Documento orienta acolhimento, acompanhamento e tratamento de pessoas afetadas por apostas no SUS
O Ministério da Saúde lançou, nesta quinta-feira (15), o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, um documento que orienta o acolhimento, o acompanhamento e o tratamento de pessoas afetadas por apostas no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa integra um conjunto de medidas para enfrentar um problema que, segundo a pasta, é tratado como questão de saúde pública no Brasil.
Segundo informações do órgão, dados apontam que, entre 2018 e 2025, os atendimentos no SUS relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram, o que evidenciaria o avanço do fenômeno e, consequentemente, os impactos na saúde mental, nas relações familiares e na vida financeira das pessoas.
O Guia oferece orientações práticas para as equipes da rede pública, especialmente da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), e, de acordo com o ministério, reforça que o cuidado deve ser feito de forma integrada, desde a Atenção Primária até os Centros de Apoio Psicossociais (CAPS), hospitais e serviços de urgência, conforme a gravidade de cada caso.
A publicação aponta que as apostas, sobretudo no ambiente digital, estão associadas a ansiedade, depressão, endividamento e ruptura de vínculos, e defende abordagens baseadas na escuta qualificada, no cuidado em liberdade e na redução de danos.
Segundo a pasta, o lançamento do Guia faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério da Saúde, que inclui a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, a Plataforma de Autoexclusão Centralizada e a criação do Observatório Saúde Brasil de Apostas, em parceria com o Ministério da Fazenda.
A plataforma de autoexclusão permite que a própria pessoa solicite o bloqueio do acesso a sites de apostas e passe a receber orientação para buscar atendimento no SUS, ampliando a proteção e o acesso ao cuidado. Já o Observatório vai qualificar o uso de dados para identificar comportamentos de risco e apoiar ações de prevenção, regulação e cuidado nos territórios.
O Ministério da Saúde informou também que, com esse conjunto de medidas, reforça o compromisso com a proteção da saúde mental da população, a organização da resposta do SUS e a oferta de cuidado integral, humanizado e acessível em todo o país.