Segundo levantamento, implementação das regras federais não provocou mudanças significativas no desenho competitivo do mercado
O primeiro ano do mercado regulado de apostas brasileiro indica um cenário de rápida adaptação dos principais operadores, manutenção da liderança das marcas já consolidadas e estabilidade estrutural do setor. A análise é da Blask, empresa especializada em inteligência de dados para o mercado de apostas, que avaliou o desempenho da indústria ao longo de 2025, primeiro ano completo após a entrada em vigor do marco regulatório, em janeiro.
Segundo o levantamento, a implementação das regras federais não provocou mudanças significativas no desenho competitivo do mercado. Os grandes operadores já estabelecidos conseguiram se adequar às novas exigências, obtiveram autorizações junto à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e reforçaram sua posição em termos de interesse do público. Esse comportamento é refletido nos principais indicadores utilizados pela Blask: o Blask Index e o Brand’s Accumulated Power (BAP).
O Blask Index é uma métrica dinâmica, atualizada em tempo real, que acompanha o volume do mercado de iGaming e a participação das marcas a partir da análise de dados de buscas online. Já o BAP mede a força acumulada de uma marca ao longo do tempo, reunindo em um único indicador aspectos como visibilidade, interesse do consumidor e posicionamento competitivo.
Sumário
Desempenho do mercado ao longo de 2025
De acordo com os dados da Blask, o mercado brasileiro encerrou seu primeiro ano sob regulamentação com desempenho relativamente estável na comparação anual. O início de 2025, no entanto, foi marcado por um período de retração. Janeiro registrou o ponto mais baixo do ano, influenciado tanto pela baixa sazonal do período quanto pelo processo de adaptação às novas regras regulatórias.
Nesse mês, o Blask Index apresentou uma queda de 24% em relação a dezembro de 2024. Ao longo dos 11 meses seguintes, porém, o indicador voltou gradualmente a níveis próximos aos observados no fim do ano anterior. As operadoras que obtiveram autorização federal apresentaram crescimento de 35,2% em relação ao piso registrado em janeiro, enquanto as marcas que não se enquadraram no novo regime regulado registraram uma queda acumulada de 31,5%.
A regulamentação foi acompanhada por um aumento significativo das ações de fiscalização. Em seu balanço do primeiro semestre de 2025, a SPA informou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) retirou do ar aproximadamente 15,5 mil páginas de apostas ilegais desde outubro de 2024. Além disso, as autoridades reforçaram o controle sobre canais de pagamento e de marketing, que historicamente sustentavam a atuação de operadores offshore no país.
Saída e entrada de marcas no mercado
A intensificação da fiscalização e a proximidade da entrada em vigor do marco regulatório provocaram uma primeira onda de saída de marcas do mercado brasileiro. Segundo a Blask, esse movimento teve início no verão de 2024 e se estendeu até o início de 2025.
Entre os operadores que deixaram o país pouco antes ou logo após a regulamentação entrar em vigor estavam marcas internacionais conhecidas, como Betway, 188BET, BC.Game e 888. Apesar dessas saídas, o número total de marcas ativas no mercado permaneceu relativamente estável ao longo de 2024 e 2025, impulsionado pela entrada de novos players.
Dados oficiais da SPA indicam que, até 30 de outubro de 2025, foram concedidas 82 autorizações a 79 empresas, abrangendo um total de 183 marcas. Nem todas, porém, estavam em operação efetiva. De acordo com o monitoramento da Blask, 156 marcas autorizadas estavam ativas ao final de 2025.
Liderança concentrada
Um dos principais destaques do relatório é a manutenção da liderança entre as marcas já consolidadas. Nenhum novo entrante conseguiu alcançar o Top 10 do ranking por Brand’s Accumulated Power (BAP) ao longo de 2025. O ano terminou com praticamente os mesmos líderes do período anterior, todos eles com autorização federal.
No Top 50 do ranking por BAP, apenas três marcas não possuem autorização federal. A mais bem posicionada é a Brabet, que ocupou a 20ª colocação tanto em 2024 quanto em 2025. Ainda assim, seu desempenho foi inferior ao registrado em 2023, quando figurava na 13ª posição.
A segunda marca não autorizada melhor posicionada é a ZeroUm, que passou a ser monitorada pela Blask apenas em maio de 2024 e encerrou 2025 na 32ª posição do ranking por BAP.
O relatório ressalta que tanto Brabet quanto ZeroUm não se enquadram como casos típicos de operadores offshore. A Brabet possui licenças estaduais em algumas unidades da federação. Já a ZeroUm está oficialmente autorizada a operar no Brasil enquanto tramita uma disputa judicial com a SPA relacionada à autorização federal.
Consolidação como principal tendência
Para a Blask, o primeiro ano do mercado regulado brasileiro aponta para um processo claro de consolidação. O setor se estabilizou, e a maior parte da atenção do público concentrou-se nas marcas com autorização federal, enquanto o segmento não licenciado perdeu visibilidade de forma consistente.