Ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva

Ministro da Justiça afirma que 25,2 milhões de brasileiros ainda apostam em bets ilegais

  • Última modificação do post:20 de junho de 2026
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 Estimativa foi apresentada por Wellington César Lima e Silva durante anúncio de novas medidas contra bets ilegais

O ministro da Justiça informou, nesta sexta-feira (19), que cerca de 25,2 milhões de brasileiros realizam apostas em plataformas sem autorização para operar no país. A estimativa foi apresentada por Wellington César Lima e Silva, durante anúncio de novas medidas voltadas ao combate das chamadas bets ilegais.

A declaração ocorreu um dia após a publicação do decreto que regulamenta o bloqueio de recursos financeiros vinculados a operadores irregulares de apostas de quota fixa. A medida permite que valores mantidos por empresas identificadas como ilegais sejam bloqueados e, após o devido processo administrativo e judicial, destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

Ao comentar o tamanho do mercado irregular, o ministro destacou que a atividade ainda possui dimensão significativa dentro do setor de apostas online.

“Estamos falando de que as bets ilegais representam algo entre 41% e 51% das plataformas que operam na legalidade, é um número relevante. Já bloqueamos mais de 40 mil sites. São 25,2 milhões de brasileiros apostando nessas plataformas”, afirmou.

Segundo Wellington César, a atuação do crime organizado é uma das principais preocupações das autoridades em relação ao segmento ilegal.

“Estímulos” para a migração de organizações criminosas para esse mercado existem, segundo o ministro, o que reforçaria a necessidade de atuação mais rígida por parte do Estado contra operadores que funcionam fora das regras estabelecidas pela regulamentação federal.

Concentração da operação de sites ilegais

Durante o anúncio das medidas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também apresentou dados sobre a estrutura utilizada para operar plataformas clandestinas no país.

De acordo com ele, a derrubada de mais de 40 mil sites e aplicativos realizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a pedido da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), revelou uma forte concentração de operadores.

Segundo Durigan, apenas 350 pessoas, utilizando 37 instituições financeiras — principalmente fintechs e instituições de pagamento — estariam por trás da operação dos milhares de endereços eletrônicos bloqueados.

Movimentação bilionária

O endurecimento das ações contra operadores ilegais ocorre paralelamente a investigações conduzidas pelo poder público. Na quinta-feira (18), uma operação denominada Conto da Sorte foi deflagrada para apurar um esquema de movimentação financeira bilionária relacionado a apostas irregulares.

A ação resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo.

A operação foi conduzida pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, com apoio da Receita Federal. Nesta etapa, não houve prisões.

As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, vinculada ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

Investigação teve origem na SPA

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a investigação teve início após análise técnica realizada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. O trabalho foi motivado pela criação da Lotseridó, autarquia instituída pelo município de Bodó, no Rio Grande do Norte.

De acordo com a Receita Federal, antes de encerrar suas atividades em outubro de 2025, a Lotseridó passou a credenciar empresas de apostas de quota fixa de forma considerada irregular.

Ainda segundo o órgão, essas empresas continuariam atuando sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas.

Valor movimentado ainda será apurado

As autoridades informaram que o montante financeiro efetivamente movimentado pelas empresas investigadas ainda está em fase de apuração.

Segundo a Receita Federal, o valor exato dependerá da análise dos materiais recolhidos durante as buscas, das apreensões realizadas e dos dados obtidos por meio das quebras de sigilo autorizadas pela Justiça.

Apesar disso, os investigadores afirmam que os recursos envolvidos alcançam a casa dos bilhões de reais.

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