Especialistas analisaram regulamentação, experiência do consumidor e potencial econômico do mercado físico de apostas
A expansão dos VLTs e dos sports bars no mercado brasileiro esteve em debate durante o quarto painel do I Congresso Nacional de Loterias do Brasil. O encontro reuniu especialistas para discutir experiências internacionais, desafios regulatórios e oportunidades econômicas para o setor.
Participaram do painel Roberto Quatrini, da Novomatic; Kaian Cantu, da Apostou; o advogado Marcelo Correa; Afonso Dias, CEO da Clube do Bet; e Matt Sahakian, iGaming Consultant & Partner Rei da Sorte Loterj.
Durante as discussões, os painelistas analisaram o potencial dos ambientes físicos de apostas para geração de receita, entretenimento e fortalecimento do turismo local. Também foram debatidos temas relacionados à experiência do consumidor, regulamentação e adaptação do modelo ao mercado brasileiro.
Roberto Quatrini afirmou que o mercado brasileiro de VLTs possui grande potencial, mas alertou para os riscos relacionados à falta de alinhamento regulatório e à dificuldade de aplicação prática das regras.
“O mercado de VLT tem um grandíssimo potencial, mas corre o mesmo risco que outros setores estão enfrentando no Brasil”, afirmou.
O executivo também defendeu a adoção de práticas internacionais para acelerar o amadurecimento regulatório brasileiro.
“Não é difícil copiar as melhores práticas internacionais”, destacou.
Segundo Quatrini, a regulamentação precisa encontrar equilíbrio entre exigências técnicas, viabilidade operacional e competitividade do mercado legal.
“Se você faz além disso, você tem o direito de ter um diferencial. O importante é respeitar as exigências atuais e criar um ambiente competitivo”, disse.
Kaian Cantu ressaltou que o desenvolvimento do mercado físico de apostas depende diretamente da capacidade de oferecer produtos atrativos e alinhados ao comportamento do consumidor brasileiro.
“O consumidor busca outra experiência. Não basta apenas colocar o produto no mercado”, afirmou.
Segundo ele, a experiência presencial precisa acompanhar a evolução observada em mercados internacionais.
“É preciso tornar melhores práticas internacionais uma realidade também no Brasil”, destacou.
Afonso Dias afirmou que a experiência do cliente será determinante para o sucesso dos sports bars e das operações físicas de apostas no país.
“O cliente tem que chegar em uma sala e ter uma experiência diferenciada. Isso é o que vai fazer com que ele retorne”, afirmou.
O CEO da Clube do Bet comparou a experiência dos ambientes físicos ao setor de alimentação e entretenimento.
“Você vai a um restaurante não apenas porque a comida é boa, mas porque você se sente bem acolhido”, disse.
Segundo Afonso, o mercado tende a selecionar naturalmente os operadores mais estruturados e preparados.
“Vai permanecer quem entregar um ambiente mais seguro, tecnicamente mais forte e juridicamente mais confiável”, destacou.
Matt Sahakian afirmou que o mercado brasileiro possui características únicas em relação a outros países, principalmente pela autonomia regulatória dos estados.
“O Brasil tem uma singularidade muito diferente de outros mercados. Essa riqueza de oportunidades de regular e propor diferentes sistemas é algo muito específico do país”, afirmou.
O consultor também destacou que a possibilidade de criação de loterias estaduais torna o ambiente brasileiro diferente de modelos centralizados adotados em outros mercados internacionais, como a França.
“Talvez isso pareça natural para o operador brasileiro, mas não é algo comum em muitos países”, concluiu.