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I Congresso Nacional de Loterias do Brasil: mesa redonda debate reputação, regulação e o futuro do setor no país

  • Última modificação do post:12 de maio de 2026
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Encerramento do congresso reuniu especialistas para discutir desafios estruturais, sustentabilidade e próximos passos do mercado regulado brasileiro

Encerrando o I Congresso Nacional de Loterias do Brasil, a mesa redonda sobre o futuro das loterias reuniu representantes dos setores jurídico, institucional e empresarial para discutir os desafios e perspectivas do mercado regulado no Brasil.

Participaram do debate Paulo Horn, presidente da Comissão de Jogos Lotéricos da OAB/RJ; Amilton Noble, CEO da Hebara; Ana Bárbara Costa Teixeira, da ABRAJOGO, a advogada Ana Gatti e Eliane Nunes, da Atucha Strategic Advisory.

Durante a discussão, os painelistas analisaram questões ligadas à reputação do setor, segurança jurídica, comunicação institucional, sustentabilidade regulatória e os caminhos para consolidação do mercado legal no país.

Eliane Nunes afirmou que a regulamentação, por si só, não será suficiente para resolver os desafios reputacionais enfrentados pela indústria.

“Regulamentação não resolve reputação”, afirmou.

Segundo ela, o setor ainda enfrenta forte resistência pública e institucional, cenário que deve persistir mesmo com o avanço do ambiente regulado.

“É uma batalha regulatória, mas ela está apenas começando. Tem muita briga pela frente”, destacou.

Ana Bárbara Costa Teixeira defendeu que o setor precisa reforçar sua vocação como indústria de entretenimento e atuar com visão estratégica de longo prazo.

“A gente tem que aprender a atender o nosso público com entretenimento. Não é promessa de ficar milionário. Isso é entretenimento”, afirmou.

A representante da Abrajogo também destacou a necessidade de enfrentamento responsável das preocupações sociais ligadas ao setor.

“Tem preocupação com menor de idade, com adicção, com lavagem de dinheiro. A gente precisa ter um olhar sério para isso”, disse.

Amilton Noble comparou o atual momento do setor a uma corrida de longa distância e alertou para os riscos de falta de planejamento estratégico.

“A reputação se constrói com muito suor, mas com foco”, afirmou.

Segundo ele, a indústria ainda precisa amadurecer sua visão institucional para enfrentar os desafios do ambiente regulado.

“Se a gente não tiver a visão de que estamos correndo uma maratona, a gente cansa no meio do caminho e não chega lá”, disse.

Ana Gatti destacou que o desafio reputacional enfrentado hoje pelo setor de apostas não é novo e faz parte de um debate histórico sobre jogos no Brasil.

“O problema reputacional no setor de apostas é antigo”, afirmou.

Segundo a advogada, o setor precisa compreender que a construção de credibilidade será gradual.

“Isso vai ser uma questão de construção diária. Não vamos buscar resultado imediato”, disse.

Ana Gatti também destacou as diferenças estruturais entre as modalidades lotéricas tradicionais e as apostas de quota fixa, defendendo equilíbrio regulatório compatível com cada modelo de negócio.

Encontrar esse equilíbrio é o nosso desafio”, afirmou.

Paulo Horn chamou atenção para o ambiente político e regulatório que o setor enfrentará nos próximos meses, especialmente diante do calendário eleitoral.

“Ninguém vai defender nada com risco de perder voto”, afirmou.

Segundo ele, o setor precisa atuar de forma mais organizada na defesa institucional de seus interesses e também enfrentar as causas estruturais associadas às críticas ao mercado.

“A gente tem que fazer uma distinção entre o legal e o ilegal”, destacou.

Horn também defendeu que o debate sobre endividamento associado às apostas precisa considerar fatores econômicos mais amplos.

“Para ele chegar a essa situação, é porque ele já não tem mais alternativa. A gente precisa olhar essa origem”, afirmou.

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