Novo serviço do Hospital de Clínicas acontecerá às quartas-feiras, das 8h às 11h30
O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) passou a oferecer um ambulatório especializado para atendimento de pessoas com dependência de jogos e apostas eletrônicas, incluindo as plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets. O serviço é realizado por meio do Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa) e busca ampliar a assistência a pacientes que apresentam dificuldades relacionadas ao comportamento compulsivo de apostar.
Os atendimentos acontecem às quartas-feiras, das 8h às 11h30, no Ambulatório de Psiquiatria do HC da Unicamp, sem necessidade de agendamento prévio.
Sumário
Crescimento da demanda motivou criação do serviço
De acordo com a coordenadora do Aspa, a psiquiatra Renata Azevedo, a criação do ambulatório específico foi motivada pelo aumento no número de pacientes que procuravam atendimento devido a problemas financeiros e emocionais relacionados às apostas.
Segundo a especialista, inicialmente esses casos eram identificados entre pessoas que já realizavam tratamento para dependência de álcool, tabaco e outras substâncias psicoativas. Com o passar do tempo, a equipe passou a observar um crescimento de pacientes cujo principal diagnóstico estava relacionado exclusivamente ao transtorno do jogo.
Ambulatório atenderá pacientes com ludopatia
O transtorno do jogo, também conhecido como ludopatia, é caracterizado pela perda de controle sobre a frequência e a intensidade das apostas, levando o indivíduo a priorizar a atividade em detrimento de outras áreas da vida.
Segundo a equipe responsável pelo atendimento, é comum que esses pacientes também apresentem outros problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e isolamento social, além de impactos financeiros significativos decorrentes do comportamento compulsivo.
Maior risco entre usuários de plataformas de apostas
Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), citados pela Unicamp, indicam que usuários de plataformas de apostas possuem quatro vezes mais chances de desenvolver problemas relacionados ao jogo quando comparados à população em geral.
O estudo também aponta maior vulnerabilidade entre adolescentes e pessoas de baixa renda, grupo em que o risco é três vezes maior. Entre os homens, a incidência do transtorno aparece em proporção duas vezes superior à observada entre as mulheres.
Tratamento
O novo ambulatório atenderá pacientes maiores de 18 anos por meio de um processo que inclui triagem, avaliação psiquiátrica e participação em grupos terapêuticos. Quando houver indicação clínica, o tratamento poderá incluir medicamentos voltados ao controle do impulso associado às apostas.
De acordo com a equipe do HC da Unicamp, também têm sido observados casos de pessoas que comprometem recursos como salários, verbas rescisórias e outras fontes de renda em apostas, situação que contribuiu para o aumento da procura por atendimento especializado.