Tema tem impacto limitado na decisão de voto
Uma pesquisa realizada pela More in Common/Ipsos-Ipec indica que parte dos eleitores brasileiros atribui ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) maior responsabilidade pelo crescimento das apostas esportivas online no país. Apesar disso, a maioria dos entrevistados afirma que a expansão das bets não pode ser atribuída exclusivamente a um único governo ou considera que nenhuma gestão é responsável pelo cenário atual.
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Segundo o levantamento, 18% dos entrevistados responsabilizam o governo Lula pela expansão das bets, enquanto 4%associam o crescimento do setor ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 33% afirmam que a responsabilidade é compartilhada entre as duas administrações e 35% dizem que nenhuma delas pode ser responsabilizada. Já 10% não responderam.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 4 e 8 de julho, com 2.000 pessoas de 16 anos ou mais, em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Sumário
Percepção se repete entre diferentes grupos de eleitores
Os resultados também foram segmentados de acordo com a intenção de voto para as eleições de 2026.
Entre os eleitores que declaram intenção de votar em Lula, 14% responsabilizam o atual governo pela expansão das bets, enquanto 8% atribuem o cenário ao governo Bolsonaro. Nesse recorte, a margem de erro é de quatro pontos percentuais.
Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 28% apontam o governo Lula como responsável, enquanto 3% atribuem a expansão das apostas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse grupo, 34% afirmam que a responsabilidade é das duas gestões, 28% dizem que não é de nenhuma delas e 7% não souberam responder.
Entre os entrevistados que pretendem votar em outros candidatos, ou que declararam voto branco ou nulo, 15%responsabilizam o governo Lula e 2% apontam o governo Bolsonaro. Nesse segmento, 42% atribuem a responsabilidade às duas administrações, 32% a nenhuma delas e 10% não responderam.
Regulamentação ocorreu no governo Lula
Embora a percepção dos entrevistados recaia mais sobre a atual gestão, a autorização para as apostas esportivas de quota fixa começou antes dos dois governos analisados na pesquisa.
Em julho de 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), foi editada a medida provisória que abriu caminho para a atividade. Em dezembro do mesmo ano, a proposta foi convertida na Lei nº 13.756, que previa a regulamentação do setor em até quatro anos.
O prazo terminou em dezembro de 2022, durante o governo Bolsonaro, sem que a regulamentação fosse concluída. Nesse período, as plataformas operaram legalmente, porém sem regras específicas para o funcionamento.
A regulamentação definitiva ocorreu em dezembro de 2023, já no terceiro mandato de Lula, com a sanção da Lei nº 14.790, que estabeleceu normas para as apostas de quota fixa no país.
Ao comentar os resultados do levantamento, o professor da USP e diretor da More in Common, Pablo Ortellado, afirmou:
“A gente viveu o pior dos mundos, em que as apostas esportivas eram legais, mas não tinham que cumprir regra nenhuma. Diante desse cenário, o governo Lula resolveu regulamentar e pagou um preço, que é ser identificado como mais responsável que Bolsonaro, inclusive entre os seus próprios eleitores”, disse.
Segundo o pesquisador, a percepção dos entrevistados envolve diferentes fatores, como a regulamentação promovida pelo governo Lula, a ausência de regras durante o governo anterior, o avanço da tecnologia, a atuação das empresas do setor e a responsabilidade individual dos apostadores.
Bets têm pouco peso na decisão de voto
O levantamento também avaliou se o posicionamento de candidatos sobre restrições às bets influencia a escolha do eleitor.
Os resultados mostram que 24% afirmam ter maior disposição para votar em candidatos que defendam limitar as apostas esportivas. Em sentido oposto, 12% dizem preferir candidatos que não adotem esse posicionamento, enquanto 7% não responderam.
Para a maioria dos entrevistados (58%), no entanto, a posição dos candidatos sobre as bets não altera a decisão de voto. Segundo a pesquisa, esse percentual permanece estável entre diferentes perfis demográficos, incluindo gênero, idade, escolaridade, renda, raça, religião e intenção de voto.
