Instituto Brasileiro de Jogo Responsável alerta para o uso indevido de marcas, riscos de fraudes e exposição de dados pessoais
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) identificou 60.477 endereços eletrônicos suspeitos de oferecer apostas sem autorização no Brasil. Os dados das 60 mil bets ilegais foram obtidos por meio do LegitBet, sistema de monitoramento utilizado pela entidade para rastrear plataformas clandestinas na internet. O estudo foi realizado após a publicação de uma medida provisória do governo federal que proibiu a exploração e a publicidade de apostas esportivas no país.
De acordo com o instituto, o número corresponde ao total de endereços identificados pela ferramenta e não significa que todos tenham surgido após a medida do governo. Parte das plataformas monitoradas utiliza múltiplos domínios e links alternativos para manter o acesso dos usuários, inclusive após eventuais bloqueios.
Entre as práticas identificadas estão a oferta de bônus por indicação, a disponibilização de jogos de caça-níqueis virtuais e a utilização do Pix como meio de pagamento. Algumas páginas também exigem informações pessoais dos usuários, incluindo CPF e número de telefone, durante o processo de cadastro.
Uso indevido de marcas
O monitoramento também identificou páginas que reproduzem logotipos e elementos visuais de empresas conhecidas do mercado de apostas. A prática pode induzir o consumidor a acreditar que está acessando uma plataforma autorizada, quando, na realidade, o endereço pertence a um operador sem licença.
“Estamos diante de golpes que exploram a confiança do consumidor em marcas conhecidas. Há sites que imitam a identidade visual de operadoras como Betano, Novibet, Bet365 e BetMGM”, destacou o presidente-executivo do IBJR, Carlos Lima.
Segundo a entidade e relatos apresentados por representantes do setor, esses ambientes digitais podem ser utilizados para a aplicação de golpes financeiros e a coleta indevida de informações pessoais. A ausência de mecanismos de controle equivalentes aos exigidos das empresas regulamentadas amplia os riscos para os apostadores.
“Bets clandestinas continuam anunciando em redes sociais, como o Instagram, e divulgando esses golpes em aplicativos de envio de mensagens, levando o público para páginas que não oferecem as mesmas garantias de segurança das operadoras licenciadas”, ressaltou o presidente do Instituto.
Outro ponto observado no levantamento é a forma de divulgação das plataformas. Links para sites suspeitos circulam em redes sociais, grupos automatizados e canais do Telegram, permitindo que novos endereços sejam compartilhados mesmo após a identificação ou o bloqueio de domínios anteriores.