bet da caixa loterias apostas amilton noble ice 2026

Amilton Noble: ‘A ICE será menos sobre promessas e mais sobre quem conseguiu se adaptar’

  • Última modificação do post:22 de dezembro de 2025
  • Tempo de leitura:7 minutos de leitura

Segundo o executivo, o Brasil chega ao evento mais maduro

Faltando cerca de um mês para a abertura da ICE 2026, em Barcelona, o mercado brasileiro de apostas e jogos chega ao maior evento global do iGaming em um momento decisivo. Após um ano de mercado regulado, o setor deixa para trás a fase de expectativa e passa a operar sob uma lógica mais dura, baseada em eficiência, execução e sobrevivência. A feira acontece entre 19 e 21 de janeiro, no complexo Fira Barcelona Gran Via, e marca oficialmente o início do calendário internacional do iGaming.

Para Amilton Noble, CEO da Hebara, além de um dos principais analistas do setor no Brasil e que participará do evento, esta será uma edição diferente da feira e, sobretudo, um divisor de águas para quem ainda não conseguiu se adaptar ao novo ambiente regulatório.

“Este primeiro ICE após um ano de mercado regulado no Brasil marca uma virada de chave. Saímos da fase de expectativa e entramos na fase de execução”, afirmou.

Segundo o executivo, o Brasil chega à ICE mais maduro, e consciente de toda a cadeia do iGaming.

“O mercado brasileiro chega mais maduro, com operadores entendendo melhor custos regulatórios, compliance, jogo responsável e tributação, e com investidores mais seletivos”, destaca.

Ao mesmo tempo, ele pondera que a regulação, embora necessária, não resolveu todos os problemas estruturais do setor.

“Fica claro que a regulação resolveu parte do problema, mas não todos. A concorrência com o mercado ilegal e o furor arrecadatório do governo ainda pressionam margens”, diz.

Amilton também avalia que a ICE 2026 será menos pautada por discursos otimistas e mais por resultados concretos.

“A ICE será menos sobre promessas e mais sobre quem conseguiu se adaptar. É provável que muitos fiquem pelo caminho no próximo ano e não estejam na ICE em 2027”, disse.

Um novo perfil de investidor

Para Amilton Noble, a mudança mais visível após a regulamentação está no perfil do capital interessado no mercado brasileiro. Segundo ele, o investidor que chega à ICE 2026 não é o mesmo que apostava no país antes do marco regulatório.

“A mudança é clara e estrutural. O capital que veio para o Brasil após a regulamentação mesclou grandes corporações internacionais e grupos locais que já operavam durante o prazo em que a atividade era legal, mas não regulada. E isso gerou uma diversidade que fez o setor crescer com diversas culturas”, afirmou.

Agora, esse modelo perde espaço para um investidor mais institucional e criterioso.

“O investidor pós-regulamentação tende a ser mais diligente, mais institucional e menos disposto a pagar qualquer preço para ter uma licença”, explica.

O CEO alerta que o ambiente de incerteza regulatória tem impacto direto nas decisões de investimento e nos movimentos de consolidação.

“Informações relativas a aumento tributário, criação de CIDE-Bets, cobrança retroativa de tributos e possibilidade de restrição de publicidade estão retardando muitos M&As que já teriam ocorrido se a estabilidade regulatória fosse maior”, explicou.

Ainda assim, ele avalia que o tamanho do mercado brasileiro continua sendo um atrativo relevante.

“A ICE será uma ótima oportunidade para que investidores globais renovem sua crença de que o tamanho do mercado brasileiro é suficiente para assumir os riscos da instabilidade regulatória. O Brasil continua grande e se for estável irá atrair ainda mais capital de fora”, disse.

Crescimento dá lugar à eficiência

Após um ano de regulação, Amilton afirma que o discurso de crescimento acelerado já não se sustenta como eixo central das negociações.

“O discurso de crescimento puro não se sustenta mais. Ele ainda aparece, mas como narrativa secundária”, afirma.

Segundo ele, a conversa agora gira em torno de eficiência operacional, margem líquida e sustentabilidade do negócio.

“A conversa central passa a ser eficiência operacional, margem líquida pós-tributação, custo de compliance, KYC e escala real.”

Nesse cenário, a ICE deixa de ser um palco de projeções e se transforma em um fórum de consolidação.

“Na prática, a ICE deixa de ser um evento de projeções e passa a ser um fórum de consolidação de dados concretos de um mercado gigante, mas complexo”, disse.

O executivo ainda alerta sobre o risco para quem não for eficaz. “Em 2026, quem não conseguir demonstrar eficiência tende a virar alvo de aquisição ou simplesmente sair do mercado. É um ambiente menos glamouroso, porém mais maduro”, destacou.

Brasil chega à ICE para falar, não apenas ouvir

Apesar das incertezas, Noble não vê o Brasil em posição defensiva no evento. Pelo contrário.

“O mercado brasileiro chega mais para falar do que para ouvir”, afirma.

Ele destaca que, mesmo com problemas de canalização e instabilidade regulatória, os números impressionam.

“Os dados reais indicam que o Brasil está oscilando entre o segundo e o terceiro maior mercado do mundo. Nada mal para um mercado que ainda engatinha e, assim como um bebê, está dando os primeiros passos. O horizonte é muito promissor, desde que, tanto governo quanto parlamento, não interfiram no que está dando certo”, afirmou.

O alerta, segundo ele, está no risco de intervenções bruscas.

“Uma coisa é fazer ajustes regulatórios. Outra é dar um cavalo de pau no mercado, jogando milhões de apostadores nos braços do mercado ilegal”, falou.

Jogos físicos

Ao comentar o futuro dos jogos físicos e a tramitação do PL 2234, Noble avalia que a negativa da urgência não encerra o tema.

“A negativa da urgência não enterra o tema. Ela apenas procrastina a definição. O recado é claro: não é pauta marginal, mas ainda exige negociação”, disse.

Para os investidores, o recado é de cautela estratégica.

“Não é momento de apostas agressivas nem de CAPEX pesado baseado em timing político. O investidor sério passa a trabalhar com cenários, opções reais e estruturas flexíveis.A perspectiva é positiva no médio prazo, mas com cronograma incerto. Quem entrar agora precisa aceitar risco político e retorno diluído no tempo. Quem esperar demais pode perder posição. É um jogo de timing fino, não de euforia legislativa”, ressaltou.

Ainda assim, ele vê oportunidades claras fora do âmbito federal.

“Há oportunidades concretas nos estados para operação de produtos lotéricos, especialmente VLTs, como já ocorre no Paraná, Paraíba, Tocantins e Rio de Janeiro.”

“As iniciativas dos estados mais avançados indicam um futuro promissor para esse segmento”, afirmou.

Um mercado mais adulto

Na avaliação de Amilton Noble, a ICE 2026 simboliza a entrada definitiva do mercado brasileiro na maturidade.

“Em síntese, a ICE 2026 tende a ser mais relevante pois agora não terá o foco exclusivo em apostas de quota fixa. As loterias tradicionais ganham força. Menos promessa, mais conta fechada. Menos aventureiros, mais operadores de verdade. Esse é o sinal de um mercado que saiu da adolescência e já tem história regulada para contar”, concluiu.

17 Visualizações totais - 1 Visualizações hoje