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I Congresso Nacional de Loterias do Brasil: Painel de jogo responsável inclui responsabilização de clubes de futebol e papel da mídia na proteção ao apostador

  • Última modificação do post:12 de maio de 2026
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Especialistas defenderam políticas públicas, maior transparência do setor e participação de clubes, mídia e operadores na prevenção ao jogo problemático

A experiência do apostador e as políticas de jogo responsável estiveram no centro das discussões do sexto painel do I Congresso Nacional de Loterias do Brasil. O debate reuniu especialistas para discutir medidas de proteção ao consumidor, prevenção ao jogo problemático, responsabilidade institucional e a necessidade de amadurecimento do mercado regulado brasileiro.

Participaram do encontro Filipe Alves Rodrigues; o psicólogo Rafael Ávila; o advogado Eric Jasper; e Alexandre Vasconcelos, country manager da Flashscore.

O painel abordou desde a estrutura pública de atendimento a pessoas com problemas relacionados ao jogo até a necessidade de maior envolvimento de operadores, mídia, entidades esportivas e reguladores na construção de um ambiente mais seguro para os apostadores.

Rafael Ávila destacou que o Brasil já possui uma política pública estruturada para atendimento de pessoas impactadas pelo jogo problemático, com suporte gratuito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Hoje no Brasil nós temos uma política pública de saúde voltada para proteção, apoio e suporte de pessoas com problemas com jogos”, afirmou.

Segundo ele, a abordagem adotada busca ampliar o conceito para além do diagnóstico clínico de transtorno do jogo.

“A gente opta por utilizar o termo pessoas com problemas com jogos para que a gente não se limite apenas à questão diagnóstica de transtorno do jogo”, explicou.

Rafael também anunciou avanços na construção de instrumentos regulatórios mais objetivos para orientar operadores do mercado.

“A nova portaria estabelecerá requisitos mínimos a serem cumpridos por todas as empresas, com o objetivo de promover maior clareza e padronização”, afirmou.

Segundo ele, a proposta prevê regras mais específicas sobre capacitação de funcionários, monitoramento de riscos, protocolos mínimos de intervenção e acessibilidade às ferramentas de proteção ao apostador.

“Algumas plataformas dificultam o acesso às ferramentas de controle. A nova portaria estabelecerá a obrigatoriedade de disponibilizar essas ferramentas em locais de fácil acesso”, destacou.

O psicólogo também defendeu maior transparência na comunicação sobre dependência em jogos e criticou a resistência de parte do setor em abordar publicamente o tema.

“Quando a gente fala de dependência, a gente está falando de 3% dos jogadores. É uma porcentagem pequena, mas que sofre um grande impacto”, afirmou.

Segundo ele, reconhecer a existência dessas externalidades fortalece, e não enfraquece, a indústria regulada.

“Reconhecer isso é, na verdade, proteger a longevidade do setor, e não o contrário”, disse.

Rafael também defendeu maior participação dos clubes esportivos no processo de conscientização.

“Os atletas são ídolos de crianças e são eles que apresentam o jogo e as apostas. Então eles também têm que fazer essa parte da conscientização”, afirmou.

Alexandre Vasconcelos destacou que o debate sobre jogo responsável precisa ultrapassar as exigências regulatórias e envolver toda a cadeia econômica beneficiada pelo setor.

“Se a gente considera importante essa receita da indústria de apostas, a gente precisa cumprir o nosso papel em fazer isso ser ainda mais sustentável”, afirmou.

Segundo ele, a mídia esportiva, os operadores e as entidades esportivas precisam atuar de forma mais ativa na disseminação de informação e prevenção.

“A gente precisa normalizar esse processo, facilitar essa informação e normalizar os canais de ajuda”, disse.

Alexandre também defendeu maior protagonismo dos clubes de futebol, especialmente diante da dependência financeira crescente das receitas oriundas das apostas esportivas.

“Nada mais justo que as entidades esportivas realmente se envolvam em contar essa história e justificar esse cuidado”, destacou.

Eric Jasper trouxe uma análise sobre perfis de comportamento de risco e comparou dinâmicas presentes no mercado de apostas com outros ambientes especulativos, como o mercado financeiro e de previsões.

“Os problemas não vão ser tão diferentes quando a gente fala de jogo responsável”, afirmou.

Segundo ele, determinados produtos atraem públicos com padrões comportamentais semelhantes aos observados em contextos de compulsão ligados a risco e recompensa.

“O público que está voltado para esse tipo de atividade muitas vezes se aproxima de um comportamento que também exige atenção sob a ótica da proteção ao consumidor”, destacou.

Filipe Alves Rodrigues afirmou que o avanço das políticas de jogo responsável também dependerá da responsabilização mais objetiva dos agentes envolvidos no ecossistema esportivo.

“Os clubes só vão fazer algo quando forem responsabilizados legalmente ou intralegalmente”, afirmou.

Para ele, a construção de um mercado sustentável exige mais do que campanhas institucionais e exige compromissos concretos dos diversos agentes econômicos beneficiados pelo setor.

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