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‘Não sou o dono do Brasil’, Lula afirma que fim das bets depende do Congresso e que vai restringir publicidade

  • Última modificação do post:25 de maio de 2026
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Presidente destacou que vai defender o fim da atividade durante a campanha presidencial de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao mercado de apostas esportivas online nesta sexta-feira (22), durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil. O mandatário do Poder Executivo afirmou que, se a decisão dependesse exclusivamente dele, acabaria com as operações de bets no país.

Perguntado porque ele autorizou a operação das casas de apostas em 2023 e não proibiu na época, Lula afirmou que a medida não depende exclusivamente dele e destacou o combate às casas de apostas ilegais.

“Primeiro, nós proibimos quase 90% das bets ilegais nesse país. Por mim, eu proibiria todas, mas não depende de mim, não sou o dono do Brasil. Da mesma forma que eu falo que o Trump não é dono do mundo, Eu não sou o dono do Brasil. Eu sou o presidente da República. Eu faço parte de um tripé de instituições que governam o país junto com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário. Para eu fazer uma lei eu preciso mandar para o Congresso Nacional. Eu tenho 70 deputados em 513, eu só tenho 9 senadores em 81, a capacidade de dialogar é imensa”, disse.

Perguntado se ele tivesse vetado em 2023, a medida teria perdurado, Lula afirmou que o legislativo não permitiria.

“Eles derrubam o veto“, afirmou.

Ele destacou ainda a importância da atividade para diversos setores no país, mas atacou o “Jogo do tigrinho”.

“Você também tem que saber o seguinte. O futebol depende de bets. Você tem que saber qual é a bet séria e qual é a que não séria. Você pode deixar uma ou outra funcionando. Agora, se você não pode deixar, os tigrinhos da vida funcionando”, disse.

Restrição à publicidade

Durante a entrevista, foi feita comparação com restrições historicamente impostas à publicidade de cigarros e bebidas alcoólicas. Ao ser questionado se presente fazer uma restrição nos mesmos moldes aos anúncios das casas de apostas, Lula foi taxativo.

“Pretendo. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de condições. Eu vou dizer: o que ilegal na vida normal, tem ser ilegal em qualquer outro espaço”, pontuou.

Sem novas bets até o fim do ano

Durante a entrevista, Lula também indicou que o governo não pretende avançar, neste momento, com a ampliação de novas operações no setor.

“Nós temos uma secretaria especial para cuidar disso. Nós não vamos criar mais nenhuma até o final do ano, e a gente vai pensar o que vai fazer disso”, declarou.

Campanha

 Lula endureceu o discurso e afirmou que na campanha presidencial defenderá o fim das casas de apostas online.

“Se depender da vontade do presidente da República, e vou dizer isso durante a campanha, eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço e utilidade a esse país”, afirmou.

Influência econômica

Durante a entrevista, Lula demonstrou preocupação com a força financeira das empresas do setor e a capacidade de influência econômica no parlamento do país.

“Tem que ficar muito atento, porque a televisão, é sabido a quantidade de influência que eles têm no Congresso Nacional. É sabido a quantidade de dinheiro que eles sabem como gastar”, disse.

Na mesma linha, o presidente reforçou sua percepção sobre o comportamento compulsivo ligado ao jogo.

“Jogar é uma doença. Eu acho que é uma doença. Você não tem noção do vício”, declarou.

‘Dinheiro fácil’

O presidente também comentou a popularização das apostas entre a população mais vulnerável e afirmou que o apelo financeiro impulsiona parte desse movimento.

“Todo mundo quer ganhar dinheiro fácil”, afirmou.

Segundo Lula, enfrentar esse cenário não depende apenas de medidas restritivas.

“É um processo quase que educacional junto com as proibições. Não é uma coisa fácil de você fazer”, declarou.

“O cassino agora foi para dentro da sala”

Ao falar sobre a transformação digital do setor, Lula chamou atenção para a facilidade de acesso às apostas por meio dos celulares .

“O dado concreto é que o cassino agora foi para dentro da sala. O telefone da vovó que empresta pro neto, o telefone do papai que empresta pro filho, e muitas vezes o filho joga escondido e a pessoa não sabe”, afirmou.

Na sequência, ponderou sobre o desafio regulatório.

“Agora, como é que você faz isso sem violentar as pessoas?”, questionou.

Apesar da manifestação pessoal do presidente, o mercado segue operando dentro da regulamentação federal estabelecida pela Lei nº 14.790/2023, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda.

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