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Governo prepara ofensiva contra cigarros e bets ilegais para atingir facções criminosas

  • Última modificação do post:1 de junho de 2026
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Novas operações devem focar no combate a fontes de financiamento do crime organizado

O governo federal está finalizando uma nova etapa da estratégia de combate ao crime organizado que terá como foco atividades consideradas fontes relevantes de financiamento para facções criminosas. Entre os alvos estão o mercado ilegal de cigarros e as plataformas de apostas que operam de forma irregular no país.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, as ações estão em fase avançada de preparação e devem envolver a atuação conjunta de órgãos de investigação, Ministério Público e Poder Judiciário. A expectativa é ampliar a pressão financeira sobre organizações criminosas por meio da interrupção de atividades econômicas consideradas estratégicas para esses grupos.

De acordo com uma fonte com conhecimento direto das discussões, ouvida pela agência sob condição de anonimato, a iniciativa dá continuidade à política de enfraquecimento financeiro das facções, estratégia que não deverá sofrer alterações após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

Ainda segundo a fonte, as operações podem ser deflagradas a qualquer momento, embora não haja uma data definida em razão da necessidade de coordenação entre diferentes instituições responsáveis pelas investigações.

Bets ilegais e cigarros

Após concentrar esforços recentes em esquemas relacionados ao setor de combustíveis, o governo passou a direcionar atenção para outras atividades que, segundo as investigações, estariam sendo utilizadas por organizações criminosas para geração e movimentação de recursos.

Entre elas estão o contrabando e a comercialização irregular de cigarros, além de plataformas de apostas que continuam operando fora das regras estabelecidas pela regulamentação brasileira.

A avaliação das autoridades é de que esses mercados podem funcionar como instrumentos para lavagem de dinheiro e movimentação de recursos ilícitos. Segundo a fonte consultada pela Reuters, instituições financeiras de menor porte também aparecem no radar das investigações por supostamente serem utilizadas para viabilizar operações financeiras ligadas a esses esquemas.

Classificação de PCC e CV pelos EUA

O avanço das investigações ocorre poucos dias após o governo dos Estados Unidos anunciar a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas internacionais. A medida entrará em vigor a partir de 5 de junho.

O anúncio ocorreu após uma agenda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Washington, onde se reuniu com autoridades norte-americanas e afirmou ter defendido a classificação das duas facções como organizações terroristas.

Segundo a fonte ouvida pela Reuters, a principal preocupação do governo brasileiro diante da decisão norte-americana está relacionada ao setor financeiro, especialmente às instituições que possam ser alvo de sanções ou restrições decorrentes da nova classificação.

Instituições financeiras

Ainda de acordo com a reportagem, bancos de grande porte já possuem mecanismos robustos de governança e prevenção a ilícitos financeiros. Mesmo assim, o governo mantém diálogo com o setor para acompanhar eventuais riscos decorrentes das novas medidas adotadas pelos Estados Unidos.

A avaliação é que instituições financeiras menores podem estar mais expostas a vulnerabilidades, especialmente em operações relacionadas à lavagem de dinheiro.

Como consequência, algumas empresas do setor financeiro já estariam revisando políticas internas e realizando análises jurídicas para avaliar possíveis impactos regulatórios e operacionais.

Negociações comerciais com os EUA

A fonte também informou que o governo segue acompanhando as negociações tarifárias em andamento com os Estados Unidos.

Segundo a avaliação apresentada, autoridades norte-americanas defendem uma redução mais ampla das tarifas de importação praticadas pelo Brasil. O governo brasileiro, no entanto, resiste à ideia por entender que uma redução generalizada beneficiaria não apenas os Estados Unidos, mas também outros países exportadores, incluindo a China.

A estratégia brasileira seria concentrar eventuais negociações em setores específicos, evitando mudanças amplas na política tarifária nacional.

Medidas diplomáticas

Diante da possibilidade de utilização de instrumentos econômicos e sanções relacionadas ao combate ao crime organizado como ferramenta de pressão política, o governo também avalia mecanismos de proteção à economia brasileira.

Entre as alternativas em análise estão medidas diplomáticas e eventuais contestações em organismos internacionais, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC), caso sejam consideradas necessárias.

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