abras supermercados bets apostas consumo

Abras atribui alta de 6,5% nos supermercados ao fim das bets, mas consumo já crescia antes da proibição

  • Última modificação do post:28 de outubro de 2026
  • Tempo de leitura:5 minutos de leitura

Série histórica do indicador Consumo nos Lares Brasileiros, da Abras, mostra que varejo alimentar já registrava expansão durante funcionamento das bets

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) atribuiu à proibição das bets parte do crescimento de 6,5% no consumo dos supermercados brasileiros, registrado entre os dias 5 e 11 de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Entretanto, dados divulgados pela própria entidade mostram que as vendas do setor já apresentavam resultados positivos antes da suspensão das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil.

O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (28) pelo UOL, também aponta crescimento de 6,3% entre os dias 12 e 18 de outubro, reforçando a percepção de aumento das compras nas semanas seguintes à proibição.

A relação entre o encerramento das operações das bets e o desempenho dos supermercados, porém, exige uma análise mais ampla. Isso porque o consumo das famílias já registrava crescimento nos meses anteriores, enquanto as transferências de dinheiro para plataformas de apostas apresentavam redução antes mesmo da medida do governo federal.

Outro dado relevante é o volume de recursos devolvidos aos consumidores após o bloqueio das plataformas. Segundo informações divulgadas em outubro, R$ 1 bilhão foi restituído a 22,5 milhões de apostadores, o equivalente a uma média de R$ 44,44 por pessoa.

Consumo crescia antes da proibição das bets

A série histórica do indicador Consumo nos Lares Brasileiros, da Abras, mostra que o varejo alimentar já registrava expansão durante o período de funcionamento regulamentado das casas de apostas.

Em janeiro de 2026, o crescimento real foi de 1,73% em relação ao mesmo mês de 2025. Em fevereiro, a alta chegou a 1,95%, avançando para 3,20% em março e 3,17% em abril.

O desempenho foi ainda maior em maio, quando o consumo registrou crescimento de 3,93% na comparação anual.

Nos meses seguintes, a tendência positiva continuou. Junho apresentou alta de 1,86%, julho avançou 3,28% e agosto registrou crescimento de 2,69%.

abras consumo bets comparação

Fonte: Abras — Consumo nos Lares Brasileiros. Variações reais em relação aos respectivos meses de 2025.

Os resultados mostram que o consumo cresceu em todos os oito primeiros meses de 2026, mesmo com as plataformas de apostas em funcionamento.

A própria Abras já havia relacionado parte do desempenho do setor a fatores como emprego, renda e comportamento dos preços dos alimentos.

“Emprego, renda e menor pressão recente dos preços dos alimentos têm contribuído para sustentar o crescimento do consumo nos lares brasileiros. Em agosto, o indicador registrou alta de 2,69% ante agosto de 2025”, afirmou a entidade.

Apostadores receberam média de R$ 44,44 após bloqueio

Outro elemento que ajuda a dimensionar a possível relação entre apostas e consumo é o dinheiro devolvido aos usuários das plataformas.

Segundo informações divulgadas pela TV Sim Brasil em 11 de outubro, o governo informou a devolução de R$ 1 bilhão a 22,5 milhões de pessoas que mantinham saldos nas casas de apostas antes do bloqueio. A divisão do montante pelo número de beneficiários resulta em uma média de R$ 44,44 por apostador.

Gasto médio com apostas era de R$ 108 por mês

Dados sobre o comportamento dos apostadores também ajudam a compreender a dimensão econômica do mercado antes da proibição.

Um levantamento divulgado pelo BNLData apontou gasto efetivo médio de R$ 649,60 por apostador no primeiro semestre de 2026, equivalente a aproximadamente R$ 108,27 por mês.

No primeiro semestre de 2025, o valor médio mensal informado era de R$ 103,10. Os números indicam crescimento de aproximadamente 5% no gasto efetivo médio individual entre os dois períodos.

Arroz e óleo já tinham comportamento próprio de preços

A reportagem do UOL destaca alimentos como arroz e óleo entre os produtos associados ao aumento das compras após a suspensão das apostas. Porém, a análise do comportamento desses itens exige considerar também as alterações de preços registradas nos meses anteriores.

Segundo dados do Abrasmercado, indicador que acompanha uma cesta de 35 produtos de consumo frequente, o arroz acumulava queda de 8,85% no preço em 12 meses até agosto de 2026.

O óleo de soja apresentava redução de 0,18% no mesmo intervalo.

Somente em agosto, o arroz havia registrado aumento mensal de 1,34%, enquanto o óleo de soja subiu 0,48%.

Relação precisa ser demonstrada

Os números divulgados pela Abras indicam crescimento das compras nos supermercados após o encerramento das operações das bets. A série histórica da própria entidade, entretanto, confirma que o setor já registrava expansão antes da medida.

Para confirmar essa relação, seria necessário apresentar dados sobre o comportamento dos consumidores antes e depois da proibição, o destino dos saldos devolvidos e a evolução individual das vendas dos produtos apontados como beneficiados.

Também seria importante esclarecer se o levantamento semanal de outubro utiliza a mesma metodologia dos indicadores mensais divulgados pela Abras.

6 Visualizações totais - 6 Visualizações hoje