Plataforma já apresentou propostas a Flamengo e Corinthians
A Fatal Model, plataforma de anúncios de acompanhantes, pretende ampliar seus investimentos no futebol brasileiro após a proibição das bets. A empresa, que já patrocinou mais de 30 clubes desde 2022, avalia assumir espaços de maior destaque nos uniformes, incluindo o patrocínio máster. A expectativa é aproveitar uma possível redução dos valores cobrados pelos clubes depois da saída das operadoras de apostas.
Em entrevista à EXAME, publicada nesta sexta-feira (23), o diretor de negócios da companhia, Samuel Ongaratto, revelou que a Fatal Model apresentou propostas recentes a Flamengo e Corinthians. O executivo também informou que a empresa trabalha com uma projeção de R$ 200 milhões de faturamento em 2026, impulsionada pela expansão de suas atividades.
A estratégia de expansão ocorre após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. A norma proibiu a exploração e a publicidade de apostas esportivas e jogos online no Brasil. As operadoras tiveram até 5 de outubro para retirar materiais publicitários, e seus sites e aplicativos deveriam ficar indisponíveis a partir do dia 6.
Sumário
Saída das bets pode reduzir preço dos patrocínios
Segundo Ongaratto, a concorrência das casas de apostas contribuiu para elevar o preço dos espaços comerciais nos uniformes, dificultando a participação de empresas de outros segmentos.
“Com as bets pagando imposto e o aumento dos custos operacionais por causa da legalização da nova legislação, as bets diminuíram os apetites de ativos de marketing no mercado”, afirmou o executivo.
A Fatal Model considera que a saída das operadoras poderá ampliar as oportunidades de negociação, especialmente para contratos de maior visibilidade.
“Então a gente viu muita propriedade, principalmente uniforme, baixarem significativamente o valor do ano passado para cá. E com a proibição das bets, a gente entende que esse movimento vai ser ainda maior”, afirma Ongaratto.
A empresa ainda não ocupa o espaço de patrocinadora máster dos clubes com os quais mantém contratos atualmente. No entanto, o diretor de negócios não descarta essa possibilidade.
“A gente acredita que se essa proibição continuar, talvez os valores dos master fiquem mais acessíveis. E aí, talvez no futuro, a gente venha aí a estampar o master de algum time“, disse.
Fatal Model já patrocinou mais de 30 clubes
A entrada da empresa no futebol começou em 2022, com contratos de patrocínio de equipes das séries B e C do Campeonato Brasileiro.
Nos anos seguintes, a marca ampliou sua presença no esporte, chegando à Série A, à Supercopa do Brasil e a amistosos da Seleção Brasileira.
Desde o início dessa estratégia, a Fatal Model afirma ter patrocinado mais de 30 clubes brasileiros.
Atualmente, a companhia mantém contratos com quatro equipes. A marca Fatal Model aparece entre os patrocinadores do Remo, enquanto a Fatal Fans, plataforma de conteúdo por assinatura pertencente à empresa, está presente no calção do Corinthians e nos uniformes de Operário e Vila Nova.
A presença da Fatal Fans no Corinthians não significa que a empresa tenha assumido o patrocínio principal do clube. O espaço máster passou a ser ocupado pela Shopee após a saída da Esportes da Sorte.
Com a proibição das bets, a Fatal Model pretende avaliar novas oportunidades de exposição nos uniformes, mas ainda não anunciou a assinatura de contratos para ocupar o espaço principal de Flamengo ou Corinthians.
Empresa também mira espaço na televisão
A estratégia da Fatal Model vai além dos estádios. A companhia pretende utilizar os patrocínios esportivos para ampliar a exposição de suas marcas em transmissões e programas de televisão.
“Na verdade, o nosso caminho no futebol, ele foi construído para estar presente na TV“, afirmou Ongaratto.
Segundo o executivo, a empresa busca ampliar sua presença em emissoras como Globo e SBT. Atualmente, já desenvolve ações publicitárias com a Band, além de manter parcerias com emissoras de rádio e podcasts. A proposta é utilizar o alcance do futebol para tornar as marcas mais conhecidas entre diferentes públicos.
