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Apostadores no Brasil tem perfil jovem, urbano e com renda acima da média; aponta pesquisa TIC.BR

  • Última modificação do post:14 de dezembro de 2025
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Levantamento foi realizado com 24.906 entrevistas presenciais, em domicílios de todas as regiões do país

O Brasil já reúne entre 30 e 32,5 milhões de pessoas que realizaram apostas online nos últimos três meses, segundo dados da pesquisa TIC.BR 2025, divulgada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O número equivale a cerca de 20% da população brasileira com mais de 10 anos e coloca o país entre os maiores mercados de apostas digitais do mundo, mesmo com a regulamentação plena do setor sendo recente.

De acordo com o levantamento, um em cada cinco brasileiros declarou ter apostado online no período analisado. A prática é significativamente mais comum entre homens (22%) do que entre mulheres (14%), revelando um forte recorte de gênero no comportamento dos usuários e uma concentração masculina de aproximadamente 71% dos apostadores, contra 29% de mulheres.

A pesquisa foi realizada com 24.906 entrevistas presenciais, em domicílios de todas as regiões do país, com metodologia aplicada pelo Ipsos-Ipec. A amostra é mais de dez vezes superior à utilizada em pesquisas eleitorais nacionais, o que confere alto grau de confiabilidade estatística aos dados e consolida o estudo como uma das principais referências sobre comportamento digital no Brasil.

“Nesta TIC Domicílios, conseguimos identificar a proporção de usuários de Internet no país que já utilizou bets e fez apostas online. Um tema que tem gerado grande preocupação de toda a sociedade, não só pelo aspecto econômico, mas até o de saúde mental. E o que vemos revelado é um número que considero bastante alarmante: temos cerca de 30 milhões de pessoas acima dos 10 anos que já realizaram algum tipo de aposta online. Esse dado geral, e outros mais específicos que foram coletados, reforçam a urgência em se estabelecer mecanismos regulatórios e de literacia digital mais robustos sobre os riscos que envolvem a prática de jogos e apostas no meio digital“, defende Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.

Homens apostam mais do que mulheres

O recorte por sexo mostra uma diferença clara. Os homens lideram todas as modalidades analisadas.
•12% dos homens fizeram apostas esportivas por sites ou aplicativos;
•10% apostaram em cassinos online;
•9% participaram de loterias federais e rifas digitais.
Segundo a pesquisa, entre as mulheres, os percentuais são bem menores. Apenas 2% fizeram apostas esportivas, 6% apostaram em cassinos online e 4% participaram de loterias federais.
Na prática, isso indica que o público masculino aposta, em média, duas a cinco vezes mais do que o feminino, especialmente nas apostas esportivas, onde a diferença é mais acentuada.

Raça: usuários pretos lideram apostas digitais

O recorte por cor ou raça aponta que usuários que se declaram pretos apresentam os maiores índices de participação nas modalidades digitais.
13% apostaram em cassinos online;
10% fizeram apostas esportivas;
7% participaram de rifas digitais.
Entre pessoas brancas, a maior concentração está nas loterias federais (9%), enquanto a participação em cassinos online cai para 6%.
Usuários pardos aparecem em posição intermediária, com 8% em cassinos online e 7% em apostas esportivas.
Esse recorte indica que as modalidades digitais são mais populares entre pretos e pardos, enquanto as loterias tradicionais têm maior aderência entre brancos.

Quem ganha mais aposta mais em loterias; quem ganha menos aposta mais online

O comportamento de apostas também varia conforme a renda familiar. Usuários com renda entre 5 e 10 salários mínimos lideram nas loterias federais, com 13% de participação. Já aqueles com mais de 10 salários mínimos mantêm patamar elevado (10%).
Por outro lado, as apostas em cassinos online são mais comuns entre quem recebe de 1 a 2 salários mínimos, com 10%, percentual superior ao observado nas faixas de renda mais alta.

Escolaridade: ensino médio concentra mais apostadores digitais

O nível de instrução revela outro padrão importante. Usuários com ensino médio completo lideram as apostas digitais.
•11% em cassinos online;
•9% em apostas esportivas;
•8% em rifas digitais.
pessoas com ensino superior aparecem mais nas loterias federais (11%), mas reduzem significativamente a participação em cassinos online (4%).
Entre indivíduos com baixo nível de escolaridade, os percentuais são residuais, indicando menor acesso ou menor engajamento com plataformas digitais.

Jovens adultos são os que mais apostam

O recorte etário mostra que as apostas online são fortemente concentradas entre jovens e adultos em idade ativa. A faixa de 25 a 34 anos lidera praticamente todas as modalidades.
•12% em apostas esportivas;
•11% em cassinos online;
•13% em rifas digitais.
Entre 16 e 24 anos, os índices também são elevados, especialmente nos cassinos online (13%).
A partir dos 45 anos, os percentuais começam a cair de forma consistente, chegando a níveis mínimos entre pessoas com 60 anos ou mais, com apenas 1% a 3% de participação.

Classe social: classes médias concentram o maior volume de apostadores

Embora a classe A registre índices elevados em loterias federais (12%), é a classe C que concentra maior volume de apostadores digitais, com:
•9% em cassinos online;
•8% em apostas esportivas.
Já as classes D e E mantêm participação relevante em cassinos online (10%), mesmo com menor presença nas loterias tradicionais.

Trabalho e ocupação: quem está empregado aposta mais

Usuários na força de trabalho apostam significativamente mais do que aqueles fora dela:
•10% em cassinos online;
•9% em apostas esportivas;
•9% em loterias federais.
Entre os trabalhadores, há diferenças:
•formais lideram nas loterias federais (12%);
•informais apresentam maior adesão aos cassinos online (11%).

Pesquisa é referência nacional

A pesquisa TIC.BR é realizada anualmente e acompanha a evolução do uso da internet e dos serviços digitais no Brasil. A edição de 2025 incorpora, de forma estruturada, indicadores sobre apostas online, refletindo a crescente relevância do tema na economia digital e no debate público.

Com série histórica consolidada, coleta presencial, metodologia reconhecida e análise técnica do NIC.br, o levantamento é considerado uma das principais bases de dados nacionais para compreender o comportamento digital da população brasileira.

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