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Representante de shoppings diz que bets ‘tiraram’ dinheiro do setor no Brasil

  • Última modificação do post:5 de fevereiro de 2026
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Faturamento total dos shoppings em 2025 alcançou R$ 200,9 bilhões, o maior já registrado pelo setor

O presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, afirmou ao Estadão, que a consolidação das plataformas de apostas online no Brasil tem impactado negativamente o consumo no varejo físico, especialmente nos shoppings centers. Segundo ele, parte dos recursos destinados às apostas estaria sendo desviada do consumo tradicional.

“As bets estão tirando, sim, dinheiro do consumo e dos shoppings”, declarou Humai em entrevista à imprensa.

De acordo com o presidente da Abrasce, os sites de apostas movimentam cerca de R$ 30 bilhões por ano, valor que, em sua avaliação, representa uma fatia relevante do orçamento das famílias brasileiras. “As pessoas que estão com pouco dinheiro, muito endividadas e ainda jogando nas bets têm mais dificuldade para comprar”, afirmou.

Além das apostas online, Humai destacou que o comércio eletrônico também se consolidou como um concorrente direto dos shoppings. “Antes as pessoas pegavam o carro para ir ao shopping, mas hoje podem comprar certos itens pela internet”, disse.

Estratégia dos shoppings

Apesar do cenário desafiador, o dirigente ressaltou que os shoppings centers têm buscado se adaptar, ampliando o foco para além do varejo tradicional. Segundo ele, os empreendimentos passaram a concentrar opções de lazer, alimentação, serviços e entretenimento.

Atividades como academias, clínicas médicas e centros de estética tornaram-se mais frequentes. Como resultado, o tempo médio de permanência dos visitantes subiu para 80 minutos em 2025, um recorde histórico. Nos anos anteriores, a média era de aproximadamente 73 minutos, enquanto durante a pandemia chegou a ficar abaixo de 30 minutos.

Desempenho do setor em 2025

Mesmo diante dos desafios apontados, o setor de shoppings encerrou 2025 com crescimento de 1,2% nas vendas, desempenho considerado positivo pela Abrasce. “O crescimento poderia ter sido maior que 1,2%, mas o ano foi confuso”, avaliou Humai.

Ele citou os juros elevados como um dos fatores que limitaram o avanço do setor. “O juro foi muito alto no ano passado, pode ter tirado um pouco do afã dos lojistas em crescer”, afirmou. Por outro lado, o aumento do emprego e da massa salarial ajudou a sustentar o consumo.

O faturamento total dos shoppings em 2025 alcançou R$ 200,9 bilhões, o maior já registrado pelo setor, mesmo com desempenho abaixo da projeção inicial de 1,6% e inferior ao crescimento observado em 2024, quando houve alta de 1,9%. Os dados são nominais, sem desconto da inflação.

“As vendas ficaram muito próximas do que esperávamos para este ano. O crescimento de 1,6% foi importante, ainda mais se comparado com outros setores, como a indústria, com resultados abaixo. Então, estamos satisfeitos”, disse o presidente da Abrasce.

Ocupação

A taxa média de ocupação dos shoppings foi de 95,4%, considerada saudável pela entidade. “O que temos hoje é uma vacância técnica. Se o shopping estiver 100% ocupado, não cabem novas lojas, nem chegadas de marcas”, explicou Humai.

O Brasil encerrou 2025 com 658 shoppings em operação, distribuídos por 253 cidades. No último ano, foram inaugurados dez novos empreendimentos. A área bruta locável (ABL) cresceu 0,9%, alcançando 18,3 milhões de metros quadrados, enquanto o número de lojas subiu 1,2%, totalizando 124,7 mil unidades.

A taxa de inadimplência dos lojistas foi de 4,3%, a menor da série histórica, segundo a Abrasce. O setor empregou 1,082 milhão de pessoas, alta de 0,9% em relação ao ano anterior.

Fluxo de visitantes e gasto médio

Apesar do crescimento em vendas, o fluxo mensal de visitantes apresentou queda de 1% em 2025, totalizando 471 milhões de pessoas. Ainda assim, o gasto médio por consumidor aumentou, passando de R$ 121 em 2024 para R$ 126 em 2025, alta de 4%.

Para Humai, esse comportamento reflete a transformação dos shoppings em espaços multifuncionais. “Os shoppings se tornaram um point de compras, alimentação, lazer, serviços e eventos”, afirmou.

Projeções para 2026

A Abrasce projeta crescimento de 1,4% no faturamento dos shoppings em 2026, com receita estimada em R$ 203,7 bilhões. “Estamos animados, confiantes, mas com cautela para 2026”, disse Humai.

Entre os fatores positivos, ele destacou a geração de empregos, o aumento da massa salarial e a expectativa de queda dos juros. A ampliação da isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil também foi citada como estímulo ao consumo. “Isso vai gerar uma sobra de bilhões de reais no orçamento das famílias, e uma parte disso deve ir para o varejo”, afirmou.

A Copa do Mundo 2026 também pode impulsionar vendas, especialmente de eletrônicos e artigos esportivos. Já no campo das preocupações, Humai mencionou o cenário eleitoral brasileiro e as incertezas internacionais. “O rumo das eleições provoca muita instabilidade e dúvida. E no cenário internacional, há muita insegurança entre investidores, cadeias produtivas e empresas”, concluiu.

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