Leonardo Baptista pay4fun leader of the year

‘Principal responsabilidade das lideranças do setor é ajudar a construir pontes entre reguladores e operadores’, afirma Leonardo Baptista, Leader of The Year no SBC Americas

  • Última modificação do post:1 de julho de 2026
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Para executivo, amadurecimento do setor depende de decisões baseadas em evidências e na cooperação entre todos os envolvidos

Reconhecido como Leader of the Year no SBC Americas 2026, o CEO e co-Founder da Pay4Fun, Leonardo Baptista, destacou que o principal papel das lideranças do setor é participar ativamente da aproximação entre empresas e o poder público. Para o executivo, o mercado brasileiro vive um momento decisivo após a regulamentação das apostas esportivas, exigindo que operadores, fornecedores, reguladores e demais agentes da indústria atuem de forma coordenada para consolidar um ambiente mais seguro, transparente e sustentável.

À frente de uma das principais empresas de pagamentos do segmento de iGaming no país, o executivo avalia que o amadurecimento do setor depende de decisões baseadas em evidências e na cooperação entre todos os envolvidos.

“A principal responsabilidade das lideranças do setor neste momento é ajudar a construir pontes entre reguladores e operadores, entre o setor privado e o poder público, entre inovação e compliance”, afirma. Segundo ele, esse diálogo é fundamental para que a regulamentação continue evoluindo “de forma técnica, baseada em evidências e alinhada às melhores práticas internacionais”.

Nesta entrevista ao MediaBet Brasil, Leonardo Baptista comenta o reconhecimento recebido no SBC Americas, fala sobre a importância do combate aos operadores ilegais, defende maior transparência na divulgação de dados públicos do mercado regulado e analisa o decreto presidencial que fortalece os mecanismos de bloqueio financeiro contra plataformas irregulares.

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MediaBet Brasil –  Você acaba de ser reconhecido como Leader of the Year no SBC Américas. Na sua avaliação, qual é a responsabilidade de uma liderança do setor no atual momento do mercado regulado brasileiro?

Leonardo Baptista – Recebo esse reconhecimento com muita humildade, porque ele representa muito mais o trabalho de uma equipe e de um mercado inteiro do que uma conquista individual.

Acredito que a principal responsabilidade das lideranças do setor neste momento é ajudar a construir pontes entre reguladores e operadores, entre o setor privado e o poder público, entre inovação e compliance.

O Brasil está vivendo um momento histórico. Pela primeira vez, temos um mercado regulado, supervisionado e com regras claras.

Cabe às lideranças contribuir para que a regulamentação evolua de forma técnica, baseada em evidências e alinhada às melhores práticas internacionais, garantindo proteção ao consumidor, segurança financeira e condições sustentáveis para o desenvolvimento do mercado.

MediaBet Brasil – Ao longo dos últimos anos, você se tornou uma das vozes mais ativas na defesa do combate aos operadores ilegais. Qual o principal legado que você pretende deixar para o mercado?

Leonardo Baptista – Se eu pudesse deixar um legado, seria a compreensão de que a concorrência não está entre os operadores regulados.

A verdadeira ameaça para o mercado é a ilegalidade.

Operadores licenciados, provedores, meios de pagamento e reguladores podem ter opiniões diferentes sobre diversos temas, mas todos deveriam estar alinhados em um objetivo comum: impedir que empresas ilegais continuem captando consumidores brasileiros sem cumprir qualquer obrigação regulatória, tributária ou de proteção ao usuário.

Quando o mercado regulado cresce, todos ganham: consumidores, empresas, governo e sociedade. Quando a ilegalidade avança, todos perdem.

MediaBet Brasil – Além do combate à ilegalidade, você também tem cobrado do poder público e defendido maior transparência sobre os dados do mercado regulado. Por que a divulgação de informações públicas é tão importante para o desenvolvimento da indústria?

Leonardo Baptista – Porque mercados maduros são construídos com base em informação. Sem dados públicos, surgem especulações, narrativas equivocadas e conclusões muitas vezes distantes da realidade.

A transparência beneficia todos os envolvidos. Beneficia o governo, que consegue demonstrar os resultados da regulamentação. Beneficia também os operadores, que passam a ter parâmetros mais claros para investir e planejar o crescimento. Beneficia investidores, analistas e a própria sociedade, que passa a compreender melhor o tamanho, a relevância econômica e os mecanismos de controle existentes no setor.

Além de qualificar o debate público, a transparência aumenta a previsibilidade do ambiente regulatório e contribui para decisões mais eficientes de investimento e expansão por parte das empresas.

MediaBet Brasil – Na sua visão, quais indicadores e informações deveriam ser divulgados regularmente pelo governo para aumentar a confiança do mercado, dos investidores e da sociedade?

