Igaming Mercosul summit

Painel “Diagnóstico e Ação” encerrou Mercosul iGaming Summit com análise do presente e visão de futuro para o setor

  • Última modificação do post:21 de março de 2026
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Painel apontou um retrato da indústria, que apesar de crescente, ainda conta com insegurança jurídica, pressão regulatória e competição desigual com bets ilegais

O painel “Diagnóstico e Ação” encerrou o Mercosul iGaming Summit, com um análise sobre o presente do setor de apostas no Brasil e com foco em soluções concretas para o futuro. Com participação da advogada Bárbara Teles, Sávio Prado, Wesley Cardia, Leonardo Baptista e Amilton Noble, o debate trouxe um retrato da indústria. O crescimento é expressivo, mas cercado por insegurança jurídica, pressão regulatória e competição desigual com o mercado ilegal.

Um setor relevante e ‘ainda’ subestimado

Logo na abertura, Bárbara Teles provocou o debate ao questionar a percepção pública sobre o setor.

“Mesmo quando a gente escuta muita gente criticando o setor, eu acho que já existe um desconhecimento sobre a arrecadação. Qual é o diagnóstico hoje? Quanto arrecadou? É realmente relevante ou não é?”, indagou.

 Leonardo Baptista destacou o tamanho do mercado e, principalmente, o potencial ainda não explorado.

“Nós temos hoje cerca de 28 milhões de jogadores. Quando você olha para o Brasil, cortando menores e outros fatores, como programas assistenciais, o target chega a mais de 100 milhões. Olha o que ainda dá pra crescer”, destacou.

Ele reforçou que o setor ainda está longe da maturidade.

“É um mercado que tem muito para crescer. A gente pode chegar perto de 50 milhões de usuários ativos. Então vamos começar a olhar o copo meio cheio”, ressaltou.

O advogado Sávio Prado destacou um amadurecimento do mercado.

“A gente vê um amadurecimento, sim, desse setor, vê um aprimoramento de todos esses agentes do ecossistema que são muitos, isso é muito positivo para a economia nacional, regional, que são, sei lá, afastados”, disse.

No entanto, Sávio destacou que a postura do governo em arrecadar sobre a atividade.

“A postura do Estado, até então, não é de intervenção, é arrecadatório, é natural. Porque a gente está falando de um mercado mundial de 500 bilhões de dólares, chama a atenção, fala-se em faturamento, nós falamos em resultado, em GGR. A gente teve a Cide-BET, que recebe aqui, resvalou, de novo, em GGR, sempre a ser investida, e além de tributar, tributar não, sobre a Cide-BET e o GGR”, afirmou.

No entanto, o advogado também apontou pontos positivos na condução da Secretaria de Prêmios e Apostas.

“Acho que a perspectiva assim, não é das piores temos um regulador muito competente hoje. Todo mundo concorda com isso, que se sobrevivesse ao regulatório, alguns se incomodassem mais, outros estivessem um pouco menos preparados mas a gente viu que a SPA mostrou muita maturidade, muita densidade nas portarias , como a preocupação com a ludopatia, então acho que viemos no caminho e conseguimos”, afirmou.

Crescimento sob pressão

Apesar do potencial, o ambiente regulatório foi apontado como um dos principais entraves. Leonardo chamou atenção para o aumento da carga tributária e o cenário instável.

“A gente vem sofrendo ataques constantes, principalmente no bolso, com aumento de tributação. E isso impacta diretamente a sustentabilidade do setor”, falou.

Wesley Cardia reforçou o ponto ao destacar que a insegurança jurídica continua sendo um problema estrutural.

“A cada dia surge o risco de uma nova lei, uma nova portaria, um novo projeto. Isso cria um ambiente de incerteza permanente”, disse.

O advogado também lembrou como a falta de mobilização também favorece o mercado ilegal.

“Não existe lobby das bets. Mas existe lobby das bets ilegais — e ele é forte. Quanto pior o cenário para o mercado regulado, melhor para eles”, destacou

Mercado ilegal, o maior desafio do setor

O combate ao mercado ilegal apareceu como consenso entre os participantes. Leonardo Baptista defendeu medidas mais objetivas, incluindo uma inovação regulatória.

“A solução passa pelos meios de pagamento. E eu faço um pedido: tragam o cripto pra dentro do setor. Muito do ilegal está em cripto e se trouxer, a gente consegue rastrear e combater”, destacou.

Já Amilton Noble destacou a diferença entre os dois lados do mercado.

Não existe mercado cinza. Existe mercado legal e mercado ilegal. E quem está do outro lado fez uma escolha”, ressaltou.

Ele também destacou o papel do regulador.

“Esse movimento de identificar quem está do lado certo e quem está do lado errado é essencial para a indústria”, disse.

Consolidação já começou e deve acelerar

Outro ponto central do painel foi a consolidação do mercado. Bárbara comentou as aquisições recentes e o alto custo de operação.

“É insustentável manter essa quantidade de empresas, principalmente pelo custo de compliance e aquisição de clientes”

Wesley confirmou o movimento e projetou um novo momento após a Copa do Mundo 2026.

“As consolidações já começaram e vão se intensificar, principalmente depois da Copa. O mercado não é fácil e isso vai ficar cada vez mais claro”, ressaltou.

Amilton reforçou a pressão financeira sobre as operações para recuperar os investimentos operacionais.

“Uma empresa precisa gerar mais de um milhão de reais por mês de lucro só pra se pagar. É um negócio de alto risco”, explicou.

Um mercado em fase inicial — e em aprendizado

Mesmo com os desafios, houve consenso de que o setor evoluiu. Amilton resumiu o momento da indústria.

“O mercado é um bebê. Estava engatinhando até pouco tempo e agora começou a dar os primeiros passos”, destacou.

Ele também criticou a postura do Estado.

“O governo, que deveria apoiar, muitas vezes penaliza. É como dar um tapa quando o bebê cai”, afirmou.

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