Participaram da discussão os executivos Álvaro Garcia Jr., Guilherme Figueiredo e Antonio Guarardi
A experiência da Copa do Mundo de 2026, o amadurecimento das regras de publicidade e os desafios para consolidar a credibilidade do mercado regulado estiveram no centro do painel “As oportunidades (e os desafios) para as bets no mercado brasileiro”, realizado durante a Rio Innovation Week.
Participaram da discussão Álvaro Garcia Jr., CMO da Flutter Brasil, Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Institucionais da Betano, e Antonio Guerardi, CMO da Ana Gaming. Embora tenham abordado temas diferentes, os três convergiram na avaliação de que a regulamentação representa apenas o início da construção de um mercado sustentável e de longo prazo.
Grande parte da conversa foi dedicada aos efeitos da Copa do Mundo, primeiro grande evento esportivo global realizado após a regulamentação federal das apostas. Para Guilherme Figueiredo, o planejamento das operadoras foi elaborado de forma criteriosa, mas o próprio perfil do torneio criou circunstâncias inéditas para a comunicação das marcas.
Segundo ele, todo o planejamento foi desenvolvido de maneira conjunta e estruturada, porém a Copa reúne um volume de partidas muito superior ao calendário habitual e atrai um público que, muitas vezes, não acompanha regularmente o futebol nem está familiarizado com as apostas esportivas. Esse contexto, na avaliação do executivo, contribuiu para a percepção de uma exposição excessiva das marcas.
“Todo o planejamento foi feito com muito rigor, a várias mãos. Só que Copa do Mundo é um bicho à parte, com muitos jogos. É um público que não é do futebol e não está acostumado a conviver com bets. Houve uma sensação de overdose de bets. O contexto ajudou a conversa a ficar maior”, disse.
Álvaro Garcia Jr. explicou que esse cenário levou diversas empresas a revisarem estratégias comerciais ainda durante a competição. Segundo ele, contratos foram reavaliados logo após o início do torneio e algumas campanhas passaram por adaptações, incluindo mudanças nas ações realizadas durante os intervalos das partidas.
O executivo também afirmou que a experiência serviu para repensar o uso do merchandising nas transmissões esportivas. Embora considere esse formato importante para diferentes segmentos da publicidade, destacou que sua natureza espontânea exige cuidados adicionais dentro das regras do mercado regulado.
Na avaliação dele, episódios registrados durante transmissões ao vivo como na Cazé TV evidenciaram a necessidade de aperfeiçoar esse modelo, mas também mostraram que a regulamentação trouxe avanços importantes ao impedir mensagens que associem apostas à promessa de ganhos financeiros.
“Estamos repensando o merchandising. A regulamentação nunca pode falar de ganhos financeiros. Para nós é muito positivo“, explicou.
Evolução natural
Para Guilherme Figueiredo, esse processo de adaptação faz parte da evolução natural de um mercado recém-regulamentado. O diretor lembrou que, antes da regulamentação, campanhas promocionais frequentemente eram centradas em bônus de entrada, prática que deixou de ser permitida após a entrada em vigor das novas normas.
Segundo ele, a comunicação do setor precisa seguir regras claras e continuar amadurecendo, inclusive em relação ao merchandising. Na avaliação do executivo, a repercussão observada durante a Copa acabou sendo maior do que o problema efetivamente representava.
“A mensagem precisa de regras. O merchandising pode ser uma coisa que podemos rever, e isso pode ser uma maturação normal do processo. O barulho foi desproporcional”, destacou.
Combate ao mercado ilegal
Outro tema recorrente foi o combate ao mercado ilegal. Guilherme defendeu que fortalecer as empresas autorizadas também representa uma forma de proteger o consumidor e afirmou que esse esforço deve envolver diferentes setores da sociedade.
“Mesmo as pessoas que são contra devem defender o mercado regulado. O combate ao mercado ilegal deve ser defendido pela imprensa também. É isso que se faz pela defesa da regulamentação“, ressaltou.
Na visão do executivo, a sustentabilidade do setor depende da construção de relações duradouras com os consumidores, razão pela qual educação e jogo responsável passaram a ocupar posição estratégica dentro das empresas.
“Nossa principal meta é a educação e essa educação passa por vários fatores. Passa pelo jogador, pelos políticos, pela imprensa e pelos críticos“, afirmou.
Ele acrescentou que o diálogo precisa alcançar inclusive quem mantém posição crítica em relação às apostas.
“O que incomoda é o crítico que não quer nem ouvir o nosso lado“, disse.
Patrocínios
Ao comentar os investimentos das operadoras, o executivo da Betano ressaltou que o vínculo com o esporte continuará sendo permanente.
“As marcas vão ficar consolidadas, os investimentos sempre vão ficar no esporte. Nós nunca vamos sair do esporte. Nós dependemos do esporte”, afirmou.
Desafios
Antonio Guerardi direcionou sua participação para os desafios internos enfrentados pela indústria. Segundo ele, a velocidade das transformações ocorridas nos últimos dois anos é incomum quando comparada a outros segmentos econômicos, exigindo adaptação constante das empresas.
Na avaliação do executivo, além do cumprimento das exigências regulatórias, cabe aos operadores construírem confiança por meio da qualidade da experiência oferecida aos consumidores.
“Como líderes do mercado regulado temos compromisso de gerar confiança, educação. O que precisamos entregar é uma experiência muito boa“, falou.
Ele observou que essa experiência começa pela própria plataforma utilizada pelo apostador.
“A experiência do cliente é um site, um aplicativo“, afirmou.
Guarardi também ressaltou que o setor combina tecnologia, marketing e criatividade, e afirmou que a regulamentação, embora imponha desafios operacionais, fortalece quem atua dentro das regras.
Expectativa
Já Álvaro Garcia Jr. encerrou o debate projetando o cenário esperado para os próximos anos. Segundo ele, o objetivo da indústria é consolidar a percepção das apostas como uma atividade de entretenimento, dentro de um ambiente regulado e responsável.
“Daqui a seis, sete anos esperamos enxergar as apostas como uma forma de entretenimento. Essa é a visão que queremos ver no mercado”, concluiu.