Leonardo Baptista – Acredito que seria extremamente positivo termos dados periódicos sobre volume transacionado, arrecadação tributária, número de contas ativas, quantidade de operadores autorizados, bloqueios realizados contra operadores ilegais, evolução das ações de fiscalização e indicadores relacionados à proteção do consumidor.

Inclusive, a Pay4Fun tem feito esse trabalho de divulgação de dados públicos regularmente sobre o setor.

Não se trata de expor informações comerciais de empresas específicas, mas de criar uma base estatística sólida que permita acompanhar a evolução do mercado regulado brasileiro de forma objetiva e transparente.

MediaBet Brasil – Como líder de uma empresa de pagamentos referência no mercado brasileiro, como as empresas reguladas podem contribuir para qualificar esse debate e aproximá-lo dos fatos?

Leonardo Baptista – As empresas reguladas possuem algo extremamente valioso: dados, experiência prática e conhecimento operacional.

No caso dos meios de pagamento, existe uma posição particularmente estratégica, porque temos visibilidade sobre fluxos financeiros, mecanismos de controle, prevenção à lavagem de dinheiro e autenticação de usuários. Essa experiência operacional contribui significativamente para a construção de políticas públicas mais eficientes.

Por estarmos no centro da jornada financeira do usuário, conseguimos acompanhar tendências, identificar padrões de risco e contribuir com informações relevantes para o aprimoramento dos mecanismos de supervisão e controle.

O debate sobre apostas muitas vezes é contaminado por percepções emocionais ou informações incompletas. As empresas que operam dentro da regulamentação podem ajudar a elevar a qualidade das discussões apresentando fatos, números, resultados e experiências reais de mercado.

Quanto mais técnico for o debate, melhores tendem a ser as decisões regulatórias.

MediaBet Brasil – O presidente Lula assinou recentemente o decreto que cria mecanismos para bloqueio de contas e recursos ligados a operadores ilegais. Você considera essa uma das medidas mais relevantes já adotadas pelo governo para enfrentar o mercado clandestino?

Leonardo Baptista – Sem dúvida. Considero esta uma das medidas mais relevantes já adotadas pelo governo brasileiro no enfrentamento ao mercado ilegal de apostas.

Durante muito tempo, parte do debate público tratou o setor de apostas como se fosse um bloco único. Na prática, porém, existe uma diferença fundamental entre empresas que investiram para se licenciar, cumprir exigências regulatórias, pagar impostos, implementar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, proteger consumidores e promover o jogo responsável, e aquelas que operam completamente à margem da legislação.

O principal mérito dessa medida é justamente reconhecer essa distinção e direcionar os esforços para quem efetivamente representa risco ao mercado, aos consumidores e ao próprio Estado.

O combate à ilegalidade precisa atingir não apenas os operadores clandestinos, mas também toda a infraestrutura que viabiliza sua atuação, incluindo fluxos financeiros e mecanismos de pagamento utilizados para acessar consumidores brasileiros. Sem essa estrutura de suporte, a operação ilegal perde escala, eficiência e capacidade de permanência.

Na minha visão, o caminho mais eficiente para fortalecer o setor não é impor novas camadas de pressão sobre quem já é regulado e fiscalizado, mas ampliar a capacidade de identificar, bloquear e desestimular a atuação dos agentes ilegais.

A regulamentação foi criada para trazer essa atividade para um ambiente supervisionado, transparente e responsável. E ela só atingirá seu potencial máximo quando operar dentro das regras for a única alternativa economicamente viável para quem deseja atuar no mercado brasileiro.

MediaBet Brasil – Depois do reconhecimento internacional no SBC Américas, qual mensagem você gostaria de deixar para operadores, reguladores e participantes da indústria sobre o futuro do iGaming no Brasil?

Leonardo Baptista – Minha mensagem é de otimismo. O Brasil tem potencial para se tornar um dos mercados regulados mais relevantes do mundo.Temos tecnologia, operadores qualificados, fornecedores globais, reguladores comprometidos e uma enorme capacidade de inovação.

Mas o sucesso de longo prazo dependerá da nossa capacidade de trabalhar juntos. Reguladores, operadores, provedores de tecnologia, meios de pagamento e entidades do setor precisam enxergar que compartilham o mesmo objetivo: construir um mercado seguro, transparente, sustentável e competitivo.

Se conseguirmos manter esse alinhamento, tenho absoluta convicção de que o melhor capítulo da história do iGaming brasileiro ainda está por ser escrito.

O desafio da regulamentação nunca foi impedir o crescimento do setor. Sempre foi criar as condições para que ele cresça de forma sustentável. O Brasil tem hoje a oportunidade de mostrar ao mundo que é possível combinar inovação, integridade, proteção ao consumidor e desenvolvimento econômico em um dos maiores mercados de iGaming do mundo.

Se fizermos isso da forma correta, não seremos apenas um dos maiores mercados do mundo. Seremos uma referência para outros mercados que ainda estão construindo seus próprios modelos regulatórios.

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