Volta às Aulas Sem o Tigrinho

Campanha ‘Volta às Aulas Sem o Tigrinho’ leva debate sobre apostas online a escolas públicas de SP

  • Última modificação do post:18 de março de 2026
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Projeto conta com apoio das Fábricas de Cultura

Uma campanha educativa voltada à conscientização sobre os riscos das apostas online está sendo realizada em escolas públicas do estado de São Paulo. A iniciativa, chamada “Volta às Aulas Sem o Tigrinho”, leva artistas e atividades culturais para dialogar com estudantes sobre o tema em unidades de ensino da Zona Leste da capital, além das cidades de Santos e São Bernardo do Campo.

O projeto conta com apoio das Fábricas de Cultura e busca promover conversas diretas com os alunos sobre o vício em jogos de apostas e seus possíveis impactos sociais, especialmente em regiões onde famílias enfrentam situações de maior vulnerabilidade econômica.

Música e diálogo com estudantes

Como parte das ações, jovens músicos da própria região participam de apresentações e rodas de conversa nas escolas, geralmente durante os intervalos das aulas. A proposta é utilizar música e linguagem cultural próxima ao público jovempara estimular a reflexão sobre os riscos associados às apostas online.

Na primeira atividade acompanhada pela reportagem do Metrópoles, os MCs Edisinho e MC Caesar — vencedores de um concurso de funk criado para a campanha — participaram de um encontro com estudantes da Escola Estadual Aurélio Buarque de Holanda, localizada na Vila Curuçá, na Zona Leste da capital paulista.

Durante as apresentações, os artistas cantaram músicas produzidas especialmente para desencorajar o uso de sites de apostas entre jovens, além de conversar com os estudantes sobre o tema.

Relatos de estudantes sobre impactos das apostas

Segundo relatos de alunos com idades entre 10 e 12 anos, muitos já conhecem casos de familiares que enfrentaram perdas financeiras relacionadas aos jogos.

Alguns estudantes afirmaram ter visto parentes perderem dinheiro, celulares e até moradia por causa de apostas online. Também foi mencionada a influência da publicidade relacionada às plataformas de apostas como um fator que desperta curiosidade entre quem começa a se interessar pelo tema.

Arte como ferramenta de conscientização

A campanha surgiu a partir de um convite para que músicos criassem funks com mensagens críticas ao chamado “efeito Tigrinho”. De acordo com os artistas envolvidos, utilizar o funk como ferramenta de comunicação facilita o diálogo com os jovens, permitindo abordar o tema de forma mais natural.

Segundo os participantes do projeto, o vício em apostas não se limita ao público jovem. Eles apontam que adultos entre 30 e 40 anos também podem ser impactados, especialmente em contextos sociais marcados por frustrações econômicas e dificuldades financeiras.

Grafite e material educativo nas escolas

Além das apresentações musicais e rodas de conversa, a parceria com as escolas inclui a produção de cartazes criados por grafiteiros da região, adaptados para o ambiente escolar.

As peças trazem mensagens de conscientização sobre os riscos das apostas online e reforçam o lema “Tigrinho vicia, grafite conscientiza”.

De acordo com Bruno Mendes Brito Naves, subgerente da Fábrica de Cultura Vila Curuçá, a colaboração entre instituições culturais e escolas é considerada importante para ampliar o diálogo com jovens da região.

Matheus Moreira da Silva Oliveira, coordenador de projetos de difusão das Fábricas de Cultura, afirmou que a ideia da campanha surgiu após a identificação de um problema crescente relacionado às apostas em regiões periféricas e socialmente vulneráveis.

Segundo ele, um dos resultados observados nas primeiras atividades é o aumento do diálogo entre estudantes e familiares sobre o tema.

Debate sobre prevenção

A supervisora regional de ensino Alexandra Avelino Cardoso destacou que a presença da campanha nas escolas públicas pode ajudar na conscientização sobre os riscos das apostas.

De acordo com ela, mesmo que determinados jogos ou plataformas não estejam constantemente presentes no cotidiano dos alunos, discutir o tema pode ajudar a prevenir situações futuras relacionadas à busca por ganhos rápidos que acabam resultando em prejuízos financeiros para famílias.

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