Brasil concentrou 19 alertas, sendo o país da América do Sul com maior número de ocorrências reportadas
O Relatório IBIA 2025 revelou que mais de 300 alertas de integridade foram emitidos ao longo do último ano em competições esportivas monitoradas globalmente, com futebol e tênis concentrando a maior parte dos casos considerados de risco. O levantamento aponta tendências relevantes sobre tentativas de manipulação, padrões suspeitos de apostas e a evolução dos mecanismos de monitoramento adotados por operadores e entidades esportivas.
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Sumário
300 alertas suspeitos em 2025
De acordo com o relatório, a IBIA reportou 300 alertas de apostas suspeitas em 2025, envolvendo 16 modalidades esportivas diferentes . O número reflete casos em que padrões anormais de apostas foram identificados pelos sistemas de monitoramento da associação, acionando protocolos de comunicação com federações esportivas, reguladores e autoridades policiais.
O futebol concentrou a maior parte dos alertas, com 110 registros, o equivalente a 37% do total. Na sequência aparecem o tênis, com 74 alertas (25%), e o tênis de mesa, além dos eSports, ambos com 34 alertas (11% cada). Outras modalidades, como basquete, críquete, MMA, beisebol, handebol e esportes equestres, também figuram no relatório, ainda que com menor incidência.
Distribuição geográfica dos alertas
A análise regional mostra que a Europa liderou o volume de alertas, respondendo por 35% dos casos reportados em 2025 . A América do Sul aparece na sequência, com 15%, seguida por América do Norte (16%), Ásia (13%) e África (10%). Há ainda 11% de alertas classificados como globais, majoritariamente relacionados a eSports, cujos eventos frequentemente não estão vinculados a um único país ou território.
No recorte sul-americano, o Brasil concentrou 19 alertas, sendo o país da região com maior número de ocorrências reportadas à IBIA no período, seguido por Equador, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile e Peru .
Perfis de alertas
O relatório detalha que, além do volume absoluto, há diferenças relevantes no perfil dos alertas por modalidade. No futebol, os casos se distribuem ao longo de todo o calendário anual, enquanto no tênis e no tênis de mesa uma parcela significativa dos alertas envolve competições fora dos principais circuitos profissionais, como torneios de menor porte ou eventos não vinculados diretamente às federações internacionais .
Nos eSports, os 34 alertas registrados reforçam o crescimento desse segmento dentro do mercado de apostas e, ao mesmo tempo, os desafios adicionais de monitoramento em um ambiente digital e transnacional.
Partidas comprovadamente corrompidas
Com base nos dados de integridade fornecidos pelo Relatório IBIA, 54 partidas foram comprovadamente corrompidas em processos concluídos ou anunciados ao longo de 2025. Além disso, 24 alertas da associação estiveram diretamente envolvidos em processos de sanção, resultando em punições a atletas, árbitros, equipes e até clubes.
No detalhamento das sanções anunciadas em 2025, o relatório aponta:
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Tênis: punições a 10 jogadores e 6 árbitros;
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Futebol: sanções a 2 jogadores e 1 clube;
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eSports: punição a 1 jogador e 1 equipe;
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MMA: sanção a 1 atleta;
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Dardos: punição a 2 jogadores.
Tendência de alta
O relatório traz ainda uma análise comparativa do período 2021–2025, indicando uma tendência de crescimento no número total de alertas, que passou de 236 em 2021 para 300 em 2025 . O futebol permanece, ao longo de todo o intervalo, como a modalidade com maior número de registros, seguido pelo tênis.
Geograficamente, a Europa mantém a liderança histórica, mas regiões como América do Sul, América do Norte e Ásia apresentam crescimento consistente, acompanhando a expansão dos mercados regulados e do volume global de apostas.
Expansão do mercado regulado
Segundo a IBIA, os sistemas de monitoramento analisam anualmente mais de 1,5 milhão de eventos esportivos, abrangendo 80+ esportes, com base em um volume superior a US$ 300 bilhões em apostas globais . A associação informa que suas operações estão licenciadas ou atendem aos requisitos regulatórios em jurisdições como União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Brasil.
O relatório destaca que o crescimento do mercado, especialmente em regiões emergentes, torna o investimento em integridade um elemento central para a sustentabilidade do setor. A entidade defende que políticas públicas baseadas em dados, cooperação internacional e ambientes regulados são fundamentais para mitigar riscos de manipulação de resultados e preservar a credibilidade do esporte.