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Brasileiros já estavam endividados antes de apostar, defendem especialistas em painel do BiS SiGMA Brasília

  • Última modificação do post:2 de junho de 2026
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Painelistas afirmaram que crédito, juros, educação financeira, renda e consumo precisam ser considerados na discussão sobre inadimplência

O avanço do endividamento dos brasileiros foi debatido sob diferentes perspectivas durante o painel “Para Além das Apostas: Crédito, Consumo e Responsabilidade na Compreensão do Endividamento Brasileiro”, realizado no BiS SiGMA Brasília. O encontro reuniu especialistas do mercado financeiro, representantes da indústria de apostas e economistas para discutir os fatores que influenciam a inadimplência no país.

Participaram do debate Ana Bárbara Teixeira, diretora de Relações Governamentais da ABRAJOGO; Victor Yuki Oda, Head de Produto da Serasa Experian; e Rodrigo Marinho, diretor executivo do Instituto Livre Mercado.

Durante sua apresentação, Victor Yuki Oda destacou que o cenário atual de endividamento resulta de uma combinação de fatores econômicos e sociais, incluindo a expansão do acesso ao crédito, a digitalização dos serviços financeiros e as dificuldades de educação financeira enfrentadas por grande parte da população.

Segundo ele, a bancarização trouxe benefícios importantes para os consumidores, mas também ampliou o acesso a diferentes modalidades de crédito em um ambiente no qual muitos brasileiros ainda encontram dificuldades para organizar suas finanças.

“A junção de bancarização, digitalização e baixo letramento financeiro faz com que a gente se encontre hoje no ápice, no recorde de endividamento do brasileiro”, afirmou.

O executivo citou dados da Serasa que apontam que aproximadamente três quartos da renda das pessoas que recebem até dois salários mínimos já estão comprometidos com contas e dívidas.

“Esse restante que sobra precisa atender entretenimento, reserva de emergência e todas as demais despesas. É muito pouco”, observou.

Apostas são apenas parte da equação

Victor também destacou que os estudos realizados pela Serasa indicam a necessidade de analisar o comportamento dos apostadores dentro de um contexto econômico mais amplo. Segundo ele, embora existam pesquisas que apontem que parte dos apostadores utiliza as apostas como tentativa de complementar renda ou quitar dívidas, a compreensão do fenômeno exige uma análise mais abrangente.

“Existe uma série de informações e históricos que precisam ser levados em consideração para responder essa pergunta. É algo muito sistêmico, não é algo pontual”, afirmou.

O executivo mencionou dados que mostram que parte relevante dos apostadores possui renda limitada, já apresenta dívidas anteriores ou enfrenta dificuldades de inserção estável no mercado de trabalho.

Entre os indicadores apresentados, ele destacou que cerca de 44% dos apostadores entrevistados em pesquisas da Serasa afirmaram já ter apostado com a intenção de quitar dívidas.

Juros elevados e política econômica entram no debate

O diretor executivo do Instituto Livre Mercado, Rodrigo Marinho, defendeu que a discussão sobre endividamento deve considerar fatores macroeconômicos, especialmente a carga tributária, o custo do crédito e o ambiente de juros elevados.

Marinho argumentou que a elevada taxa de juros impacta diretamente o acesso ao crédito e o custo das dívidas para as famílias brasileiras.

“O crédito é usado para pagar o crédito. Então você cria uma bola de neve”, declarou.

O executivo também afirmou que o modelo econômico baseado no consumo financiado contribui para aumentar a vulnerabilidade financeira das famílias, especialmente entre as camadas de menor renda.

“A faixa da população que mais sente a destruição do poder de compra é exatamente aquela que tem menos acesso à educação financeira e menos capacidade de se proteger da inflação”, disse.

Educação financeira 

Ao longo do painel, os participantes convergiram na avaliação de que o endividamento brasileiro não pode ser atribuído a um único fator. Os debatedores defenderam que o tema seja tratado a partir de evidências, dados e análises estruturadas, considerando variáveis como renda, crédito, juros, consumo, educação financeira e comportamento econômico.

A diretora de Relações Governamentais da ABRAJOGO, Ana Bárbara Teixeira, mediou a discussão e destacou a importância de ampliar o debate sobre responsabilidade financeira sem simplificar um problema que envolve múltiplas dimensões econômicas e sociais.

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