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Fim das bets regulamentadas dificultará novas operações de combate aos ilegais; afirma advogado do M&A da Betnacional

  • Última modificação do post:6 de novembro de 2026
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Operação desta quinta-feira (5) contra lavagem de dinheiro em sites clandestinos partiu de dados financiados pelo mercado regulamentado

A polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (5), a Operação Azzardo, contra um esquema que movimentou cerca de R$ 1 bilhão em bets de forma ilegal. A investigação indica transferências via Pix de apostadores com empresas de fachada de jogos digitais, e cumpre o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões.

A operação mobiliza cerca de 200 policiais civis da PCDF e das polícias civis de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Enquanto no Distrito Federal são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em diferentes regiões, na capital paulista equipes cumprem mandados em regiões como a Avenida Brigadeiro Faria Lima.

Operações deste porte, entretanto, podem ser comprometidas com o fim do mercado regulamentado de bets no Brasil. É o que explica Bernardo Cavalcanti Freire, advogado especializado no setor e sócio do escritório Bessa, Cardia e Freire.

“A operação foi resultante de dados obtidos a partir de parcerias e sistemas de monitoramento financiados pelo mercado regulado, o que mais uma vez demonstra a importância da indústria regulamentada. O que acontecerá agora, com a proibição do setor regulado, é que haverá uma dificuldade muito maior de conseguir esses dados, além de uma ampliação sem precedentes do mercado ilegal”, argumenta.

O banimento do setor, inclusive é visto como combustível para a elevação da demanda pelo mercado ilegal. Segundo o advogado, um mecanismo de monitoramento escolhido pela Polícia Federal encontrou 61 mil sites clandestinos.

“A nossa ponderação é se é possível combater efetivamente o mercado ilegal sem o regulamentado. Porque o mercado clandestino não afasta a demanda. Ela continua existindo. O cidadão continua querendo apostar. Quando elimina-se a alternativa regulamentada, não se elimina o cidadão. Ele vai jogar de algum outro jeito em plataformas clandestinas”, pontua.

“Sem o mercado regulado, todo o consumidor acaba indo para as plataformas clandestinas, onde não há controle. Um menor de idade consegue acessar de forma simples. Há centenas de bets clandestinas à disposição no Instagram, e nelas é até possível utilizar o cartão de crédito, algo que era proibido no mercado legal. Enquanto não houver controle e educação, há essa migração automática”, finaliza.

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