Jornalista abre o jogo sobre a carreira após Copa do Mundo
Um dos principais nomes do atual cenário do jornalismo esportivo brasileiro, Paloma Tocci abriu o jogo em entrevista exclusiva sobre a carreira. Abordando temas como a forma de consumir conteúdo esportivo, o fortalecimento da presença feminina nas transmissões e o impacto da tecnologia na cobertura jornalística, a embaixadora da Pinnacle – uma das principais plataformas do mercado iGaming no mundo -, abriu o jogo sobre a forma como enxerga o momento da comunicação do esporte no país.
Entre os principais, há o amplo destaque para a produção de conteúdo independente, que vem conquistando cada vez mais espaço nos meios de comunicação, sendo ela própria uma grande referência para o tema, uma vez que esteve presente na Copa do Mundo 2026 de forma totalmente independente. Nesse ínterim, a jornalista avalia que grandes eventos esportivos deixaram de ser exclusivos das emissoras tradicionais.
“O grande evento não é mais monopólio de emissora grande. Quem tem voz própria, audiência e posicionamento consegue cobrir e até com mais liberdade. Hoje eu sou a minha própria emissora e a minha própria marca”, ressalta Tocci.
Paloma também atribui à evolução tecnológica um papel decisivo nesse processo de democratização. Segundo ela, recursos que antes exigiam grandes equipes, equipamentos sofisticados e estruturas robustas hoje podem ser substituídos por um smartphone de qualidade, ferramentas de edição ágeis e as redes sociais, que funcionam como canais diretos de distribuição de conteúdo.
Embora reconheça a transformação nos hábitos de consumo de informação, a jornalista acredita que a televisão aberta continua ocupando uma posição de destaque na cobertura esportiva graças ao seu amplo alcance junto ao público. Ao mesmo tempo, defende que o jornalismo preserve seus princípios essenciais, priorizando a apuração rigorosa, a checagem das informações e a apresentação equilibrada dos fatos, sem se deixar conduzir apenas pela busca por polêmicas ou conteúdos voltados à viralização.
Confira a entrevista completa
Qual é o maior desafio do jornalismo esportivo na TV hoje?
“Eu nem diria que há um desafio. Mesmo com a internet, streaming e redes sociais, a TV aberta sempre vai ter seu lugar de relevância e um alcance sem comparação. O público de massa está na TV aberta. O jornalismo esportivo não pode se basear apenas em polêmica ou em querer viralizar. Jornalismo tem que continuar sendo jornalismo, com as premissas que aprendemos na faculdade: veracidade dos fatos, checagem e ouvir os dois lados de uma história.”
O que mais evoluiu na cobertura esportiva desde que você começou?
“A velocidade e a proximidade. Hoje o torcedor não quer só assistir; quer participar, comentar e discordar em tempo real. Isso mudou a forma de contar histórias: tem que ter mais conversa. E o multiplataforma virou obrigação. A mesma pauta vira reportagem, Reels, crônica e story.”
Como você avalia a participação das mulheres no jornalismo esportivo?
“Avançamos muito, e a Copa comprovou isso. Acho que foi a maior participação de mulheres na cobertura de todos os tempos. Quando comecei, eram pouquíssimas mulheres. Hoje vemos mulheres apresentando, indo a campo, comentando e narrando. O que mais me orgulha é ver que deixamos de ser ‘a exceção’ para virar uma presença normal.”
Como equilibrar emoção e imparcialidade na cobertura esportiva?
“É impossível cobrir futebol sem emoção, sem paixão. Isso é o motor da nossa profissão. A imparcialidade não está em não sentir, mas em não deixar o sentimento distorcer o fato. Eu vibro, mas descrevo o que aconteceu, não o que eu queria que tivesse acontecido.”
O que inspira você a continuar contando histórias por meio do esporte?
“O esporte é poderoso. O esporte educa. Ele conta histórias que conseguem emocionar até quem nem gosta tanto de futebol. Está sempre mostrando histórias de superação.”
Nas redes sociais, você também produziu conteúdo durante a Copa do Mundo. Como foi essa experiência?
“Eu não participei da cobertura oficial da Copa, mas, nas minhas redes sociais, me posicionei, analisei e contei histórias sob a minha ótica da competição e como uma apaixonada pelo maior torneio do mundo.”
Qual momento mais marcou essa experiência?
“Acabei indo aos Estados Unidos nas minhas férias e assisti ao jogo entre Inglaterra e Noruega. Além de ver grandes craques de perto, a torcida dos dois lados deu um show: os noruegueses com os vikings e os ingleses cantando ‘Wonderwall’ com os jogadores. Foi emocionante.”
Esse modelo de cobertura independente pode se repetir?
“Acredito que sim, e cada vez mais. O grande evento não é mais monopólio de emissora grande. Quem tem voz própria, audiência e posicionamento consegue cobrir e até com mais liberdade. Hoje eu sou a minha própria emissora e a minha própria marca.”
Como a tecnologia colaborou para essa transformação?
“A tecnologia permite cobrir de forma independente. O que antes precisava de equipe inteira, câmera de última geração, microfone profissional e iluminação, hoje pode ser feito com um celular de qualidade, edição rápida direto do campo e as redes sociais como canal direto de distribuição.”
Qual é o principal aprendizado que você leva para a carreira?
“Seja você a sua marca e faça dela um negócio, uma empresa!”