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‘As bets reguladas não são o problema. São parte da solução’, por Luciano Casalli

  • Última modificação do post:11 de junho de 2026
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Segundo CFO da Lindau Gaming, mercado regulado de apostas deve ser analisado com base em dados, não em narrativas

Tenho visto diversas publicações atribuindo às apostas esportivas regulamentadas a responsabilidade por problemas estruturais da economia brasileira.

Essa conclusão não encontra respaldo nos fatos.

Primeiro, é importante entender que valor apostado não é sinônimo de perda econômica. Uma parcela significativa dos recursos retorna aos apostadores na forma de premiações. O próprio mercado utiliza o conceito de GGR (Gross Gaming Revenue), que representa a diferença entre os valores apostados e os prêmios pagos, sendo este o indicador real de receita das operadoras.

Segundo, afirmar que os recursos “saem do Brasil” ignora completamente o modelo regulatório implementado pelo Governo Federal.

As empresas autorizadas investiram centenas de milhões de reais para operar legalmente, pagam tributos, recolhem taxas regulatórias, geram empregos, contratam fornecedores nacionais e estão submetidas a um dos ambientes de fiscalização mais rigorosos do país.

As operadoras licenciadas precisam cumprir exigências relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro, combate ao financiamento do terrorismo, identificação de usuários, monitoramento de transações, auditorias independentes, certificação de sistemas e políticas de jogo responsável.

Tudo isso sob supervisão permanente do Estado brasileiro.

O debate que precisamos fazer não é contra as empresas reguladas.

O verdadeiro desafio está no combate aos operadores ilegais, que não recolhem impostos, não protegem consumidores, não seguem regras de compliance e atuam à margem da legislação.

A regulamentação foi criada justamente para trazer controle, transparência, arrecadação e segurança jurídica ao setor.

É legítimo discutir os impactos econômicos do consumo das famílias. O que não é legítimo é transformar uma atividade legal, fiscalizada e regulada em bode expiatório para problemas que há décadas afetam a economia brasileira.

Juros elevados, inflação, endividamento das famílias, baixa produtividade e insegurança econômica não nasceram com as apostas esportivas.

O setor regulado deve ser analisado com base em dados, não em narrativas.

O Brasil precisa combater a ilegalidade, fortalecer a regulação e garantir que os recursos gerados pelo setor permaneçam contribuindo para a economia nacional.

Essa é a discussão que realmente importa.


Luciano Casalli é Diretor Financeiro da OleyBet, marca operada pela Lindau Gaming Brasil S.A., e membro da Comissão de Direito dos Jogos Lotéricos da OAB/RJ.

Com trajetória construída nas áreas de gestão estratégica, crédito, recuperação financeira e administração pública, iniciou sua carreira em uma das maiores empresas de recuperação de crédito do Brasil. Posteriormente, ocupou posições de liderança em multinacional referência na América Latina, atuando na gestão de operações de cobrança judicial e extrajudicial, relacionamento com clientes, planejamento estratégico e desenvolvimento de políticas de crédito e recuperação de ativos.

O executivo também tem MBA Em Finanças, Auditoria e Controladoria, pela Faculdade Líbano.

Atualmente, além de liderar a área financeira da OleyBet, acompanha de perto os debates sobre regulação, governança, compliance e sustentabilidade do mercado regulado de apostas no Brasil, contribuindo para discussões relacionadas à integridade, segurança jurídica e desenvolvimento responsável do setor.

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