Banido após escândalo da “Máfia do Apito”, Edílson Pereira de Carvalho voltou a falar sobre manipulação de resultados
O ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, de 63 anos, está longe dos gramados há duas décadas, mas reapareceu ao dar sua opinião sobre um tema polêmico: corrupção no futebol. Em entrevista ao Documento OVALE Cast, podcast especial do jornal OVALE, ele fez duras críticas às plataformas de apostas esportivas, que hoje patrocinam clubes e dominam o mercado esportivo brasileiro.
Pivô de um dos maiores escândalos do futebol nacional, Edílson não poupou a atuação das bets no futebol brasileiro. “Onde há dinheiro, há corrupção. E o futebol envolve muito dinheiro, milhões, milhões e milhões”, afirmou.
Banido do esporte em 2005, Edílson foi o principal nome envolvido na Máfia do Apito, esquema de manipulação de resultados que abalou o futebol brasileiro. A investigação revelou que ele alterava o andamento de partidas da Série A e B do Campeonato Brasileiro para favorecer apostadores, em troca de dinheiro. O escândalo veio à tona após uma reportagem da revista Veja, que expôs gravações telefônicas e movimentações suspeitas ligadas ao árbitro.
O caso teve repercussão nacional e levou à anulação de 11 partidas do Brasileirão daquele ano, todas apitadas por Edílson. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) precisou refazer os jogos, e o árbitro foi banido do esporte pela FIFA. A Máfia do Apito marcou um divisor de águas na relação entre futebol e apostas, levantando discussões sobre integridade esportiva que, até hoje, permanecem atuais.
‘Liberou geral’
Edílson afirmou que vê com preocupação o avanço das bets no país. Para ele, o cenário atual é de “liberou geral”, onde a presença das plataformas é quase unânime — e perigosa.
“Não impede nada de nenhum jogador, de nenhum árbitro de colaborar com eles e ganhar o seu dinheiro”, afirmou.
O ex-árbitro afirmou que há uma vulnerabilidade do sistema, onde o volume de dinheiro movimentado pelas apostas pode facilmente abrir brechas para manipulações. Segundo ele, o futebol virou um terreno fértil para práticas ilícitas, justamente por envolver cifras milionárias.
Hoje as apostas estão nas camisas dos clubes, há clubes que têm até as suas próprias bets, elas estão nas placas de publicidade, enfim, estão em todos os lugares. O senhor acredita que essa proliferação de apostas facilita eventuais desvios, seja de árbitro, seja de atletas?
Em primeiro lugar, onde há muito dinheiro, há corrupção. Seja qual setor for. Qualquer setor. É minha opinião. Aonde há muito dinheiro, há corrupção. Eu moro no Brasil, e no Brasil principalmente. Site de apostas no futebol que envolve muito dinheiro, milhões, milhões e milhões, é muito dinheiro. Muito mais agora com os sites de apostas. E agora liberou geral para o governo ter uma lasquinha de cada site, certo?
Não impede nada de nenhum jogador, de nenhum árbitro de colaborar com eles e ganhar o seu dinheiro. Como houve com esses dois jogadores [Lucas Paquetá e Bruno Henrique] de seleção brasileira que ganham milhões e são jogadores conhecidos. E os que a gente não sabe, que não estão na televisão? Existem? Penso que sim. Quem? Não sei. Eu penso que existe. Por quê? Ninguém fala do Joãozinho, né? Fala de grandes nomes. Como teve no Amazonas, no Acre, em Goiânia há 1 ano e dois que foram banidos do futebol. Eu não sei nem o nome deles. Eles deram entrevista para outros podcasts por aí que eu vi.
Mas não são iguais a esses dois jogadores conhecidíssimos [Bruno e Paquetá], e foram banidos. Esses dois jogadores até agora estão jogando. Não deveriam. Deveriam ser banidos. Nada contra os dois. Aliás, o que eu tenho a ver com Lucas Paquetá e Bruno Henrique? Absolutamente nada, mas tem que servir de exemplo para outros jogadores não fazerem isso, não destruírem a sua família, não destruírem o futebol, para os torcedores continuarem acreditando que o futebol é honesto.
