Ministro da Saúde defende coordenação global diante de impactos das bets na saúde mental e no endividamento
O governo brasileiro apresentou à Organização Mundial da Saúde (OMS) uma proposta para ampliar a cooperação internacional em torno da regulação das apostas eletrônicas. A iniciativa foi defendida pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra, na Suíça, e coloca o tema das bets no centro do debate global sobre saúde pública.
Segundo o posicionamento do governo, a proposta busca estimular uma articulação entre países para enfrentar os efeitos sociais, econômicos e psicológicos associados ao avanço das plataformas de apostas online.
Durante sua participação no evento, Padilha afirmou que o crescimento desse mercado tem gerado preocupações relacionadas à saúde mental da população e ao comprometimento financeiro de parte dos usuários.
“O tema passou a ocupar uma posição prioritária na agenda do governo do Brasil diante do reconhecimento dos riscos e do sofrimento associado às apostas. Da primeira regulamentação para cá, outras mudanças já foram desenvolvidas, buscando avançar na regulação da publicidade e na restrição do acesso para crianças e adolescentes”, declarou o ministro.
Sumário
Governo destaca medidas
Como parte das medidas já adotadas no Brasil, o governo citou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada em dezembro de 2025 pelos ministérios da Saúde e da Fazenda. O sistema permite que usuários solicitem voluntariamente o bloqueio de acesso às plataformas de apostas autorizadas.
De acordo com dados apresentados pelo Ministério da Saúde, mais de 512 mil brasileiros aderiram à ferramenta nos primeiros seis meses de funcionamento. Ainda segundo as informações oficiais, mais da metade dos usuários relataram sofrimento mental relacionado ao comportamento com apostas.
Outra frente destacada foi a ampliação da rede pública de atendimento para pessoas impactadas pelo jogo problemático. Neste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado especificamente para pessoas com questões associadas às bets.
O programa recebeu investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde e atende pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e redes de apoio.
Paralelamente, o governo informou ter ampliado a assistência presencial por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de atenção primária e serviços de urgência e emergência.
Guia orienta prevenção e tratamento
Entre as iniciativas mencionadas está também o lançamento do Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, documento criado para orientar profissionais de saúde e pacientes sobre prevenção, identificação e tratamento de transtornos relacionados ao jogo.
Ao defender uma abordagem coordenada no âmbito internacional, o ministro citou experiências brasileiras anteriores em políticas públicas de saúde, como o controle do tabaco, como possíveis referências para debates regulatórios envolvendo apostas eletrônicas.
Mercado regulado
O mercado brasileiro de apostas passou a operar sob regras específicas após a aprovação, pelo Congresso Nacional, da regulamentação federal do setor em 2023, marco que estabeleceu critérios para funcionamento das plataformas legalizadas no país.
Desde então, o ambiente regulado passou a incorporar mecanismos de proteção ao usuário, incluindo políticas de jogo responsável, exigências de compliance e ferramentas de monitoramento.
Agenda internacional
Além da pauta relacionada às apostas, Alexandre Padilha participou de reuniões bilaterais com representantes da República Dominicana, Moçambique, Irã, Egito e Portugal.
Durante a agenda, Brasil e República Dominicana firmaram um Memorando de Entendimento voltado à cooperação em saúde pública, com foco em pesquisas, tecnologias e estratégias conjuntas.
O acordo prevê iniciativas nas áreas de redução da mortalidade materna e neonatal, saúde escolar, saúde digital, vacinação contra febre amarela e resposta a emergências sanitárias.