Consultor explica que bets no Brasil ainda tratam governança como custo e não como estratégia
O mercado brasileiro de iGaming entrou em nova fase. São 177 marcas autorizadas administrativamente a operar no país. Com a regulação mais clara, o que antes era urgência virou exigência estratégica. Dessas 177, pelo menos 120 já constam no Consumidor.gov.br. Isso permite comparar padrões de exposição regulatória com base em dados públicos. Nossa análise mostra que apenas 3% das operadoras apresentam sinais consistentes de antecipação regulatória.
A maioria ainda opera no modo reativo, corrigindo problemas depois que surgem. Ajusta práticas sob pressão. Trata governança como custo, não como ativo estratégico. Isso não é exclusivo do Brasil, mas aqui o impacto tende a ser maior. A regulação evolui rápido, e a reputação institucional passou a pesar mais.
Sumário
O que separa quem está à frente
A Quiliconi Consulting desenvolveu uma metodologia própria de análise regulatória com foco em antecipação. Não se trata de suposição. É leitura técnica de sinais que, quando interpretados no tempo certo, evitam exposição. Ao aplicar o modelo ao setor de iGaming, a diferença ficou evidente. Algumas operadoras já incorporaram essa lógica preventiva, enquanto outras seguem apenas reagindo.
As mais preparadas não esperam o problema chegar. Já operam com estruturas de resposta definidas, decisões baseadas em risco e leitura clara dos pontos frágeis. É o caso de GERALBET, ULTRABET e MR. JACK BET, que aparecem entre os primeiros colocados no nosso Regulatory Performance Score. Elas mantêm padrões consistentes de resposta, resolução e estabilidade.
Os sinais estão nos dados
Indicadores como tempo médio de resposta, avaliação dos consumidores, índice de recusas e reincidência temática dizem pouco quando analisados isoladamente. Mas, combinados, mostram com clareza quem age com previsibilidade e quem vive apagando incêndios.
As variações são expressivas. Em alguns casos, o desempenho difere até 4,1 vezes entre operadoras. Isso revela que algumas marcas já operam com lógica preventiva. Outras ainda improvisam. E isso faz diferença na prática.
O tamanho da empresa não explica tudo. Algumas marcas menores já se adaptaram e vêm ganhando espaço. Outras, mesmo com grande presença de mercado, ainda operam com estruturas frágeis.
Geografia regulatória: o fator invisível
Outro aspecto do nosso modelo é o mapeamento territorial de risco. Certas regiões concentram padrões de exposição que nem sempre são visíveis à primeira vista. Identificar esses clusters com antecedência permite agir antes que um problema localizado escale para algo maior.
São Paulo, por exemplo, já registra reclamações de consumidores em 91 cidades nos primeiros meses após a regulamentação. É uma velocidade que surpreende até analistas experientes. Quem mapeia essa expansão antes dos concorrentes ganha previsibilidade e espaço.
As operadoras melhor posicionadas no ranking já dominam essa leitura territorial. Elas não apenas cumprem as regras. Antecipam onde e como essas regras podem evoluir.
O custo de não antecipar
Quem não se antecipa paga em várias frentes. Financeiramente, pelo retrabalho. Institucionalmente, pelo desgaste. Operacionalmente, pela má alocação de recursos. Perde tempo com o que poderia ter sido evitado e ainda fica para trás num setor cada vez mais competitivo.
O papel da governança regulatória mudou. Deixou de ser tarefa de compliance e passou a integrar a estratégia de posicionamento e crescimento.
Novo benchmark regulatório
Hoje, qualquer operadora pode entender, com base em dados públicos, onde está nesse cenário. Não se trata de auditoria nem de exposição. É inteligência regulatória voltada à resiliência e ao posicionamento.
A metodologia de alerta antecipado da Quiliconi já está em uso contínuo. Os dados confirmam que governança preventiva não é exclusividade das grandes. É um caminho concreto para quem busca consistência e liderança.
Os dados revelam um padrão que chamamos de descoberta em cascata. Em apenas poucos meses de regulação, o número mensal de reclamações saltou de 4 para 928. As operadoras que se prepararam mantiveram controle. As que não se anteciparam entraram em modo de sobrevivência.
Estar em conformidade é o ponto de partida. A verdadeira pergunta é: sua operação está preparada para o tipo de pressão que ainda nem começou?
Gabriel Quiliconi é fundador da Quiliconi Consulting, consultoria especializada em inteligência regulatória e estratégia de governança para setores altamente regulados.