polícia SP bets ilegais

Polícia de SP prende três por bets ilegais e bloqueio de R$ 154 milhões

  • Última modificação do post:13 de outubro de 2026
  • Tempo de leitura:4 minutos de leitura

Justiça autorizou bloqueio de recursos e polícia estima cerca de 10 milhões de pessoas prejudicadas

A Polícia Civil de São Paulo prendeu três pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa envolvida na exploração de apostas e jogos ilegais. As prisões ocorreram nesta terça-feira (13), durante a Operação Disque 151, realizada na capital paulista e em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana.

A investigação resultou em uma decisão judicial que autorizou o bloqueio de R$ 154 milhões relacionados ao esquema investigado. Segundo a Polícia Civil, a estrutura clandestina pode ter prejudicado aproximadamente 10 milhões de pessoas.

A operação é resultado de dois anos de investigações e envolve suspeitas de exploração irregular de jogos, movimentação financeira por contas intermediárias e ocultação dos beneficiários finais dos recursos.

Investigação identifica 38,5 milhões de operações financeiras

A análise de informações bancárias permitiu aos investigadores identificar mais de 38,5 milhões de operações financeirasassociadas aos suspeitos. De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 14 milhões em um período de seis meses, por meio de uma estrutura destinada a receber e distribuir valores provenientes das apostas.

Os investigadores procuram esclarecer a origem dos recursos, o funcionamento das plataformas utilizadas e a participação de cada integrante no esquema.

Polícia identifica contas utilizadas para movimentar dinheiro

Um dos principais pontos da investigação foi a identificação de mecanismos financeiros que, segundo a polícia, eram utilizados para dificultar o rastreamento dos valores. Segundo o delegado Fernando David de Melo Gonçalves, da 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas (DIG), a apuração ocorreu sob sigilo durante dois anos.

Nesse período, os investigadores localizaram duas chamadas contas-bolsão, utilizadas, conforme a investigação, para concentrar recursos provenientes das apostas. Posteriormente, o dinheiro seria distribuído entre outras contas bancárias, em sucessivas transferências, até alcançar os beneficiários finais.

Segundo a polícia, essa estrutura dificultava a identificação dos responsáveis pela operação financeira e permitia que pessoas apontadas como sócios ocultos permanecessem afastadas da movimentação direta dos recursos. A investigação busca identificar esses beneficiários e determinar a extensão de sua participação nas atividades investigadas.

Justiça autoriza bloqueio de R$ 154 milhões

Além das três prisões, a Operação Disque 151 obteve autorização judicial para bloquear até R$ 154 milhões vinculados aos investigados. A medida tem caráter patrimonial e busca preservar recursos que possam estar relacionados às atividades sob investigação.

O valor autorizado para bloqueio não deve ser confundido com o montante efetivamente localizado ou indisponibilizado. Até a divulgação das informações, não havia detalhamento sobre quanto desse total já havia sido bloqueado.

Também não foram divulgados os nomes dos três presos ou informações completas sobre as plataformas de apostas supostamente utilizadas pela organização. A operação permanecia em andamento em São Paulo, com a continuidade das diligências policiais.

Operação ocorre após proibição das bets no Brasil

A ação policial acontece em meio às mudanças no mercado brasileiro de apostas após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, no fim de setembro. A norma determinou o encerramento da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no território nacional, abrangendo apostas esportivas e jogos online, tanto em ambientes físicos quanto digitais.

A proibição também alcançou autorizações anteriormente concedidas por estados e pelo Distrito Federal para essas modalidades. O caso envolve suspeitas de exploração clandestina de jogos e possíveis irregularidades financeiras que já estavam sob investigação antes da mudança na legislação.

Polícia apura dimensão do esquema

Com as prisões e a autorização para bloqueio de recursos, a Polícia Civil busca aprofundar a identificação dos envolvidos e reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro movimentado nas operações investigadas. A estimativa de 10 milhões de pessoas potencialmente prejudicadas indica a dimensão atribuída ao esquema pelas autoridades, mas ainda depende de confirmação e individualização dos possíveis danos.

49 Visualizações totais - 12 Visualizações hoje