Apesar da percepção negativa, questionados sobre medidas prioritárias, entrevistados não apontam para proibição
A 167ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com o instituto MDA Pesquisa apontou que embora os entrevistados enxerguem as bets como problema, os dados indicam que a maior parte da população não defende a extinção do setor. O levantamento, divulgado nesta terça-feira (14), apresentou que os entrevistados enxergam na fiscalização e controle da publicidade como opções para melhorar a relação da atividade com a sociedade.
CONFIRA A PESQUISA NA ÍNTEGRA!
De acordo com o levantamento, 71,9% dos entrevistados consideram as apostas online um “grande problema” para a sociedade brasileira. Outros 12,2% classificam como um problema médio e 2,2% como problema pequeno. Apenas 8,7% afirmam que as bets não representam problema.
Apesar da percepção negativa, quando questionados sobre medidas prioritárias, os entrevistados não apontam majoritariamente para a proibição. A opção mais citada é impedir a operação das empresas no Brasil, com 38,4%, seguida por maior fiscalização (22,1%). Medidas como proibir publicidade (9,8%), limitar valores de apostas (9,3%) e restringir o acesso a maiores de 18 anos (8,8%) também aparecem. Apenas 7% defendem manter o cenário atual.
Outro dado relevante mostra que 50,4% dos brasileiros afirmam não ter ninguém próximo que aposte online. Por outro lado, 31,7% dizem conhecer pessoas do convívio próximo que já apostaram, enquanto 12,1% relatam que alguém dentro do próprio domicílio participa das bets. Já 11,3% afirmam apostar diretamente.
A presença das apostas no cotidiano varia entre os diferentes perfis da população. Entre os homens, 15% dizem apostar, contra 8% das mulheres. A faixa etária entre 16 e 34 anos concentra os maiores índices de participação direta e indireta, com destaque para o grupo de 16 a 24 anos, onde 19% afirmam apostar e outros 19% convivem com apostadores dentro de casa.
Entre pessoas com 60 anos ou mais, a rejeição é mais elevada: 69% afirmam não ter qualquer contato com apostas. O mesmo padrão aparece entre indivíduos com menor nível de escolaridade, onde 62% dizem não ter envolvimento com bets.
Nordeste aposta menos
Regionalmente, o Nordeste apresenta o maior índice de distanciamento da atividade, com 61% afirmando não ter contato com apostas, enquanto o Norte/Centro-Oeste registra maior proximidade, com 37% relatando convivência com apostadores.
Ganhos financeiros
A pesquisa também investigou a percepção sobre o comportamento dos usuários. Para 71,9% dos entrevistados, o principal motivador das apostas é a busca por ganho financeiro rápido. Outros 22,8% acreditam que os apostadores tentam recuperar perdas, enquanto 13,1% associam a prática à adrenalina e emoção. Fatores como fuga da rotina (7,8%) e entretenimento (6,9%) aparecem em menor escala.
Os impactos sociais também são evidentes. Segundo o levantamento, 77,3% acreditam que as apostas prejudicam mais do que ajudam na vida das famílias. Apenas 4,1% avaliam que o efeito é positivo.
Entre os principais problemas associados ao setor, o vício aparece em primeiro lugar, citado por 37,6% dos entrevistados. Em seguida estão endividamento (18,8%), impactos na saúde mental (11,6%) e comprometimento da renda (10%). Também são mencionados prejuízos para jovens (7,5%) e conflitos familiares (5,6%).