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‘O debate sobre apostas precisa ser de responsabilidade, não de estigmatização’, por Luciano Casalli, CFO da OleyBet

  • Última modificação do post:5 de junho de 2026
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Para Luciano Casalli, debate superficial prejudica empresas que investiram no mercado regulamentado

A recente campanha promovida por artistas contra o chamado “Jogo do Tigrinho” traz uma discussão importante sobre jogo responsável, proteção ao consumidor e combate aos operadores ilegais. Esses temas merecem atenção e debate sério.

O problema começa quando a narrativa passa a tratar todo o setor de apostas como se fosse uma atividade única, indistinta e à margem da lei.

Não é.

O Brasil possui hoje um marco regulatório específico para apostas de quota fixa. Empresas licenciadas operam sob fiscalização estatal, cumprem exigências de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção de dados, identificação de usuários, jogo responsável e recolhimento de tributos.

Confundir operadores legalizados com plataformas clandestinas não contribui para a proteção da sociedade. Pelo contrário: prejudica justamente as empresas que decidiram investir no mercado regulado, gerar empregos, pagar impostos e atuar dentro das regras estabelecidas pelo Estado brasileiro.

É preciso separar o joio do trigo.

Se existem operadores ilegais, a resposta deve ser fiscalização, bloqueio de plataformas irregulares e punição dos responsáveis. Se existem práticas abusivas de publicidade, elas devem ser combatidas pelos órgãos competentes. Se há preocupação com ludopatia, o caminho é fortalecer políticas de jogo responsável e educação financeira.

Mas atacar indiscriminadamente todo um setor legalizado não resolve nenhum desses problemas.

Também chama atenção que parte dos defensores dessa campanha apoie mecanismos legítimos de incentivo estatal para outras atividades econômicas e culturais, enquanto questiona a legitimidade de um segmento que foi expressamente autorizado pelo Congresso Nacional, regulamentado pelo Poder Executivo e submetido à supervisão permanente do Estado.

Em uma democracia, atividades legais não podem ser condenadas apenas porque determinados grupos discordam delas.

O debate público precisa ser baseado em fatos, não em estigmas.

Apostas legais NÃO são sinônimo de ilegalidade. Operadores licenciados não são equivalentes a plataformas clandestinas. Empresas que cumprem rigorosos requisitos regulatórios não podem ser colocadas no mesmo grupo daqueles que atuam à margem da lei.

Uma campanha verdadeiramente responsável deveria concentrar seus esforços no combate às operações ilegais, à fraude, à publicidade enganosa e às práticas abusivas.

Nesse ponto, certamente encontraria apoio de todo o setor regulado.

O Brasil precisa discutir o tema com maturidade. Não por meio de generalizações que confundem a opinião pública, mas através de um debate técnico, equilibrado e comprometido com a legalidade, a regulação e a proteção efetiva dos consumidores.


 

Luciano Casalli é Diretor Financeiro da OleyBet, marca operada pela Lindau Gaming Brasil S.A., e membro da Comissão de Direito dos Jogos Lotéricos da OAB/RJ.

Com trajetória construída nas áreas de gestão estratégica, crédito, recuperação financeira e administração pública, iniciou sua carreira em uma das maiores empresas de recuperação de crédito do Brasil. Posteriormente, ocupou posições de liderança em multinacional referência na América Latina, atuando na gestão de operações de cobrança judicial e extrajudicial, relacionamento com clientes, planejamento estratégico e desenvolvimento de políticas de crédito e recuperação de ativos.

O executivo também tem MBA Em Finanças, Auditoria e Controladoria, pela Faculdade Líbano.

Atualmente, além de liderar a área financeira da OleyBet, acompanha de perto os debates sobre regulação, governança, compliance e sustentabilidade do mercado regulado de apostas no Brasil, contribuindo para discussões relacionadas à integridade, segurança jurídica e desenvolvimento responsável do setor.

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