Sites de apostas autorizados no Brasil — lista oficial do Ministério da Fazenda bets autorizadas governo federal APOSTADORES BRASILEIROS

Cerca de 40 milhões de brasileiros apostaram em bets nos últimos 12 meses, aponta pesquisa

  • Última modificação do post:5 de novembro de 2025
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Segundo levantamento, 19% dos apostadores brasileiros comprometeram renda com jogos online e 29% tiveram o nome negativado

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revelou que cerca de 40 milhões de brasileiros realizaram pelo menos uma aposta ou jogaram online nos últimos 12 meses. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (5), mostra que o avanço das apostas esportivas e jogos de cassino online no país está diretamente ligado a mudanças de comportamento de consumo e também a riscos financeiros para parte dos usuários.

Perfil e frequência dos apostadores

Segundo o levantamento, os principais motivos para começar a apostar são a curiosidade (35%), o desejo de ganhar dinheiro de forma rápida e fácil (22%) e a busca por adrenalina ou diversão (22%). A frequência também é alta: 24% dos apostadores jogam semanalmente, 18% de duas a três vezes por semana, e 11% fazem apostas todos os dias.

O Pix é o principal meio de pagamento, utilizado em 76% das transações, seguido pelo cartão de crédito (11%). O gasto médio mensal é de R$ 187, chegando a R$ 255 entre as classes A e B.

Impacto financeiro

A pesquisa mostra que 19% dos apostadores admitiram ter gastado valores que comprometeram sua renda, enquanto 41% afirmaram ter renunciado a algum consumo para manter o hábito de apostar. Entre as principais áreas afetadas estão a alimentação fora de casa (15%), internet (12%), supermercado (12%) e passeios em família (10%).

Além disso, 17% deixaram de pagar contas para continuar jogando, e 29% tiveram o nome negativado por dívidas relacionadas a apostas — sendo que 17% ainda estão nessa situação.

Os impactos não são apenas financeiros: 28% dos entrevistados relataram efeitos negativos em suas vidas pessoais, como irritação (8%), endividamento (8%), conflitos familiares (8%) e problemas de saúde mental, incluindo ansiedade e depressão (8%). Para 7%, houve também queda de produtividade no trabalho ou nos estudos.

Busca por ajuda

O estudo aponta que 28% dos apostadores já buscaram ou consideraram conseguir dinheiro para apostar, recorrendo a empréstimos (17%), adiantamento salarial (8%) ou até à venda de bens próprios ou familiares sem consentimento (7%).
Outro dado relevante mostra que 37% tentaram reduzir ou parar de apostar, mas não conseguiram. Apesar disso, apenas 21% buscaram ajuda, principalmente em igrejas, com parentes e amigos, ou com profissionais de saúde.

Percepção pública

A pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre o mercado de apostas. 46% dos entrevistados disseram conhecer alguém próximo que teve problemas com jogos online, incluindo parentes (15%) e colegas de trabalho (12%).
Entre os pais entrevistados, 9% afirmaram que adolescentes entre 12 e 18 anos da família já se envolveram com apostas — gerando mentiras (22%), sintomas de ansiedade e depressão (18%) e perdas financeiras significativas (15%).

A publicidade de apostas também é alvo de críticas: 60% dos entrevistados consideram negativa a promoção de plataformas por celebridades e influenciadores digitais, e 41% já deixaram de seguir esses criadores de conteúdo.

Entre as medidas apontadas pela população para conter o problema estão:

  • Campanhas de conscientização sobre os riscos do vício (44%);

  • Proibição de publicidade com famosos e influenciadores (41%);

  • Proibição de marketing voltado a jovens e adolescentes (35%);

  • Informações educativas nas escolas e redes sociais (30%);

  • Aumento de impostos sobre apostas (27%).

Apesar de 37% dos entrevistados defenderem a proibição total do jogo online, a maioria (56%) prefere que as apostas continuem permitidas, desde que haja regras mais rígidas e fiscalização reforçada.

Regulação 

Em nota, o presidente da CNDL, José César da Costa, afirmou necessidade que a regulação priorize proteção ao consumidor.

“Os resultados da pesquisa acendem um alerta urgente para as consequências do crescimento descontrolado das apostas online no país. O alto índice de endividamento, a substituição de despesas essenciais por gastos com jogos e os sérios impactos na saúde mental mostram que essa ‘diversão’ está se tornando um problema social e econômico. É fundamental que a regulamentação do setor priorize a proteção do consumidor, especialmente de jovens e famílias, e não apenas a arrecadação. Precisamos de políticas públicas que tratem o vício em jogos como uma doença, com ações de conscientização e limites mais rígidos na publicidade e nos métodos de pagamento.”

O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, destacou os riscos da atividade.

“O aumento da inadimplência e a perda de controle financeiro relatados na pesquisa são um reflexo direto de uma atividade que, para muitos, deixou de ser um hobby para se tornar uma armadilha. A permissão de uso de cartão de crédito e a facilidade de acesso a empréstimos para apostar representam um risco ainda maior de aprofundar o endividamento dos brasileiros. É crucial que a sociedade e o governo atuem em conjunto para garantir que o crescimento do setor não comprometa a saúde financeira das famílias.”

Metodologia

A Pesquisa Jogo Online foi realizada entre 13 e 25 de junho de 2025, com 800 respondentes que fizeram compras online nos últimos 12 meses. A amostra inicial envolveu 1.094 entrevistas, com margem de erro de 2,96 pontos percentuais no geral e 3,46 p.p. para quem respondeu integralmente.

O público-alvo inclui homens e mulheres maiores de 18 anos, de todas as classes econômicas. A coleta foi feita de forma quantitativa e online, e os resultados foram pós-ponderados por sexo, idade, estado e renda. Os testes estatísticos tiveram nível de confiança de 95%.

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