Faturamento cresceu 37% em 2025
Fundada em 2016, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a Fatal Model foi idealizada por Jean Felipe Garcia Quadro, atual CEO da empresa, que também participou da criação da Melhor Envio, startup de soluções logísticas posteriormente vendida à Locaweb.
A companhia opera uma plataforma digital na qual acompanhantes podem criar perfis gratuitamente para divulgar seus serviços.
O principal modelo de receita está na venda de anúncios destacados. Quem deseja aumentar a visibilidade de seu perfil pode contratar planos pagos dentro do site.
Segundo Ongaratto, aproximadamente 90% do faturamento da Fatal Model vem do impulsionamento de anúncios. A empresa afirma não cobrar comissão pelos atendimentos realizados pelos acompanhantes nem intermediar os pagamentos desses serviços.
Receitas
O crescimento das receitas, segundo a EXAME, foi registrado nos últimos anos. Em 2021, o faturamento era de R$ 14,5 milhões. No ano seguinte, chegou a R$ 37,9 milhões, avançando para R$ 63,8 milhões em 2023 e R$ 99,9 milhões em 2024.
Em 2025, a receita alcançou R$ 136,7 milhões, alta de aproximadamente 37% em relação ao ano anterior.
Nos primeiros nove meses de 2026, a companhia registrou R$ 138 milhões, superando o faturamento de todo o exercício de 2025.
A projeção de R$ 200 milhões para este ano representa crescimento de cerca de 46% sobre o resultado anterior.
De acordo com a empresa, suas operações já ultrapassaram R$ 500 milhões em faturamento acumulado. Apesar da expansão das receitas, a companhia afirma priorizar o reinvestimento dos recursos no negócio, especialmente em tecnologia, contratação de profissionais e publicidade.
“A gente não foca em lucratividade, a gente foca em crescimento“, afirma Ongaratto.
Segundo o diretor, os sócios não realizam distribuição de lucros desde a fundação da empresa.
Plataforma reúne 30 milhões de usuários mensais
A Fatal Model afirma receber aproximadamente 30 milhões de usuários únicos por mês e contar com cerca de 300 funcionários, distribuídos entre diferentes áreas da operação. A estrutura inclui dez equipes dedicadas ao desenvolvimento de tecnologia.
A empresa também informa possuir aproximadamente 80 mil acompanhantes com cadastros ativos e verificados.
Para realizar a verificação, os anunciantes precisam apresentar documentos de identificação, passar por reconhecimento facial e produzir vídeos utilizados para conferir se as imagens publicadas correspondem à pessoa responsável pelo perfil.
Segundo a companhia, esses procedimentos fazem parte das ferramentas desenvolvidas para a identificação dos usuários que anunciam na plataforma.
Os números de audiência, cadastros e funcionários foram informados pela própria empresa à EXAME.
Fatal Fans disputa mercado com OnlyFans e Privacy
Uma das iniciativas mais recentes da companhia é a Fatal Fans, plataforma de venda de conteúdo por assinatura lançada no fim de 2025. O serviço foi criado para disputar espaço com empresas como OnlyFans e Privacy, que também permitem a comercialização de conteúdos digitais produzidos por criadores independentes.
Diferentemente da Fatal Model, cuja principal receita vem da publicidade de anúncios, a Fatal Fans recebe uma comissão sobre as vendas realizadas dentro da plataforma.
A taxa padrão é de 15%, mas pode ser negociada conforme o perfil e o alcance dos produtores. Segundo Ongaratto, alguns contratos trabalham com comissões próximas de 10%.
A empresa utilizou inicialmente sua base de acompanhantes para atrair criadores de conteúdo. Posteriormente, passou a buscar produtores que já atuavam em plataformas concorrentes. De acordo com a companhia, não há exigência geral de exclusividade, permitindo que os criadores mantenham perfis em diferentes serviços.
A Fatal Fans também passou a integrar a estratégia de marketing esportivo do grupo, sendo a marca utilizada nos contratos com Corinthians, Operário e Vila Nova.
