentina se tornou o jogo com maior volume de apostas já registrado no país, com quase € 54 milhõesmovimentados apenas online.

Considerando o crescimento do mercado de apostas esportivas, os valores registrados nas últimas competições e o novo formato da Copa do Mundo de 2026, a ANJ estima que o torneio possa atingir aproximadamente € 1,2 bilhão em apostas. O desempenho da seleção francesa, no entanto, será determinante para o volume final.

Atualmente, 64% dos apostadores esportivos franceses têm entre 18 e 34 anos. Em 2025, o país registrou mais de 5 milhões de contas ativas, com média anual de € 2.186 apostados por conta.

Intenção de apostar cresce para Copa de 2026

O estudo encomendado pela ANJ mostra que 57% dos franceses declaram ter intenção de acompanhar a Copa do Mundo de Futebol.

Entre os que pretendem acompanhar o torneio, mais da metade afirma que poderá fazer apostas informais com amigos e familiares. Já 41% dizem ter intenção de apostar dinheiro nas partidas por meio de um operador, índice cinco pontos acima do registrado na Copa do Mundo de 2022 e seis pontos acima do observado na Eurocopa de 2024.

A intenção de apostar é ainda maior entre os menores de 35 anos, chegando a 54%.

A pesquisa também mostra que os franceses que pretendem apostar estão mais propensos a gastar valores superiores aos de competições anteriores. Em 2026, 30% afirmam que irão gastar mais dinheiro em apostas do que no passado, contra 19% em 2022.

Os jogos da seleção francesa são os que mais despertam intenção de apostas, seguidos pelas partidas de maior importância na competição.

Riscos de dependência

A ANJ também destacou dados do Observatório Francês de Drogas e Tendências Adictivas (OFDT), que estimou em 15,3% a proporção de apostadores esportivos problemáticos em 2023.

Entre os sinais de comportamento de risco citados estão a tentativa de apostar novamente para recuperar perdas, apostar mais dinheiro do que se pode permitir e sentir culpa em relação ao jogo.

De acordo com a pesquisa Toluna – Harris Interactive, 83% dos franceses identificam riscos de dependência associados às apostas esportivas. Entre aqueles que pretendem apostar durante a Copa do Mundo, esse percentual chega a 91%.

A percepção dos riscos cresceu 14 pontos em relação ao levantamento feito em 2022.

O estudo também aponta que 37% dos franceses que costumam apostar já tiveram a sensação de perder o controle. Entre os menores de 25 anos, o índice chega a 67%.

Além disso, 20% dos franceses afirmam conhecer alguém próximo que já perdeu o controle com apostas esportivas. Entre os mais jovens, o percentual sobe para 48%.

Aviso legal em sinal de perigo

Uma semana antes do início da Copa do Mundo, a ANJ lançou a campanha de prevenção criada pela agência LIBRE. O objetivo é causar impacto visual ao transformar o tradicional banner amarelo das menções legais presentes nas publicidades de jogos de azar em uma faixa de isolamento, usada para sinalizar uma zona perigosa.

Segundo a autoridade reguladora, a campanha mostra o que acontece quando o apostador entra na chamada “zona de risco”: ele joga, perde, tenta recuperar o prejuízo, aposta mais, fica irritado, se isola e deixa de aproveitar o esporte. No fim, passa a sequer assistir ao jogo.

A assinatura da campanha é:

“Jogar em excesso é entrar em uma zona de risco.”

Para materializar o conceito, a ANJ instalou uma ação no espaço público. Atrás de uma faixa amarela representando a “zona de risco”, uma sala de estar foi montada em uma cidade francesa. Durante toda a duração de uma partida, um ator reproduziu comportamentos associados a um jogador em dificuldade, como perdas acumuladas, tentativa de recuperação, agitação e raiva.

A instalação chamou a atenção de pedestres, que pararam para observar a cena e conversar com as equipes presentes.

De acordo com a ANJ, o objetivo da experiência imersiva foi tornar visíveis comportamentos muitas vezes banalizados ou invisíveis, ajudando o público a reconhecer sinais de alerta ligados ao excesso de apostas esportivas.

A campanha direciona o público ao site Evalujeu, plataforma que permite avaliar a própria prática de jogo e receber conselhos adaptados para manter o controle. O portal também reúne informações sobre dispositivos e estruturas de apoio disponíveis para jogadores e familiares.

ANJ vê sinais de alerta antes da Copa

A presidente da Autoridade Nacional de Jogos, Isabelle Falque-Pierrotin, afirmou que a proximidade da Copa do Mundo acende preocupações para o regulador francês.

“À medida que nos aproximamos desta Copa do Mundo, estamos entrando em uma zona de risco com vários sinais de alerta acesos para o regulador: um número maior de partidas e, consequentemente, mais publicidade e mais oportunidades de apostas. Ao mesmo tempo, observamos um aumento do número de jogadores excessivos e da participação deles nas receitas dos operadores. O estudo realizado pela Toluna-Harris confirma essa preocupação ao apontar intenções de apostas em crescimento, tanto em volume quanto em valor, além de uma vulnerabilidade muito elevada entre os jovens apostadores. São razões suficientes para que a ANJ se manifeste e busque impactar a opinião pública por meio de uma campanha que transforma a faixa amarela dos avisos legais em uma representação visível de riscos reais”, afirmou.

4 Visualizações totais - 4 Visualizações hoje