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I Congresso Nacional de Loterias do Brasil: painel debate responsabilidade de influenciadores na publicidade de apostas

  • Última modificação do post:12 de maio de 2026
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Especialistas discutiram fiscalização, limites regulatórios e os desafios da comunicação comercial no mercado regulado

A participação de influenciadores digitais na publicidade de apostas esportivas esteve no centro do debate do nono painel do I Congresso Nacional de Loterias do Brasil. O encontro reuniu especialistas para discutir responsabilidade na comunicação comercial, os desafios impostos pela regulamentação e os impactos da atuação de criadores de conteúdo na imagem do setor.

Participaram do painel a advogada Ana Gatti, a influenciadora Ana Green, a advogada Ana Clara Barros e a moderadora Fernanda Batistela.

Durante a discussão, os participantes analisaram as diferenças entre os modelos de publicidade no mercado lotérico tradicional e nas apostas de quota fixa, além dos desafios relacionados à fiscalização do mercado ilegal e à atuação de influenciadores digitais.

Ana Clara Barros explicou que a própria estrutura regulatória diferencia a lógica de comunicação entre loterias tradicionais e apostas de quota fixa.

“Quando a gente fala de loteria tradicional, estamos falando de modalidades lotéricas operadas via concessão. Quando a gente fala de apostas de quota fixa, estamos falando de autorização. O regime jurídico que rege a interação entre Estado e privado já é diferente”, afirmou.

Segundo ela, enquanto operações lotéricas tradicionais muitas vezes possuem obrigações contratuais específicas relacionadas à divulgação e marketing, no mercado de apostas a publicidade se tornou uma ferramenta de competição comercial.

“Quando a gente fala do sistema de autorização, com muitos participantes disputando o mesmo apostador, o marketing passa a ser uma estratégia de sobrevivência”, destacou.

Ana Green afirmou que influenciadores que buscam atuar dentro das regras acabam sendo impactados negativamente pela atuação de agentes que promovem práticas abusivas ou operam em mercados ilegais.

“Quem quer fazer um trabalho sério dentro da internet acaba tendo muita dificuldade, porque a gente acaba tendo que encarar regras mais apertadas por coisas que a gente não faz”, afirmou.

Ela criticou o chamado marketing ostentativo utilizado por influenciadores que promovem promessas irreais de ganhos financeiros.

“Ainda existem pessoas que fazem marketing ostentativo, com foto em cima de BMW, mostrando bilhete milionário, e a gente sabe que essa não é a realidade”, disse.

Segundo Ana Green, boa parte desse conteúdo ainda está associada a operadores clandestinos.

“A realidade maior é o pessoal divulgando casas clandestinas, e isso acaba prejudicando a imagem de quem faz o trabalho correto”, afirmou.

Fernanda Batistela destacou que operadores regulamentados têm demonstrado preocupação crescente com a conformidade da publicidade e com a orientação dos influenciadores contratados.

“Tenho visto clientes muito preocupados em fazer a publicidade correta, explicando para o influenciador o que pode e o que não pode dizer”, afirmou.

Segundo ela, o problema central permanece na atuação de operadores ilegais e criadores de conteúdo que ignoram os limites regulatórios.

“O mercado ilegal existe. E os influenciadores que se prestam a trabalhar com eles não têm limite”, disse.

Fernanda também apontou que a fiscalização sobre esse tipo de atuação ainda enfrenta desafios relevantes.

“É muito difícil chegar nesses influenciadores, especialmente porque muitas vezes estamos falando de estruturas pulverizadas”, destacou.

Ana Clara Barros reforçou que o foco atual da fiscalização tem migrado para agentes menores da cadeia de divulgação.

“As redes de subafiliados não são os grandes afiliados que estão na mira. São os micro e nano influenciadores, o cara que influencia no bairro dele”, afirmou.

Ana Gatti avaliou que o setor ainda enfrenta um desafio reputacional significativo perante a sociedade e defendeu maior investimento em comunicação institucional.

“Nós, da indústria de jogos e apostas, temos um problema reputacional muito grande”, afirmou.

Segundo ela, o setor concentra investimentos em aquisição e retenção de clientes, mas ainda dedica pouca atenção à construção de imagem institucional.

“Os setores de marketing investem muito em captação e retenção, mas está faltando um olhar para o marketing institucional”, destacou.

A advogada também defendeu maior esforço de comunicação para explicar à sociedade o funcionamento do setor e a destinação dos recursos arrecadados.

“A gente precisa comunicar melhor o que é loteria, para onde vão esses recursos, qual é o legado e qual é a contribuição social”, disse.

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