operação falsa Las Vegas carros de polícia

Operação ‘Falsa Las Vegas’ mira esquema bilionário de bets ilegais ligado ao PCC

  • Última modificação do post:28 de maio de 2026
  • Tempo de leitura:4 minutos de leitura

Justiça bloqueia R$ 5,2 bilhões em bens e determina prisões durante nova fase da investigação em São Paulo

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, na manhã desta terça-feira, a Operação “Falsa Las Vegas”, que investiga um suposto esquema de exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro com possível ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,2 bilhões em bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas, além do sequestro de 76 imóveis. Também foram expedidos 22 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva.

Segundo os investigadores, a operação é um desdobramento da ação denominada “Falso Mercúrio”, investigação anterior que já havia resultado no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 6 bilhões em contas vinculadas a 20 pessoas físicas e 37 empresas.

De acordo com a força-tarefa, a nova fase teve início após análises de documentos apreendidos na sede da ASX Participações e Tecnologia, empresa apontada pelas autoridades como núcleo operacional do esquema investigado.

Uso das plataformas 

Segundo as investigações, o grupo utilizava uma estrutura considerada “dupla” para operar plataformas de apostas e jogos.

De um lado, a plataforma “Aposte Fácil”, ligada à APF Tecnologia, atuaria junto à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), o que, segundo os investigadores, conferiria “aparência de legalidade às operações”.

Paralelamente, a organização também operaria a plataforma clandestina “Black Vegas”, hospedada fora do Brasil, oferecendo jogos proibidos pela legislação nacional. Até o momento, as empresas citadas não haviam se manifestado publicamente sobre o caso.

Movimentações milionárias em espécie

Durante as buscas realizadas na sede da ASX, agentes apreenderam cadernos manuscritos, registros financeiros, documentos relacionados às plataformas e anotações envolvendo o fornecimento de 150 máquinas de cartão para uma instituição de pagamento.

Na avaliação dos investigadores, o material apreendido indicaria uma estrutura financeira capaz de movimentar grandes volumes de recursos. Além disso, mensagens extraídas de celulares apreendidos apontariam negociações envolvendo a movimentação de aproximadamente R$ 1,5 milhão em espécie.

Segundo a investigação, haveria cobrança de taxas entre 2% e 3,5% para conversão dos valores em créditos bancários.

Esquema

Os investigadores afirmam que empresas de diferentes segmentos teriam sido utilizadas para ocultar e movimentar recursos financeiros ligados às operações ilegais. Entre os setores citados estariam construtoras, empresas de embalagens, administradoras e instituições de pagamento.

Segundo o relatório da investigação, o grupo recorreria ao uso de “laranjas” para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Em depoimento, um homem identificado formalmente como proprietário de uma das empresas investigadas declarou às autoridades que nunca exerceu atividade empresarial e apenas teria cedido seus documentos pessoais em troca de pagamentos mensais.

Ainda segundo o depoimento, terceiros controlariam as contas bancárias e a estrutura financeira da companhia.

Caso Gritzbach

A operação também identificou indícios de vínculos entre empresas investigadas e o assassinato do delator Antonio Vinicius Lopes Gritzbach.

Segundo a força-tarefa, análises financeiras apontaram que a empresa IRKA Construções teria realizado transferências bancárias para investigados relacionados ao caso.

14 Visualizações totais - 14 Visualizações hoje