BetMGM Brasil, Betano e Betnacional responderam juntas por cerca de 62% de todo o investimento em 2025
O mercado brasileiro de apostas esportivas (bets) encerrou 2025 com um volume expressivo de investimentos em publicidade. Segundo levantamento da plataforma de inteligência de mídia Tunad, as casas de apostas aplicaram mais de R$ 1,44 bilhão em mídia ao longo do ano, considerando anúncios em TV aberta, TV por assinatura e rádio. O dado confirma a consolidação do setor como um dos maiores anunciantes do país e mostra um padrão de investimento estável, previsível e fortemente ligado ao calendário esportivo.
Isso significa que as bets deixaram de investir de forma pontual e passaram a adotar uma estratégia contínua de presença nos meios tradicionais, especialmente durante competições de grande audiência, como os campeonatos de futebol.
Sumário
Crescimento ao longo do ano segue padrão
O estudo da Tunad mostra que o investimento das bets em 2025 seguiu uma curva anual bem definida. Janeiro foi o mês com menor volume, somando R$ 66,7 milhões, funcionando como um patamar inicial do setor. Ao longo dos meses, os aportes cresceram gradualmente até atingirem o pico em junho, quando o investimento chegou a R$ 164,5 milhões.
A diferença entre o menor e o maior valor mensal foi de aproximadamente 146,7%, o que evidencia picos claros, mas sem rupturas bruscas. Esse comportamento acompanha diretamente os momentos de maior relevância do calendário esportivo, reforçando a relação entre grandes eventos e o aumento da exposição publicitária das casas de apostas.
TV aberta domina
A análise do mix de mídia revela que a TV aberta foi o principal destino dos investimentos das bets em 2025, concentrando cerca de 85% de todo o volume aplicado ao longo do ano. A curva de investimento do setor praticamente replica o comportamento da TV aberta, o que demonstra que esse meio é o eixo central da estratégia publicitária.
Segundo Ricardo Monteiro, CSO e COO da Tunad, esse padrão reflete uma estratégia já esperada: investimento forte e constante em mídia tradicional, com baixa sazonalidade, acompanhando os campeonatos esportivos — especialmente o futebol — como forma de sustentar lembrança de marca e competitividade ao longo do ano.
TV paga teve papel complementar, rádio perdeu espaço
Enquanto a TV aberta atuou como base estrutural da estratégia, os demais meios cumpriram funções mais específicas. A TV por assinatura apresentou maior volatilidade ao longo de 2025, com um comportamento atípico em dezembro, quando registrou seu maior pico anual, associado às finais de campeonatos e às campanhas de encerramento da temporada esportiva.
O rádio, por sua vez, teve maior relevância no primeiro semestre, mas perdeu espaço de forma consistente a partir de agosto. O levantamento aponta uma redução de aproximadamente 70% no uso do rádio no segundo semestre, indicando uma mudança clara na priorização dos canais dentro do planejamento das casas de apostas.
Investimentos concentrados em poucas marcas
O estudo também evidencia um alto grau de concentração. BetMGM Brasil, Betano e Betnacional responderam juntas por cerca de 62% de todo o investimento em TV e rádio em 2025. As três marcas se alternaram na liderança ao longo do ano, estabelecendo o ritmo competitivo do setor.
No acumulado anual, a BetMGM liderou os investimentos, seguida por Betano e Betnacional. A análise mensal mostra estratégias distintas entre elas: aceleração mais agressiva da BetMGM a partir de abril, um pico expressivo da Betano em junho e uma atuação mais estável da Betnacional ao longo de todo o ano.
Intermediárias
Abaixo do grupo líder, marcas como Superbet e BandBet disputaram posições intermediárias no ranking anual. Essa competição foi mais intensa entre o segundo e o terceiro trimestres, mas sem alterar o nível de concentração observado no topo, que permaneceu dominado pelas três principais investidoras.
Amadurecimento do mercado de bets
De acordo com a leitura da Tunad, o comportamento observado em 2025 indica um mercado de apostas esportivas mais estruturado e menos dependente de ações pontuais. A previsibilidade da curva anual, a centralidade da TV aberta e a reorganização do mix de mídia mostram um planejamento focado em continuidade, domínio de presença e eficiência competitiva.
A retração do rádio no segundo semestre e o uso mais tático da TV paga reforçam uma abordagem mais racional dos canais disponíveis. Em conjunto, os dados indicam que a publicidade passou a ocupar um papel estratégico permanente para as bets, consolidando um novo estágio de maturidade da comunicação do setor no Brasil.
