Para ex-presidente, atividade ‘drena o suor’ do povo e chamou empresários do setor de ‘espertalhões estrangeiros’
O ex-presidente da República José Sarney manifestou publicamente sua posição contrária às apostas online e declarou apoio ao movimento “Block no Tigrinho”, campanha que reúne artistas, influenciadores e personalidades da cultura brasileira em defesa de regras mais rígidas para o setor de apostas.
Em artigo publicado nesta quinta-feira (5) na coluna de Ricardo Noblat, no portal Metrópoles, Sarney afirmou ter uma rejeição histórica aos jogos de azar. O ex-presidente associou o fenômeno das apostas a problemas sociais, endividamento e vício, além de defender uma mobilização da sociedade contra o que classificou como uma “epidemia da jogatina”.
Segundo ele, sua aversão ao tema remonta à infância, quando ouviu de sua avó a história de um parente que teria desenvolvido dependência em jogos de azar.
“Talvez tenha sido influenciado por um caso que ouvi de minha avó, na infância, sobre um parente, gerente de uma das lojas das Casas Pernambucanas. Muito sério e honrado, contraiu o vício do jogo e, depois de perder tudo em apostas, matou-se para não ver sua reputação destruída“, relatou.
‘Minha aversão por jogo de azar é total’
No texto, Sarney afirma nunca ter mantido qualquer relação com apostas ou jogos de azar ao longo da vida.
“Minha aversão por jogo de azar é total. Nem bilhete de loteria oficial me seduz”, disse.
O ex-presidente acrescenta que jamais frequentou cassinos e que sequer participa de jogos recreativos tradicionalmente associados ao entretenimento.
“Nunca entrei num cassino nem ao menos participo da diversão de pife-pafe ou pôquer.”
Ao mesmo tempo, ressalta que não condena quem participa de jogos apenas por diversão.
“Nem por isso atiro pedra em quem o faz para divertir-se sem dinheiro“, destacou.
Críticas às bets
O ex-presidente também direcionou críticas ao crescimento das plataformas de apostas online no Brasil. Segundo Sarney, a atividade gerou uma “revolta”.
“Com esse espírito fui alimentando uma revolta com o que está acontecendo com o Brasil, transformado num grande cassino dominado pelo jogo“, escreveu.
Ainda no artigo, Sarney falou que a atividade “drena o suor” do povo e chamou os empresários do setor de espertalhões estrangeiros”.
“A verdade é que o Brasil está drenando o suor do trabalho e a poupança do seu povo, gerando miséria e destruindo famílias para o benefício de espertalhões estrangeiros“, afirmou.
O ex-presidente também mencionou investigações e levantamentos realizados sobre o setor. Segundo ele, a CPI das Bets no Senado apontou que as apostas retiraram aproximadamente R$ 143 bilhões do comércio brasileiro em um período de dois anos.
Tigrinho
Um dos principais alvos do artigo é o Fortune Tiger, popularmente conhecido como “Tigrinho”, jogo de cassino online que se tornou um dos mais conhecidos entre os brasileiros. Sarney afirma que a modalidade teria se transformado em um problema nacional.
“Recentemente, apareceu o tal do ‘tigrinho’, jogo online que se transformou numa praga nacional“, afirmou.
Na avaliação do ex-presidente, o funcionamento dessas plataformas feito para “enganar” os apostadores.
“No princípio, com o claro objetivo de enganar, as vítimas são atraídas por ganhos fáceis que logo são perdidos“, disse.
“Block no Tigrinho”
Sarney manifestou apoio ao movimento “Block no Tigrinho” lançado recentemente por artistas brasileiros contra as apostas online. A campanha reúne nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, Marieta Severo, Camila Pitanga, Luisa Arraes, Alcione e outros representantes da cultura nacional.
“Quero louvar o Block contra a jogatina, a começar pelo ‘tigrinho'”, disse.
O ex-presidente ainda afirmou que os jogos são “portas de crimes e pecados”.
“Block pode significar também bloco, numa tradução bem brasileira e popular. Mas a sua verdadeira ideia é bloquear, impedir, barrar — e eu acrescento uma pessoal, extinguir. Assim venho me colocar no Bloco de Chico Buarque, do meu colega da Academia Brasileira de Letras, Gilberto Gil, de Caetano Veloso, Luisa Arraes, Djavan, Marieta Severo, Paulinho da Viola, Camila Pitanga, Alcione e de todos os artistas e cidadãos comuns como eu, poeta bissexto, e de padres e frades que abominam os jogos de azar, porta de crimes e pecados.”, acrescentou.
O maranhense ainda faz um apelo pela “extinção doTigrinho”.
“Bendito o jogo de bola, esportivo, de graça, no campo, nada online. Que nos traga a extinção do ‘tigrinho’ e de todas as apostas. E a vitória no campo”, destacou.