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MPF vai apurar possíveis falhas na autoexclusão das bets

  • Última modificação do post:21 de setembro de 2026
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Procedimento aberto em Uberlândia investigará relatos de que usuários continuariam conseguindo acessar plataformas de apostas mesmo após solicitarem o bloqueio

O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais abriu uma apuração para verificar possíveis irregularidades no funcionamento dos mecanismos de autoexclusão das plataformas de apostas. A investigação parte da suspeita de que usuários que solicitaram o bloqueio de seus CPFs ainda estariam conseguindo acessar sites de empresas autorizadas.

A abertura do procedimento foi determinada pelo procurador da República Cléber Eustáquio Neves, integrante da Procuradoria da República em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O próprio MPF confirma Neves entre os procuradores atualmente lotados na unidade.

O objeto da apuração é verificar se o sistema está efetivamente impedindo o acesso às plataformas após a manifestação do usuário.

Como funciona a autoexclusão das bets

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, mantida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, permite que qualquer cidadão solicite voluntariamente o impedimento de acesso a todas as plataformas de apostas autorizadas em âmbito nacional.

Além da modalidade centralizada, existe a autoexclusão específica, solicitada diretamente a um determinado operador. A regulamentação diferencia os dois mecanismos: na modalidade centralizada, o bloqueio alcança simultaneamente todas as empresas autorizadas pela SPA.

Ao aderir ao sistema centralizado, o usuário fica impedido de acessar as plataformas autorizadas e de realizar novos cadastros com o CPF bloqueado. Também deixa de receber publicidade direcionada das empresas de apostas durante o período de autoexclusão.

Depois que a solicitação é identificada, as operadoras têm até 72 horas para efetivar o bloqueio. O mecanismo está integrado ao Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), utilizado pela SPA para a gestão do mercado regulado.

Mais de 1,2 milhão solicitaram bloqueio voluntário

Dados oficiais divulgados pelo Ministério da Fazenda mostram que mais de 1,2 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão centralizada. A principal justificativa apresentada pelos usuários foi “Perda de controle sobre o jogo – saúde mental”, correspondente a 35,93% das solicitações.

Segundo os dados divulgados em agosto, 66,95% dos pedidos foram feitos por prazo indeterminado, enquanto 21,6% solicitaram bloqueio pelo período de um ano.

A autoexclusão integra um conjunto mais amplo de impedimentos. Até agosto, cerca de 5 milhões de brasileiros estavam impedidos de acessar plataformas autorizadas, considerando, além dos pedidos voluntários, beneficiários de programas sociais e pessoas alcançadas por restrições relacionadas à renegociação de dívidas.

Regras foram reforçadas em 2025

A regulamentação do mecanismo foi reforçada pela Portaria SPA/MF nº 2.579/2025 e pela Instrução Normativa SPA/MF nº 31/2025. As normas estabeleceram obrigações relacionadas à autoexclusão centralizada e à integração dos operadores ao Módulo de Impedidos do Sigap.

A IN nº 31 estabeleceu procedimentos técnicos, prazos e diretrizes que devem ser observados pelas empresas autorizadas para impedir o cadastro ou a utilização dos sistemas de apostas por pessoas incluídas na plataforma centralizada.

É justamente a efetividade desse bloqueio que passa a ser objeto da apuração aberta pelo MPF em Minas Gerais.

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