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Lula volta a dizer que ‘quer acabar com as bets’ e critica clubes durante comício em Santa Catarina

  • Última modificação do post:21 de setembro de 2026
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Presidente voltou a defender o fim das apostas online durante ato de campanha em Florianópolis e contestou manifesto de clubes que alerta para os impactos de eventuais restrições sobre o futebol brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a defender o fim das bets no Brasil durante um comício realizado no sábado (19), em Florianópolis, Santa Catarina. No discurso, Lula relacionou as apostas online ao endividamento da população e criticou a manifestação de clubes de futebol contrária a mudanças que inviabilizem o mercado regulado.

O presidente afirmou que vem discutindo o assunto há cerca de dois meses e disse que pretende tratar do tema com o Ministério da Fazenda e o Banco Central antes de uma eventual decisão.

“Faz dois meses que estou discutindo o papel da jogatina eletrônica nas redes digitais. As bets estão levando muita gente ao endividamento e quando a pessoa está endividada por jogo ela mente”, disse Lula. “Tomei uma decisão e, se depender da minha vontade, vou conversar com o pessoal da Fazenda, do Banco Central, mas a verdade é que eu quero acabar com as bets.”

A manifestação ocorreu em meio às discussões dentro do governo sobre possíveis mudanças nas regras aplicadas às apostas online. Até o momento, o formato definitivo de uma eventual medida não foi oficialmente anunciado.

Lula critica clubes

Durante o comício, Lula também se posicionou contra o manifesto “O fim do futebol brasileiro”, divulgado por clubes em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas.

O documento recebeu apoio de equipes da Série A, entre elas Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Botafogo, Fluminense e Vasco, além das federações de futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os signatários argumentam que os recursos das empresas autorizadas se tornaram uma importante fonte de financiamento do esporte e que mudanças abruptas poderiam afetar contratos, investimentos e o planejamento financeiro das equipes.

Lula contestou esse argumento e afirmou que o futebol brasileiro conquistou seus principais resultados esportivos antes da expansão do mercado de apostas.

“São pessoas de muito dinheiro e os times de futebol fizeram uma carta dizendo que se acabar com as bets vai acabar com o futebol. Essa gente está mentindo, porque a seleção brasileira foi campeã sem bet. Desde que começaram as bets não ganhamos Copa do Mundo, então é mentira dizer isso.”

Em outro momento, o presidente voltou a relacionar o financiamento do futebol por empresas de apostas aos gastos realizados pelos próprios torcedores.

“O futebol não pode é querer sobreviver às custas do povo pobre, que já torce pro time, já vai ao estádio, ainda tem que gastar apostando para o time ter dinheiro. Não é correto”, afirmou. A posição expressa por Lula contrasta com a dos clubes, que defendem fiscalização, prevenção e proteção aos apostadores em vez da inviabilização do mercado regulado.

Fim das bets

Lula afirmou ainda que uma eventual iniciativa para restringir as apostas deverá enfrentar resistência de grupos com interesses econômicos no mercado.

“É importante estarmos preparados, porque são gente de muito dinheiro, que financiam muita coisa.”

Ao concluir esse trecho do discurso, o presidente voltou a defender o fim das bets no país.

“Aquele que já vai para o estádio e ainda tem que gastar com apostas? Que virem empresas, faça qualquer coisa. O que não pode é o povo pobre gastar. Estou determinado, se depender da minha vontade vou acabar com as bets nesse País.”

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