Operadores avaliam que resultado ficou abaixo das expectativas
A realização da Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, provocou um aumento significativo na atividade das plataformas de apostas esportivas no Brasil. Segundo instituições de pagamento especializadas no segmento, o número de apostas realizadas durante o torneio cresceu 300% em comparação com o registrado no mês de maio.
O avanço ocorreu mesmo com a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final e em meio ao debate sobre a quantidade de publicidade de casas de apostas exibida em transmissões de televisão aberta e plataformas de streaming.
O crescimento foi acompanhado pelo aumento no número de apostadores e na quantidade de depósitos realizados nas plataformas. Os maiores volumes de transações foram registrados entre uma hora e um minuto antes do início das partidas.
Sumário
Jogos da Seleção concentraram maiores depósitos
Dados da plataforma financeira Klavi indicam que o valor médio dos depósitos passou de R$ 188, antes do início da Copa do Mundo, para R$ 245,05 durante a competição.
Nos dias que antecederam os jogos da Seleção Brasileira, os depósitos chegaram a superar R$ 400. Já na final do torneio, disputada entre Espanha e Argentina, em 19 de julho, o valor médio caiu para R$ 172.
Informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda mostram ainda que 60% dos apostadores depositam menos de R$ 100, enquanto a maior parcela dos valores movimentados está concentrada nos 10% dos usuários que mais realizam depósitos.
Mercado aponta resultado abaixo das expectativas
Apesar do crescimento registrado durante o Mundial, representantes do setor avaliaram que o desempenho ficou aquém das projeções iniciais.
Entre os fatores apontados está o aumento das discussões envolvendo a publicidade de apostas durante a Copa do Mundo, incluindo iniciativas do governo federal e de estados e municípios relacionadas à divulgação de anúncios do segmento.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, operadores licenciados e a Advocacia-Geral da União (AGU) argumentam que restrições à publicidade podem reduzir a visibilidade das empresas autorizadas — que pagam tributos e a licença de R$ 30 milhões para operar no país — favorecendo, indiretamente, plataformas ilegais de apostas.
Ministério da Fazenda reforça regras
Na avaliação do Ministério da Fazenda, a experiência observada durante a Copa do Mundo evidenciou oportunidades para aprimorar a regulamentação da publicidade das apostas de quota fixa.
Como resultado, a pasta publicou duas portarias destinadas a reforçar as regras para campanhas publicitárias do setor, ampliando as responsabilidades dos agentes envolvidos na divulgação das apostas e estabelecendo novos mecanismos voltados à informação e à proteção do consumidor.
