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Para além das bets: painel do MIS 2026 detalha potencial de capitalização, loterias, VLTs e mercados de previsão no Brasil

  • Última modificação do post:20 de março de 2026
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Debate trouxe uma visão aprofundada sobre como diferentes verticais podem coexistir e impulsionar o desenvolvimento do setor no país

O painel “Para além das bets: plano de capitalização, loterias, VLTs e mercados de previsão”, realizado durante o Mercosul iGaming Summit, reuniu Ana Bárbara Teixeira, Eric Jasper, Roberto Quatrinni, Amilton Noble e Miguel Mucillo para discutir a diversificação do mercado regulado brasileiro.

O debate trouxe uma visão aprofundada sobre como diferentes verticais — muitas delas já consolidadas e outras em fase de expansão — podem coexistir e impulsionar o desenvolvimento do setor no país. Os participantes destacaram que o avanço do iGaming no Brasil não deve se limitar às apostas esportivas, mas sim incorporar produtos com características distintas, públicos variados e dinâmicas próprias de consumo.

Mercados de previsão e concorrência com bets

Eric Jasper chamou atenção para o crescimento dos mercados de previsão e explicou a atividade sob a ótica concorrencial.

“Quando a gente olha pelo direito da concorrência, a pergunta é simples: existe competição entre essas plataformas? Nós pensamos se há competição entre essas duas plataformas. E esse talvez seja o ponto que a gente vê até algumas associações da área mencionando que, olha, tem que regular, não pode, tem que ser tratado como bet ilegal. Por quê? Porque, de acordo com a internet, 90% dos contratos de predição nessas plataformas são em esportes. Então, no mundo do CADE, no mundo de direito da concorrência, o que acontece?”, questionou.

Segundo ele, o chamado teste do “monopolista hipotético” ajuda a entender essa dinâmica.

“Se o consumidor deixa de apostar em uma casa de apostas e vai para um prediction market para fazer basicamente a mesma operação, então, sob a ótica concorrencial, eles são concorrentes”, afirmou.

No entanto, Jasper também destacou o avanço desses mercados no cenário internacional, inclusive como fonte de informação.

“Esse mercado já se desenvolveu tanto que até o Banco Central americano analisou estatisticamente o valor informacional dessas plataformas. eles estão olhando aí, mas se eles usarem surveys nessas pesquisas, que ocorrem de três em três meses, de mês em mês, eles olharam estatisticamente a Kalshi. E aí, eles olharam também as vantagens, e algumas vantagens que eles descobriram lá, muito interessantes. O fato da Kalshi, e aí caixa é como proxy para qualquer outra, tá? Eu estou utilizando o que eu estudo sobre isso. A Kalshi usa vários strike prices. Então, ela vai falar, olha, sim ou não para que seria que baixar de R$15,14,75. Aí tem um outro contrato, sim ou não para R$14,50. Então, tem vários strike prices nesse mercado. E isso permite ao Banco Central Americano, no caso, conseguir extrair as informações e falar assim, olha, o mercado, tanto institucional quanto varejo, porque essas surveys do Banco Central só usam o mercado institucional, que eles formam uma fase de opção. O varejo consegue acessar e é mais informação do Banco Central. Então, eles fizeram uma análise estatística e disseram, olha, esse mercado de prediction tem valor de informação”, disse, citando estudos do Federal Reserve sobre o tema.

Diferenças de comportamento entre produtos

Já Roberto Quatrinni trouxe uma visão comportamental sobre os diferentes produtos do setor.

“O mercado de loteria vende sonho. Já o VLT oferece uma experiência mais social e emocional”, afirmou.

Ele destacou ainda que cada vertical atinge públicos distintos.

“O público de apostas esportivas é predominantemente masculino, enquanto nas loterias há mais equilíbrio, com maior participação feminina, principalmente nas instantâneas”, explicou.

Sobre os mercados de previsão, Quatrinni indicou que o segmento ainda está em fase de observação pelas empresas.

“A gente está olhando esse mercado como uma nova fronteira, mas ainda em fase de análise”, disse

Loterias, bets e o desequilíbrio do mercado

Amilton Noble trouxe dados que evidenciam a diferença de escala entre as verticais no Brasil.

“As loterias tradicionais movimentaram cerca de R$ 26 bilhões, enquanto as apostas de quota fixa chegaram a mais de R$ 1 trilhão”, afirmou.

Para ele, o número reforça o papel do entretenimento no crescimento das bets.

“A aposta é entretenimento. E as duas coisas podem coexistir, mas é evidente que há um desequilíbrio que precisa ser observado”, disse.

Noble também destacou o impacto do payout no comportamento do consumidor.

“Enquanto a loteria devolve cerca de 43%, as apostas chegam a quase 97%. Isso muda completamente a dinâmica de consumo”, explicou.

VLTs e lacunas regulatórias

Ana Bárbara Teixeira apontou que limitações regulatórias ainda impedem o avanço de algumas verticais no Brasil.

“A nossa legislação ainda não permitiu a operação dos jogos físicos, somente para o VLT, o que abre uma oportunidade futura para esse mercado”, afirmou.

A advogada também destacou que produtos como a capitalização surgiram, em parte, para suprir lacunas deixadas por modelos não regulamentados.

Capitalização

Miguel Mucillo fez um resgate histórico da capitalização no Brasil, destacando o papel do empreendedorismo na evolução do setor.

“É um produto que sempre ocupou espaços deixados pela inércia do poder público”, afirmou.

Ele citou o exemplo de Silvio Santos como um dos grandes responsáveis pela popularização do modelo.

“Ele conseguiu transformar um produto financeiro em entretenimento de massa com a Tele Sena”, disse.

Segundo Mucillo, a regulamentação mais recente trouxe novo impulso ao segmento.

“Em 2022, tivemos uma lei federal que deu um boom no mercado. Hoje, a capitalização se destaca pela criatividade e pela capacidade de se reinventar”, destacou.

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