Crescimento das estratégias digitais ampliou uso desse canal, mas aumentou também os desafios relacionados à integridade dos sistemas de tracking
Apesar de ser um dos principais canais de aquisição de usuários no setor de apostas, o modelo de afiliados pode gerar distorções relevantes quando não há controle adequado dos mecanismos de atribuição. O crescimento das estratégias digitais ampliou o uso desse canal, considerado essencial para a expansão das operações. Ao mesmo tempo, aumentaram também os desafios relacionados à integridade dos sistemas de tracking utilizados pelas operadoras.
Segundo Diego Cox, COO da Data Royal, empresa que atua no mercado brasileiro oferecendo soluções voltadas à proteção de investimentos em mídia digital, com foco em campanhas de afiliados, retargeting e Google Ads, muitas empresas estão remunerando afiliados por jogadores que não foram, de fato, originados por eles.
“Não se trata de um problema do modelo de afiliados, que continua sendo extremamente eficiente. O que vemos são fraudes na atribuição, em que determinadas práticas fazem com que a origem do jogador seja registrada de forma incorreta”, afirma.
Entre os principais mecanismos identificados estão práticas como cookie dropping, cookie stuffing e manipulação de atribuição, que permitem que afiliados se apropriem indevidamente de usuários que vieram de outros canais, como tráfego orgânico ou campanhas próprias das operadoras.
Na prática, isso significa que um jogador pode acessar uma casa de apostas por meio de um canal direto ou orgânico, mas, no momento da conversão, ser indevidamente atribuído a um afiliado.
“Grande parte das operações não tem visibilidade suficiente para identificar esse tipo de distorção. Os sistemas tradicionais de tracking, em muitos casos, não conseguem detectar essas fraudes com precisão”, explica.
Em análises conduzidas pela Data Royal, foi identificado que até 98% de um repasse específico estava associado a atribuições indevidas, representando cerca de R$ 800 mil em um único pagamento.
“Esse tipo de problema tende a se repetir ao longo do tempo quando não há auditoria especializada, gerando perdas acumuladas que passam despercebidas pelas operações”, afirma.
De acordo com a empresa, esse cenário não é exclusivo do iGaming e já foi observado em outros setores digitais, como e-commerce e serviços financeiros, que passaram por um processo de amadurecimento nos controles de atribuição ao longo dos últimos anos.
“A Data Royal já acompanhou esse movimento em outros mercados. Após auditorias, essas empresas conseguiram eliminar distorções e capturar o valor real dos seus canais de aquisição”, explica.
Apesar dos desafios, o canal de afiliados segue sendo estratégico para o crescimento das operações.
“O afiliado é um dos motores mais eficientes de aquisição no setor. O ponto central não é substituir o modelo, mas garantir que a atribuição seja correta e que os pagamentos reflitam a origem real dos usuários”, diz.
Nesse contexto, a Data Royal atua com soluções de auditoria e monitoramento da atribuição, permitindo identificar fraudes, corrigir distorções e qualificar melhor o tráfego das campanhas.
“A auditoria traz visibilidade sobre o que realmente está acontecendo dentro das campanhas. Com isso, as operadoras conseguem eliminar pagamentos indevidos e direcionar seus investimentos de forma mais eficiente”, afirma.
A empresa oferece um período de 15 dias de teste da ferramenta e, ao final, entrega um relatório detalhado com os principais achados da operação, permitindo que as empresas identifiquem rapidamente falhas e tomem decisões mais assertivas.