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Mercado de bets no Brasil deve alcançar US$ 20 bilhões em 2026, aponta Bradesco BBI

  • Última modificação do post:9 de setembro de 2026
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Banco estima que receita bruta de jogos alcance cerca de US$ 20 bilhões em 2026 e aponta espaço para expansão do setor, mas identifica efeitos das apostas sobre renda disponível e consumo

O mercado brasileiro de apostas online deve manter crescimento de dois dígitos nos próximos anos, mesmo após a forte expansão registrada com a entrada em vigor do ambiente regulado. A projeção faz parte de um estudo do Bradesco BBI sobre o setor de apostas na América Latina.

Para 2026, o banco estima crescimento de 11% da receita bruta de jogos (GGR) no Brasil, levando o mercado para aproximadamente US$ 20 bilhões. Em 2025, o indicador teria alcançado US$ 17 bilhões, avanço de 33% em relação ao período anterior. Antes da regulamentação, a estimativa do BBI para o GGR brasileiro era de aproximadamente US$ 13 bilhões.

O levantamento original encaminhado ao MediaBet Brasil apresenta os mesmos números e relaciona a expansão ao novo ambiente regulatório iniciado em 2025.

Regulação e digitalização sustentam perspectiva de crescimento

Na avaliação do Bradesco BBI, três fatores ajudam a explicar por que o mercado ainda teria espaço para avançar: regulação, elevada adoção de serviços digitais no Brasil e possibilidade de crescimento da base de usuários.

Atualmente, segundo o estudo, cerca de 22% dos adultos brasileiros utilizam plataformas de apostas, índice ainda inferior ao observado em mercados considerados mais maduros.

A leitura do banco, portanto, é de que a desaceleração esperada — de um crescimento de 33% em 2025 para 11% neste ano — não significa necessariamente esgotamento do setor. O BBI projeta uma trajetória mais moderada, porém ainda sustentada, para os próximos anos.

Bets equivalem a ‘3,4% das vendas líquidas do varejo’

Além das perspectivas para o próprio setor, o estudo analisa o peso que as apostas passaram a representar em relação ao consumo dos brasileiros.

De acordo com os cálculos apresentados, o mercado de apostas equivale atualmente a 3,4% das vendas líquidas do varejo brasileiro. Em 2023, essa proporção era de 2,7%. Para 2026, a projeção é de avanço para 3,5%.

A comparação é ainda mais expressiva quando considerado apenas o comércio eletrônico. A receita das apostas online corresponde a 12,3% do mercado de e-commerce, contra 8,3% em 2023.

Os números não significam que 12,3% das compras realizadas pela internet sejam apostas, mas permitem dimensionar o tamanho da receita do setor em relação ao comércio eletrônico brasileiro.

Gasto líquido médio

O Bradesco BBI também estimou o impacto das apostas sobre o orçamento dos usuários.

Entre aqueles que utilizam plataformas online, o gasto líquido médio mensal é de R$ 122, montante equivalente a 7,5% do salário mínimo considerado pelo estudo para 2026.

A análise amplia o cálculo ao incluir outras formas de jogo. Segundo o relatório, jogo do bicho e plataformas online não regulamentadas representam, cada um, 19% do GGR total do País. Quando essas modalidades entram na conta, o comprometimento médio pode chegar ao equivalente a 15% do salário mínimo.

Homens representam 68% dos apostadores

O estudo também traça um perfil dos usuários de plataformas de apostas no Brasil.

Segundo o levantamento, 68% dos apostadores são homens, e quase metade desse grupo tem até 30 anos. O perfil predominantemente jovem e conectado é apontado como um dos elementos que favoreceram a expansão dos canais digitais.

Outro dado mostra diferenças importantes na frequência de utilização das plataformas. Enquanto 48% dos usuários apostam em apenas um site, 25% utilizam quatro ou mais plataformas.

Para o BBI, essa distribuição indica a existência de um grupo menor de usuários mais ativos, responsável por parcela relevante dos gastos realizados no setor.

Varejo

O avanço das bets também passou a aparecer nas análises de empresas diretamente expostas à renda disponível dos consumidores.

De acordo com o material, Lojas Renner, Magazine Luiza, Casas Bahia, Assaí, GPA, Arcos Dorados e SmartFit já mencionaram a redução da renda disponível associada às apostas entre os fatores que influenciaram resultados mais fracos.

Apesar disso, o Bradesco BBI não interpreta atualmente o endividamento associado às apostas como um risco macroeconômico de grande escala.

A avaliação é de que o mercado já alcançou tamanho suficiente para exercer pressão sobre gastos discricionários, especialmente entre consumidores de menor renda, mas ainda não para provocar impacto significativo sobre o consumo agregado brasileiro.

Endividamento das famílias

O próprio estudo, contudo, aponta uma variável que poderá mudar essa avaliação no futuro: o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras.

Segundo os dados apresentados pelo BBI, 82% das famílias possuem algum tipo de dívida, enquanto quase 30% do orçamento familiar está comprometido com pagamentos.

Nesse contexto, uma expansão adicional dos gastos com apostas poderia elevar a vulnerabilidade financeira de determinados grupos de consumidores e aumentar a pressão sobre empresas mais dependentes da renda das classes de menor poder aquisitivo.

Assim, a análise do Bradesco BBI apresenta dois movimentos simultâneos. Do ponto de vista da indústria, o banco identifica espaço para crescimento sustentado de dois dígitos, apoiado pela regulação, digitalização e possibilidade de ampliação da base de apostadores. Do lado do consumo, o aumento da participação das apostas no orçamento cria um ponto de atenção, principalmente diante do endividamento das famílias.

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