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Sebrae: 51% dos pequenos negócios não sentiram impacto das bets nos últimos 12 meses

  • Última modificação do post:20 de outubro de 2026
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Cerca de 26% associaram uma redução do faturamento à atividade no mesmo período

Mais da metade dos pequenos empresários entrevistados pelo Sebrae não identificou efeitos diretos das apostas online sobre o faturamento de seus negócios. Segundo levantamento divulgado pela instituição, 51% dos participantes afirmaram não ter percebido impacto das bets nas receitas, enquanto 26% associaram uma redução do faturamento à atividade nos últimos 12 meses.

O resultado contrasta com outro dado da mesma pesquisa: 66% dos entrevistados se declararam favoráveis à proibição das apostas no Brasil. Desse total, 57% manifestaram apoio integral à medida e 8,8% disseram ser parcialmente favoráveis. Outros 23,5% se posicionaram contra, sendo 17% totalmente contrários e 6% parcialmente contrários.

A pesquisa ouviu 1.028 donos de micro e pequenas empresas de diferentes setores e regiões do país. Os resultados mostram que o apoio à proibição é maior do que a parcela de empresários que relatou prejuízos diretamente associados às apostas.

Maioria não percebeu prejuízos diretos

Ao avaliar os efeitos das apostas online sobre o faturamento, 51% dos empresários disseram não ter identificado impacto direto. Outros 23% afirmaram não saber avaliar a dimensão de possíveis perdas, enquanto apenas 0,2% relataram ganhos relacionados ao segmento.

Já os 26% que associaram uma redução nas receitas às bets representam pouco mais de um quarto da amostra.

Também não permite estabelecer uma relação de causa e efeito entre o crescimento das bets e eventuais dificuldades comerciais. Variações de consumo podem estar associadas a diferentes fatores econômicos, incluindo renda disponível, preços e condições de crédito.

Um terço percebeu redução do dinheiro disponível para compras

A pesquisa também investigou mudanças no comportamento dos consumidores. Segundo o Sebrae, 48% dos entrevistados perceberam ao menos uma alteração que associaram às apostas online.

A redução do dinheiro disponível para consumo foi citada por 33% dos empresários. Outros 18% relataram aumento da inadimplência ou atrasos nos pagamentos, enquanto 11,5% observaram maior procura por parcelamentos ou compras fiadas.

A substituição de produtos por alternativas mais baratas foi mencionada por 10%.

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, os dados mostram que parte dos recursos antes destinados ao comércio local passou a ser utilizada em apostas.

“Os dados mostram com clareza que o recurso antes destinado ao consumo de bens, produtos e serviços no comércio local acabou migrando para os jogos online, afetando diretamente o caixa dos pequenos negócios. O apoio da maioria dos empreendedores à proibição traduz a urgência de proteger o orçamento da população e de fortalecer a economia real e local”, afirmou.

Quatro em cada dez empresas com funcionários relataram problemas

O estudo também analisou possíveis consequências das apostas no ambiente de trabalho. Entre os estabelecimentos que possuem empregados, 40% dos empresários afirmaram que suas equipes foram afetadas.

Nos comentários coletados pelo Sebrae, foram mencionados casos de endividamento de funcionários, pedidos de adiantamento salarial, apostas durante o expediente, noites mal dormidas e queda de produtividade. Também foram mencionados relatos de desfalques financeiros.

Décio Lima destacou as consequências sociais que atribui às apostas.

“As bets trouxeram uma lesão profunda na vida de milhões de famílias brasileiras. Agora cabe a nós cuidar das feridas que elas causaram com endividamento, com situações emocionais.”

Apenas 38% esperam aumento das vendas com a proibição

Outro resultado do levantamento diz respeito às expectativas dos empresários após a proibição das apostas online.

Embora 66% apoiem a medida, apenas 38% acreditam que ela provocará aumento do faturamento. A maior parcela, de 42%, espera que as vendas permaneçam no mesmo nível.

Apenas 0,6% dos entrevistados projetam queda nas receitas. A diferença entre o apoio à proibição e a expectativa de crescimento reforça que nem todos os empresários favoráveis à medida esperam benefícios financeiros diretos para seus estabelecimentos.

Ao avaliar os possíveis efeitos da proibição sobre a economia de suas cidades ou regiões, os empresários atribuíram nota média 6 em uma escala de zero a dez. Um total de 24% deu nota máxima ao impacto positivo esperado.

“O efeito das apostas transbordou o faturamento e impactou também a gestão de pessoas, provocando endividamento e queda de produtividade entre os colaboradores. Com a perspectiva de fim das bets, vemos um horizonte claro de recuperação: a expectativa de mais de 38% dos empresários é de retomada imediata nas vendas, injetando novamente esses recursos na atividade produtiva do país”, declarou o presidente do Sebrae.

Pesquisa reúne 1.028 empresários

O levantamento ouviu 1.028 empresários de todo o Brasil, com participação de negócios dos 26 estados e do Distrito Federal. Do total, 56% são microempresas, 22,5% microempreendedores individuais (MEIs) e 21,5% empresas de pequeno porte.

O setor de serviços respondeu por 53% dos participantes, seguido pelo comércio, com 29%, indústria e construção, com 12,5%, e agronegócio, com 3%.

Regionalmente, 55% dos entrevistados estão no Sudeste, 22% no Sul, 14% no Nordeste, 6% no Centro-Oeste e 3% no Norte.

Resultados mostram percepções diferentes

A pesquisa foi divulgada após o início da retirada de sites e aplicativos de apostas do ar, em 6 de outubro, em cumprimento à Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas atividades no país.

Os resultados mostram duas dimensões distintas do debate. De um lado, há apoio majoritário à proibição, acompanhado de preocupações com o orçamento familiar, o endividamento e o comportamento dos consumidores. De outro, a maior parcela dos empresários não identificou impacto direto das bets sobre seu próprio faturamento.

Também chama a atenção que 42% esperem estabilidade nas vendas após a proibição, percentual superior aos 38% que projetam crescimento.

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