Moderado pela advogada Bárbara Teles, encontro reuniu Wesley Cardia, Sávio Prado, Leonardo Baptista e Amilton Noble
Na reta final do painel “Diagnóstico e Ação”, que encerrou o Mercosul iGaming Summit, lideranças do setor de apostas deixaram de lado o diagnóstico e avançaram para propostas práticas para o desenvolvimento do mercado regulado no Brasil.
O debate, que foi moderado pela advogada Bárbara Teles reuniu nomes como Wesley Cardia, Sávio Prado, Leonardo Baptista e Amilton Noble, que convergiram em um ponto: o setor precisa de menos discurso e mais execução tanto por parte do regulador quanto da própria indústria. Um destaque especial foi o coquetel oferecido pela AMIG, que tornou o espaço mais agradável.
Sumário
Estabilidade
Wesley Cardia apresentou uma agenda de medidas estruturais, começando pela necessidade de padronização regulatória.
“Atividades parecidas, como prediction games e títulos de capitalização, precisam estar sob a mesma regra. Se não regulamentar, vai continuar a bagunça”, destacou.
O executivo também defendeu uma pausa no ambiente regulatório para dar previsibilidade ao mercado:
“Eu faria uma moratória da regulamentação. Durante seis meses ou até a Copa, sem novas portarias ou leis, para o mercado se adaptar”, disse.
Outro ponto levantado foi a necessidade de atuação coordenada junto ao Congresso.
“Tem que fazer um trabalho de educação, batendo de porta em porta, explicando como o setor funciona e mostrando que decisões contrárias impactam arrecadação e sociedade”, falou.
Educação como estratégia
Leonardo Baptista reforçou que um dos principais gargalos do setor está na falta de entendimento sobre a atividade.
“Vamos parar de gastar só com marketing e investir em educação de quem toma decisão”, afirmou.
Segundo ele, a indústria precisa atuar de forma mais coordenada para explicar o funcionamento do mercado:
“Tem que colocar legislativo e judiciário para entender como o setor funciona. Sentar e explicar”, pontuou.
Baptista também apontou entraves operacionais da regulamentação atual, como processos de verificação de usuários.
“O onboarding hoje leva cinco, seis minutos. É uma barreira enorme. Enquanto isso, no ilegal não se pede quase nada. Vamos buscar o KYC do usuário no momento do primeiro depósito garantir que o dinheiro está entrando por aqui, vai sair por ali, por nenhum outro lugar e acabou o problema? Vamos trazer todos os dados do apostador pelo depósito, por exemplo e acabar com aquela barreira toda da entrada quer verificar, quer olhar, quer ter certeza, quer fazer background check foto, documentoscopia, faz na saída, faz no saque, não na entrada”, afirmou.
O executivo ainda destacou o papel das criptomoedas como combate às ilegais.
“Nós estamos tentando trazer as criptomoedas para dentro do setor e tem todo o preconceito em cima da modalidade. Seria fantástico a gente conseguir trazer Cripto para as bets, para tirar dos ilegais. Imagina quebra de paradigma”, afirmou.
Para ele, a solução passa por diálogo com o meio político.
“O objetivo em comum é educação, vamos passar o chapéu, como a gente fala, vamos recolher e vamos investir, por exemplo, numa Movibet, o movimento das bets, e vamos educar esse povo através, colocar um nome único, e eu já falei para mim, tem que ser Natália (Nogues) junto com o Bárbara (Teles), lá, os dois nomes da indústria, ir lá pra Brasília ensinar todo mundo, vamos fazer esse movimento todo mundo?”, sugeriu.
Para Sávio Prado, a questão tributária é uma caminho para a indústria se mobilizar.
“Precisamos trabalhar com teses sobre o direito tributário, abrindo teses, que são ferramentas que trabalhamos e podem abrir um campo para os operadores. E eu tenho certeza que as teses tributárias chegarão aos tribunais. As taxas são um tributo vinculado. Se você tem uma taxa de fiscalização que não é utilizada para fiscalização, já abre campo para um questionamento judicial“, explicou.
Combate ao ilegal e responsabilidade da indústria
Amilton Noble reforçou a necessidade de execução regulatória e autocrítica do setor. Ele defendeu medidas imediatas.
“A intensificação do combate ao ilegal pode ser feita pelos meios de pagamento. Isso já está na competência da SPA”, explicou.
O executivo também destacou a necessidade de acelerar a regulação dos provedores.
“É preciso avançar na certificação de toda a cadeia: plataformas, meios de pagamento, fornecedores. Todo mundo tem que mostrar quem é.”
No entanto, Amilton também cobrou maior responsabilidade da própria indústria.
“Vamos parar de se vitimizar um pouco e fazer a nossa parte“, falou.
Um dos pontos levantados foi em relação ao jogo responsável.
“Todo mundo fala de jogo responsável, mas poucos realmente monitoram o comportamento do jogador”, afirmou.
Ele detalhou a ausência de ações preventivas no setor.
“Quem está analisando mudança de comportamento? Quem identifica um jogador tentando recuperar perdas? Isso quase não acontece”, questionou.
Para Noble, o setor precisa ir além do discurso.
“Não basta colocar ‘jogue com moderação’. Isso é obrigação. A indústria precisa agir antes do problema acontecer.”
União
Outro ponto levantado foi a fragmentação institucional do setor. Amilton defendeu maior união entre os agentes.
“A indústria precisa se organizar melhor. Hoje temos várias associações, mas falta alinhamento em torno de objetivos comuns”, afirmou.