Cerca de 30% dos times da Série A iniciaram a temporada sem uma bet como patrocinadora principal no uniforme
A instabilidade recente nos contratos de patrocínio máster entre clubes da Série A do Campeonato Brasileiro e empresas de apostas esportivas (bets) tem levado o mercado a buscar novos caminhos para a sustentação financeira dos times. Nesse contexto, a ICE Barcelona, considerada a maior feira de apostas do mundo e realizada entre os dias 19 e 21 de janeiro, surge como um ambiente estratégico de conexão entre clubes, operadoras e fornecedores de tecnologia do setor de iGaming.
O evento reúne, em um mesmo espaço, casas de apostas já licenciadas no Brasil e empresas internacionais que ainda não operam no país, mas observam o mercado brasileiro como uma oportunidade relevante. A presença desses players amplia o leque de possibilidades para clubes que buscam novos patrocinadores em um momento de transição do mercado.
Nos últimos meses, Internacional, Bahia e Coritiba se juntaram a Grêmio, Santos e Vasco na lista de clubes da elite que perderam seus patrocinadores máster ligados ao setor de apostas. Com isso, cerca de 30% dos times da Série A iniciaram a temporada sem uma bet como patrocinadora principal no uniforme. O cenário contrasta com o observado em 2025, quando apenas duas equipes da Série A não tinham casas de apostas como patrocinadoras máster — Mirassol e Bragantino — embora ambas mantivessem exposição de marcas do setor em outras propriedades, como 7K e Betfast, respectivamente.
Para Fábio Wolff, sócio-diretor da agência Wolff Sports, a ICE Barcelona se consolida como um espaço relevante de relacionamento, mais do que de fechamento imediato de negócios.
“A ICE é a maior feira de apostas do mundo e reúne tanto empresas que já têm licença no Brasil quanto outras que ainda não atuam no país, o que abre, inclusive, a possibilidade de clubes fecharem patrocínios máster com marcas que ainda não estão no mercado brasileiro. Para nós na Wolff Sports, o principal objetivo da participação é o networking: não se trata de fechar negócios imediatos, mas de criar conexões, fortalecer relacionamentos e manter presença, porque quem não é visto não é lembrado”, afirma o executivo, destacando que a empresa participa do evento desde 2020, com exceção do período da pandemia.
A avaliação dialoga com o momento atual enfrentado pelos clubes brasileiros. Profissionais do setor apontam que empresas de outros segmentos dificilmente conseguem alcançar os mesmos níveis de investimento historicamente praticados pelas casas de apostas, enquanto as negociações com novas bets já não indicam os mesmos patamares financeiros observados em ciclos anteriores.
Segundo especialistas, esse movimento está relacionado à revisão de estratégias das empresas de betting após um 2025 marcado por aportes elevados, no primeiro ano do mercado regulamentado no Brasil. Soma-se a isso o impacto do aumento gradual da tributação, que elevará a alíquota de 12% para 15% sobre a Receita Bruta de Jogo (GGR) até 2028.
Para Alex Rose, CEO da InPlaySoft, a participação na ICE Barcelona ocupa papel central no planejamento estratégico da empresa.
“Começar o ano na ICE Barcelona é extremamente importante para o planejamento estratégico que estabelecemos. É um evento que reúne os principais players do mercado, em que podemos nos conectar com futuros clientes e entender as principais tendências para o setor de betting. Ter um estande no evento também é um motivo de orgulho e mostra que estamos no caminho certo de consolidação no mercado brasileiro e internacional”, afirma.
Além de operadores e fornecedores internacionais, a feira também contará com a presença de executivos brasileiros ligados a meios de pagamento, compliance e tecnologia. Ricardo Vidal, CCO da Paag, destaca o evento como um espaço essencial para apresentar soluções alinhadas às exigências do mercado regulado.
“Eventos como esse são fundamentais para apresentar soluções que dialogam diretamente com o mercado regulado. É uma oportunidade para demonstrar como tecnologias e processos, como o KYC, o monitoramento de apostadores, o PLD e o compliance, fortalecem a conformidade regulatória, ampliam a segurança das operações e elevam a credibilidade das empresas que atuam no setor de apostas. Estar presente nesse ambiente permite trocar experiências, entender as demandas dos operadores e acompanhar de perto a evolução do mercado internacional”, afirma.
Enquanto ligas europeias como Espanha, Itália e Inglaterra avançam em restrições à publicidade de apostas, o futebol brasileiro segue como um mercado atrativo para o setor. Entre 2023 e 2025, o valor total destinado aos patrocínios máster da Série A passou de R$ 496 milhões para R$ 1,1 bilhão, representando um crescimento de 125%, segundo levantamento da Jambo Sport Business.
“Estar presente na ICE Barcelona é essencial para acompanhar, de forma direta, as principais inovações, debates regulatórios e movimentos que estão redefinindo o mercado global de apostas“, analisou Anderson Nunes, head de negócios da Casa de Apostas.
“É um ambiente estratégico para ampliar nosso leque de negócios, fortalecer parcerias e garantir que a Casa de Apostas esteja sempre alinhada às melhores práticas e às tendências que vão impactar o setor nos próximos anos”, acrescentou.