Audiência pública na Câmara de BH discutirá impactos das plataformas de jogos na saúde mental e vínculos sociais da população
O vício em apostas será tema central de uma audiência pública da Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte na próxima terça-feira (26). A discussão, marcada para o Plenário Camil Caram às 10h, poderá ser acompanhada presencialmente ou pelo canal oficial da Casa no YouTube.
A iniciativa, que busca ampliar o debate sobre a ludopatia — transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) —, surgiu a partir de um requerimento assinado pelo vereador Edmar Branco (PCdoB) e outros cinco parlamentares: Flávia Borja (DC), Iza Lourença (Psol), Juhlia Santos (Psol), Luiz Dulci (PT) e Wagner Ferreira (PV).
Saúde
Os autores do pedido alertam que o acesso facilitado às plataformas de apostas online, aliado a campanhas publicitárias agressivas e à ausência de regulamentação mais rígida, tem ampliado a exposição da população a comportamentos abusivos relacionados ao jogo.
Segundo os vereadores, o fenômeno das chamadas bets está diretamente associado ao crescimento de casos de depressão, ansiedade, endividamento e desestruturação familiar. Para a audiência, foram convidados representantes das Secretarias Municipal e Estadual de Saúde; dos Conselhos Regionais de Psicologia e de Psiquiatria; e coordenadores dos Centros de Referência em Saúde Mental.
“O debate permitirá avançar na formulação de medidas eficazes de prevenção, enfrentamento e tratamento, assim como na criação de marcos normativos e ações educativas que possam mitigar os impactos do vício em apostas sobre a população de Belo Horizonte”, ressaltaram.
Impactos em Belo Horizonte
Segundo os parlamentares o Hospital Espírita André Luiz, localizado no bairro Salgado Filho, na Região Oeste da capital mineira, registrou um aumento de 300% nos atendimentos de pacientes diagnosticados com ludopatia. A unidade é referência municipal no tratamento de sofrimento mental e dependência química.
A audiência contará com a participação de gestores públicos, profissionais da saúde, pesquisadores, familiares de pessoas afetadas e representantes da sociedade civil, que devem apresentar dados e propor medidas de prevenção e apoio aos dependentes de jogos de azar.