Projeto do PT foi apresentado pelo deputado Pedro Uczai e outros parlamentares da bancada no Congresso
O Projeto de Lei nº 1.808/2026, apresentado pelo deputado Pedro Uczai e outros parlamentares da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT), que propõe o fim das bets no país, também estabelece punições pesadas para casos de descumprimento das regras. O texto estabelece multas que podem chegar a R$ 2 bilhões para infrações relacionadas à exploração, promoção ou facilitação de apostas de quota fixa no Brasil.
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De acordo com o texto, as sanções administrativas variam entre R$ 50 mil e R$ 2 bilhões, considerando critérios como gravidade da infração, capacidade econômica do infrator, vantagem obtida e extensão do dano social. As penalidades podem ser aplicadas de forma isolada ou cumulativa, incluindo ainda advertência, suspensão de atividades, cassação de licenças e proibição de contratar com o poder público por até 10 anos.
Além disso, o projeto prevê que as punições possam atingir grupos econômicos inteiros, incluindo empresas controladoras, coligadas e subsidiárias, caso seja comprovada atuação coordenada.
Sumário
Responsabilização de influenciadores e cadeia digital
Um dos pontos centrais da proposta é a ampliação da responsabilização para toda a cadeia envolvida no ecossistema das apostas. O texto inclui:
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influenciadores digitais
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plataformas digitais e redes sociais
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mecanismos de busca
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clubes esportivos e entidades esportivas
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instituições financeiras e fintechs
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empresas de tecnologia e publicidade
A proposta proíbe expressamente qualquer forma de promoção comercial, incluindo publicidade, marketing de influência, programas de afiliados, bônus, apostas gratuitas e divulgação de links ou odds.
No campo penal, o projeto tipifica crimes relacionados à atividade, com penas que variam de 2 a 8 anos de reclusão, podendo ser ampliadas em casos que envolvam públicos vulneráveis, uso de influenciadores de grande alcance ou atuação de organizações criminosas.
Proibição total das apostas no país
O PL 1.808/2026 propõe a proibição completa das apostas de quota fixa em território nacional, abrangendo tanto ambientes físicos quanto digitais.
A vedação inclui:
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operação e oferta de plataformas
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desenvolvimento e licenciamento de sistemas
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intermediação e facilitação
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processamento de pagamentos
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publicidade e patrocínio
A medida também se aplica a empresas sediadas no exterior que atuem junto ao público brasileiro.
Caso aprovado, o projeto revoga dispositivos das Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023, que atualmente estruturam o mercado regulado de apostas no Brasil.
Bloqueio de sites e interrupção de pagamentos
O texto determina que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adote medidas para impedir o funcionamento de plataformas de apostas, incluindo:
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bloqueio de domínios, IPs e DNS
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remoção de aplicativos de lojas digitais
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desindexação em mecanismos de busca
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interrupção de hospedagem e monetização
No sistema financeiro, o projeto atribui ao Banco Central do Brasil a responsabilidade de regulamentar mecanismos de bloqueio de transações, enquanto o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deverá monitorar e receber comunicações de operações suspeitas.
Instituições financeiras ficam obrigadas a impedir depósitos, saques, transferências e quaisquer fluxos econômicos relacionados às apostas proibidas.
Obrigações para plataformas digitais
Plataformas com mais de 1 milhão de usuários no Brasil deverão:
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criar canais específicos para denúncias
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remover conteúdos relacionados a apostas ilegais
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suspender perfis e programas de afiliados
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publicar relatórios mensais de transparência
O descumprimento dessas obrigações poderá resultar em responsabilização administrativa, civil e penal.
Na justificativa do projeto, o deputado Pedro Uczai afirma que a proposta busca proteger a população diante dos impactos sociais, econômicos e sanitários associados às apostas.
O texto argumenta que a atividade teria evoluído de entretenimento digital para um mecanismo de “captura da renda popular”, contribuindo para:
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aumento do endividamento das famílias
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pressão sobre o consumo e o varejo
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impactos na saúde mental
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sobrecarga de serviços públicos, como o sistema de saúde
O projeto cita estudos que indicam crescimento da participação das apostas no orçamento das famílias, especialmente entre grupos mais vulneráveis.
Tramitação
O PL 1.808/2026 ainda será analisado pelas comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para eventual votação em plenário
