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Virginia teria orientado apostas em Cabo Verde contra a Argentina, aponta MP

  • Última modificação do post:10 de julho de 2026
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Influenciadora publicou vídeo no qual aparentava apostar na seleção africana e dizia estar ‘esperançosa’ de que  goleiro Vozinha iria ‘pegar todas’

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) afirma que a influenciadora Virginia Fonseca teria incentivado seus seguidores a apostar na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina durante a Copa do Mundo de 2026. A conduta é citada em uma ação civil pública apresentada contra a influenciadora e a plataforma de apostas Blaze, na qual o órgão sustenta a existência de uma “estratégia coordenada e sistemática” para atrair novos apostadores ao longo do torneio.

O episódio ocorreu antes da partida disputada na sexta-feira (3), válida pela fase de mata-mata da competição. Segundo o Ministério Público, Virginia publicou um vídeo no qual aparentava apostar na seleção de Cabo Verde e dizia estar “esperançosa” de que o goleiro Vozinha iria “pegar todas”.

A Argentina venceu o confronto por 3 a 2. Para o MPDFT, os consumidores que seguiram a indicação perderam integralmente os valores apostados.

“Como esperado pelo senso médio, a Seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação”, afirma o Ministério Público na ação.

Ausência de identificação publicitária

De acordo com a ação, o vídeo divulgado pela influenciadora não estaria identificado de forma clara como publicidade. O Ministério Público também sustenta que a mensagem utilizou uma linguagem emocional baseada em “esperança”, sem apresentar aos seguidores informações sobre as probabilidades reais do resultado sugerido.

Na avaliação do órgão, a publicação não deve ser analisada como um episódio isolado, mas como parte de uma estratégia mais ampla desenvolvida pela Blaze durante a Copa do Mundo.

“As apurações demonstram que a conduta de Virginia Fonseca não foi episódica. Ela integra um modelo sistemático e estruturado de captação de apostadores orquestrado pela Blaze durante a Copa do Mundo de 2026. A plataforma adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas, explorando a alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo”, afirma o órgão.

Ação pede retirada de conteúdos sobre apostas

Entre os pedidos apresentados em caráter de urgência, o MPDFT solicita que Virginia remova de suas redes sociais conteúdos publicitários relacionados a apostas que prometam lucros irreais, induzam consumidores a erro ou estimulem apostas em equipes, eventos ou condições esportivas específicas.

O órgão também pede a retirada de publicações que utilizem publicidade de apostas inserida em conteúdos pessoais, familiares, de viagens ou semelhantes sem identificação clara e ostensiva de seu caráter comercial.

A ação civil pública é um instrumento utilizado para a defesa de interesses coletivos e pode resultar na responsabilização de pessoas ou empresas por danos materiais ou morais causados à sociedade ou a grupos específicos.

 42 mil reclamações

Segundo o documento, as apurações tiveram início em 2023, período em que, conforme o Ministério Público, a Blaze operava sem autorização federal.

A investigação reúne duas frentes. A primeira é composta por denúncias de consumidores sobre retenção de valores depositados, bloqueio de contas e apresentação de justificativas consideradas genéricas. A segunda se baseia em um relatório técnico que reúne mais de 42 mil reclamações contra a plataforma.

A ação menciona indícios de “práticas abusivas, retenção sistemática de valores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis”.

Para acompanhar as estratégias de comunicação da empresa, servidores do MPDFT se cadastraram na plataforma e passaram a monitorar as publicidades enviadas aos usuários. Segundo o processo, foi identificado o envio recorrente de e-mails promocionais.

‘Consumidores hipervulneráveis’

O Ministério Público afirma que as campanhas teriam como público principal pessoas em situação de hipervulnerabilidade econômica, atraídas pela “promessa ilusória de ‘renda extra’ e pela identificação afetiva com as figuras públicas contratadas”.

O órgão pede que Virginia Fonseca e a Blaze sejam condenadas ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 120 milhões.

O processo ainda será analisado pela Justiça. A apresentação da ação não representa condenação definitiva da influenciadora ou da empresa.

Defesas

Virginia Fonseca

“A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.

Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.

A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda.

A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora.

A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca.

Nota jurídica assinada por: Sanderson Mafra”

Blaze

“A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e Operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país. Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário.”

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